A volta das rodas de samba no verão

Publicação: 2020-01-10 00:00:00
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O samba deixou de ser aquele ritmo que só se ouvia em Natal durante o desfile de carnaval ou em um ou outro quintal. O batuque se estabeleceu de vez como uma das trilhas sonoras oficiais da cidade, e já movimenta toda uma agenda de eventos entre bares, clubes e até mesmo na rua. O tamborim está aquecido na capital, com variados eventos programados para este fim de semana e outros projetos que estão para retornar nos próximos dias. Os sambas de verão estão com toda a ginga para movimentar seus adeptos e demais pessoas boas da cabeça e sadias do pé.

Créditos: DivulgaçãoO Além do Normal comanda uma das rodas mais prestigiadas da capital, realizada na zona NorteO Além do Normal comanda uma das rodas mais prestigiadas da capital, realizada na zona Norte

O Além do Normal comanda uma das rodas mais prestigiadas da capital, realizada na zona Norte

Além da ponte
A banda Além do Normal fez da zona norte o seu terreiro oficial do samba. Apesar de fazer uma média de 16 shows por mês, é através do projeto “Faça Samba!” que a turma estabeleceu seu nome na área. O evento já tem quase três anos, e é realizado mensalmente, no segundo domingo do mês, na rua. A primeira edição de 2020 será neste domingo, às 17h, no bairro Potengi (ao lado do Hipócrates). A entrada custa R$10, só para custear o projeto. Além dos anfitriões, tocarão também o grupo Koisa Nossa, de Areia Branca.

“Quando a gente começou, o samba era algo muito escasso na zona norte”, conta Danilo Matos, voz e violão do Além do Normal.  Ele está na nova formação há cinco anos, mas a banda já existe há quase 20. Danilo ressalta que a banda levanta a bandeira do samba de raiz, tocando clássicos de Beth Carvalho, Fundo de Quintal, Noite Ilustrada, Arlindo Cruz, Candeia, Almir Guineto, entre outros. O grupo também tem um trabalho autoral, o EP “Família AdN”, que já está no Youtube. Toda semana, de quinta a domingo, a turma está tocando e fortalecendo a cena na ZN.

Samba na praia
O samba vai à praia: o bar Dom Vinícius, com temporada atual em Pirangi, recebe neste sábado um grande show de samba tendo à frente o grupo paulista Turma do Pagode, a partir das16h. A matinê de samba terá ainda as bandas Mesa Doze, Valber Fernandes. A Turma do Pagode tem 18 anos de estrada. Apadrinhados por Netinho de Paula, eles já tocaramcom todos os bambas que habitam o samba. Seu grande sucesso é “Lancinho”, junto com “Sua mãe vai me amar”, “Muito cedo”, “Deixa eu te querer”, “Pensando em você”,entre outras.  Vendas na Bransk e OutGo.

Créditos: DivulgaçãoTurma do Pagode agita o verão com seu Misturadin 2 no Dom Vinícius Praia, neste sábado em PirangiTurma do Pagode agita o verão com seu Misturadin 2 no Dom Vinícius Praia, neste sábado em Pirangi
Turma do Pagode agita o verão com seu Misturadin 2 no Dom Vinícius Praia, neste sábado em Pirangi

Samba Negra
O Praia Shopping recebe neste fim de semana a segunda edição do projeto Samba Negra, que busca celebrar as raízes do gênero musical brasileiro por excelência. Os shows vão rolar na praça de alimentação, com a seguinte programação: sábado, a partir das 17h, com Josy Ribeiro, D'Breque (19h30), e Soanata (22h); e no domingo o som começa às 14h, com Dodora Cardoso, Sambacom (16h30), e Debinha Ramos & Roda de Bambas (19h). A edição 2020 é gratuita e faz parte da programação oficial do Natal em Natal.

Rodney Rodrigues, voz e cavaquinho do Sambacom, promete um show alegre e eclético. “Vamos do samba-rock aos clássicos, com direito a um pagodinho se alguém quiser. A gente está acostumado a moldar nosso repertório ao ambiente, estamos prontos pra tudo”, diz. O grupo tem oito anos de estrada e faz uma média de 20 shows por mês – sem lugar fixo. Rodney atesta que agora as portas estão mais abertas para o samba. “A onda nunca parou. Às vezes fica uma marolinha, mas nunca para”, brinca.

Samba de Sábado
Aula de batuque e de história. Assim pode ser chamada uma apresentação do Arquivo Vivo no Buraco da Catita. O show vai rolar neste sábado, na Ribeira, como um reencontro. O Arquivo Vivo tem 11 anos de estrada, e foi a primeira banda de samba local a lançar um disco autoral, em 2009. Estava na linha de frente quando o samba começou a ser levado a sério nas agendas natalenses. No repertório, além das próprias músicas (como o hit “Separação”), o Arquivo também celebra os clássicos. Nomes como Dona Ivone Lara, Cartola e Noel Rosa são fundamentais na trilha do grupo.

Créditos: DivulgaçãoO Arquivo Vivo, banda que é um marco da retomada do samba em Natal, estará sábado na CatitaO Arquivo Vivo, banda que é um marco da retomada do samba em Natal, estará sábado na Catita
O Arquivo Vivo, banda que é um marco da retomada do samba em Natal, estará sábado na Catita

Renan Araújo, pandeiro e voz da banda, conta que a história do Arquivo Vivo se confunde com a da retomada do samba em Natal. “A gente só queria tocar o que gostava de ouvir em casa, sem compromisso”, diz. E foi assim que surgiu a Quinta Viva do Samba, que existe até hoje no Beco da Lama, sob nova direção; o evento cresceu tanto que migrou para a Praça André de Albuquerque, onde animou a área por quatro anos. Depois o Arquivo seguiu para a Ribeira e foi a trilha dos primeiros anos do Buraco da Catita, tocando em sua badalada calçada. Depois, com nova formação, transformou as quintas do Ateliê Bar em sensação. O Arquivo se mantém sempre vivo.

Mais samba na agenda: As rodas estão nas ruas
O cantor, cavaquinista e compositor Marcos Souto, ex-Arquivo Vivo, está em estúdio preparando seu terceiro disco solo. Mas a agenda para os próximos batuques estão a toda prova. Dia 25 de janeiro ele estará no Old Five, em Ponta Negra, e dia 31 na Fiart, Via Costeira. Em breve ele também voltará à sua temporada no bistrô Zeh Cozinha (que está em recesso) e retomar o projeto Samba Souto, que não rolou neste começo de ano devido às gravações do disco. “Sempre rola um contato pra uma roda de samba. Agora temos um bom cenário”, diz.

Marcos segue inspirado pelo samba clássico, gênero no qual aposta há 20 anos. “Quando o Arquivo Vivo surgiu não havia uma banda que só tocasse samba em Natal. Os grupos misturavam tudo, pra sobreviver. Quando a gente surgiu, disseram que éramos doidos”, conta. O músico já emplacou música própria, “Terra do Sol”, que viralizou nas redes. Ano passado, celebrou seus 20 anos de samba com o show “Do coco ao partido alto”, no TCP e Relógio do Sesc.

O projeto Ribeira Boêmia, outro nome de ponta na popularização do samba em Natal, está preparando uma estreia das mais animadas em 2020: no próximo dia 25 fará o seu Baile Ribeira Boêmia, no restaurante Paçoca de Pilão, em Pirangi. O músico Leonardo Galvão, coordenador da turma, afirma que será uma festa eclética, indo além do samba. Coisa de verão. Além dos anfitriões, terá Sueldo Soares, Dodora Cardoso, Júnior Santos, Luciano Queiroz, e Messias Paraguai. “Teremos samba enredo, frevo, marchinhas, samba rock, axé e forró. Será um grande passeio pela música brasileira”, resume. A agenda dos boêmios ainda está em formulação, mas vem mais coisas por aí.

O Beco da Lama virou epicentro sambista de Natal, e o período de recesso está prestes a acabar. O projeto “Hoje Tem Samba no Beco” retornará aos sábados da rua Coronel Cascudo no dia 18/01, sempre às 14h. O evento começou em março do ano passado e virou sucesso na área. Já a “Quinta que te quero samba”, em frente ao Bar de Nazaré, retorna no dia 23/01. O grupo Batuque de um Povo conduz a festa com suingue e alegria. As quintas voltarão a ser as mesmas.









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