Rodger Rogério e as canções de caminhada

Publicação: 2017-09-29 00:00:00 | Comentários: 0
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Ramon Ribeiro
Especial para o FDS

No início dos anos 1970, Fortaleza, no Ceará, foi tomada por uma efervescência cultural de dimensões poucas vezes vista em sua história. Na música, um grupo de jovens lançou o disco “Meu corpo minha embalagem tudo gasto na viagem” (1973), também conhecido como Pessoal do Ceará, álbum antológico que marcou gerações. Surgia ali para o Brasil Ednardo, Teti e Rodger Rogério.
Bastante tímido e envolvido com outros trabalhos, Rodger Rogério acabou não dando sequência como cantor. Somente a partir dos anos 2000 que ele resolveu investir de vez na carreira. Aos 73 anos, o artista chega a Natal para dois shows. O primeiro acontece nesta sexta-feira (29), às 19h, no Sindicato dos Bancários (Petrópolis), no sistema pague quanto puder. No sábado (30), às 20h, nova apresentação, dessa vez no Bardallos Comida e Arte, com a entrada a R$ 10.

Remanescente do Pessoal do Ceará, Rodger é autor de pérolas da MPB, como “Retrato Marrom”
Remanescente do Pessoal do Ceará, Rodger é autor de pérolas da MPB, como “Retrato Marrom”

No palco, o cantor e compositor Rodger Rogério estará acompanhado do músico potiguar Carlança Sena. O repertório vai passar pelas canções do artista, como “Cavalo Ferro”, parcerias com os amigos de geração, dentre os quais, Belchior, Fagner, Ednardo, Teti, além das músicas que lhe foram referência.

“Costumo dizer que não tenho carreira, tenho uma caminhada”, diz Rodger em entrevista ao FDS. Diferente dos colegas, ele preferiu uma vida mais discreta, mas sem deixar a música de lado. Professor de Física, ele chegou a viajar pelo Brasil, sem nunca parar de compor. A cada reencontro com sua turma, novas canções surgiram, como “Falando da Vida”, “Retrato Marrom” , “Ponta do Lápis” - as duas últimas gravadas pelo amigo Fagner e Ney Matogrosso.

“Comecei com o Pessoal do Ceará. Daquela turma eu era o mais velho, já tinha dois filhos, era professor da universidade, não deu pra seguir com a vida de cantor”, explica Rodger. Professor de Física, o cearense chegou a visitar Natal na década de 1980 por ocasião de um Congresso de Física. Como cantor, somente ano passado, quando fez seu primeiro show na capital potiguar. “Eu era muito tímido. Antes só cantava à força. Cheguei a gravar disco, mas não era minha praia. Agora que me aposentei, deu pra me dedicar melhor”.

O cearense conta que conseguiu enfrentar a timidez a partir de um curso de teatro quando estava com 45 anos. A ideia inicial era entender das Artes Cênicas para escrever espetáculos. “No processo aprendi a soltar a voz e controlar a timidez”, lembra.
Até hoje Rodger mantém contato com a maioria dos artistas de sua geração. Sobre a morte de Belchior, ele conta que ficou muito surpreso. “Era alguém de muita saúde”, descreve. “Morei um tempo em São Paulo, quando trabalhei na USP. Belchior era meu vizinho do prédio da frente. Fizemos algumas músicas juntos, como por exemplo, 'Chão Sagrado', para o Paulo Vanzolini”.
Rodger costuma se apresentar com regularidade em Fortaleza. Ele diz que as novas gerações seguem redescobrindo o repertório dos anos 70, em especial, o do Pessoal do Ceará. “Tem uma turma nova muito boa. Tenho feito algumas participações quando eles me chamam. Rolando convite, estamos ai”, conta o artista.

Serviço
Show Rodger Rogério (Pessoal do Ceará)
Sindicato dos Bancários (Av. Deodoro da Fonseca, 419, Petrópolis)
Sexta-feira (29), às 19h
Entrada: Pague quanto quiser
Bardallos Comida e Arte (R. Gonçalves Lêdo, 678, Cidade Alta)
Sábado (30), às 20h
Entrada: R$ 10


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