Roleta

Publicação: 2020-10-20 00:00:00
Vicente Serejo
serejo@terra.com.br

Créditos: Divulgação

Ninguém pode projetar, com segurança, as consequências de uma eleição sobre a outra. No caso, da luta municipal e seus efeitos sobre as eleições gerais de 2022. A sucessão deste ano não move moinhos dois anos antes. Está distante. Mas, gera um fato que pode levar a sucessão estadual, de certo modo, a ser previsível: pela pobreza do elenco de nomes em todos os níveis.  Basta constatar, com alguma isenção, a ausência de ícones com força de mudança substancial. 

Só um fato de agora poderia esboçar o futuro de 2022: a reeleição, se consagradora, do prefeito Álvaro Dias. Neste caso, das urnas de 2020 sairá um candidato para a luta dentro de dois anos, quando o voto vai eleger um governador, um senador, oito deputados federais e vinte e quatro estaduais. Combate que certamente será travado entre grupos liderados nacionalmente por Jair Bolsonaro e seus opositores puxado por Lula se, até lá, o PT superar sua degradação. 

Ainda assim, e se o esvaziamento petista não atingir o acervo médio e histórico de trinta por cento do eleitorado, a variável, a julgar pela queda do governador Wilson Witzel no fosso da corrupção, será a vitória conservadora do governador João Dória, com a força de São Paulo nas suas mãos. Ele já demonstrou saber manejar os instrumentos do jogo político nas eleições para prefeito e governador, com o apoio sólido e concreto da sétima maior economia do mundo.  

No plano estadual, o futuro da governadora Fátima Bezerra, neste instante, é o plano de renovar seu mandato, desde que o desgaste não a obrigue a uma composição para retornar ao Senado, isto na melhor hipótese. Ou disputar uma cadeira de deputada federal se, logo agora, as urnas desenharem um relevo fortemente consagrador para a tradição, e levando o governo a duas derrotas devastadoras em Natal e Mossoró, nossos dois maiores tambores de ressonância. 

Ai, registre-se, cabe a dúvida atroz: se ao deputado Ezequiel Ferreira convém disputar a eleição para o Senado e abrir mão da eleição garantida de deputado estadual e a renovação do cargo de presidente do Poder Legislativo. Um plano que bem articulado pode ser realizável, ou não. Se a vida é um assunto local, como lembrava o genial Charles Chaplin, só as circunstâncias da hora dirão se é melhor tentar ser governador ou senador ou continuar a presidir a Assembleia.  

Esse será o chão movediço da política nos próximos dois anos e é nele que a tradição tentará reconquistar o poder perdido em 2018, quando o eleitor foi às urnas calado, mas levando um forte sentimento de mudança. Derrotou os nomes mais expressivos da política tradicional - Garibaldi Filho, José Agripino, Geraldo Melo - e o então presidente da Câmara Federal, Henrique Alves. É hora de dizer como os velhos crupiês das roletas: ‘Senhores, façam o jogo!”. 

RETRATO - A pesquisa mostra: Natal está ouvindo o delegado Sérgio Leocádio. Mesmo com rejeição, é quem mostra um sintoma de crescimento. Os outros parecem tragados pela mesmice. 

ELE - Ainda que hoje o recorde da produção de camarão possa ter muitos donos, seu mérito será sempre, unicamente, de Cortez Pereira. Antes dele, nós sequer sabíamos que era possível.

BRILHO -  O ministro Fábio Faria, das Comunicações, é capa de ‘Poder’, de Joyce Pascowitch, nas bancas. Em oito páginas e muita elegância, promete boas notícias para o governo Bolsonaro.

AVISO - A quem pensa que os irmãos Joesley e Wesley Batista empobreceram pós-Lava Jato: ocupam o16º lugar nos 200 bilionários brasileiros, segundo a ‘Forbes’. Com R$ 27,4 bilhões.

MEMÓRIA - No acervo de edições virtuais da UFRN, para leitura liberada, o segundo volume do “Inventário do Possível”, do escritor Tarcísio Gurgel. O último volume ainda não tem data. 

ESTILO - Ao invés de seguir uma memorialística tradicional, Tarcísio refaz os caminhos ao longo de sua trajetória intelectual vitoriosa. Do vendedor de livro ao professor-doutor da UFRN. 

HISTÓRIA - Tarcísio é ficcionista e o autor dos dois maiores estudos sobre a história literária do RN, as mais importantes análises de referência sobre o ensaio, a ficção e a poesia no Estado. 

TRAIÇÃO - Fonte do PSOL, ligada a Sandro Pimentel, não tem dúvida de que a luta contra o ex-deputado teve também uma ação política de dentro da Assembleia. A suspeita é flamejante.
  
DÚVIDA - O professor João Abner, da UFRN, doutor em hidrologia e o maior estudioso do sistema hídrico do Estado, protocolou manifestação junto ao Ministério Público Federal questionando não a obra, mas a solução de transposição das águas do S. Francisco para o RN.

QUESTÕES - Abner, na manifestação, considera como propaganda enganosa a solução posta como a ideal para o Estado e, num segundo questionamento, aponta improbidade administrativa no projeto do Ramal do Apodi, tal como projetado. A solução não é a mais racional para o RN.   

VÍTIMA - Para ele, como projetadas, as águas do S. Francisco demorarão cerca de sete anos até chegarem aos nossos reservatórios. O Ceará e a Paraíba serão os mais beneficiados. Abner sugere que a União ouça o contraditório promovendo antes, e por precaução, um debate técnico. 









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