Romário e Adílio

Publicação: 2020-05-01 00:00:00
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Rubens Lemos Filho
rubinholemos@gmail.com

Créditos: Divulgação



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Há, por baixo, 35 mil Romarinhos, a partir do primogênito do gênio da Grande Área. No América de Natal existe um, que parece não ter  laços com o de Fortaleza como se prenome certificasse parentesco. 

A geração dos Romarinhos vem desde 1994, quando o marrento baixinho(melhor atacante da história) carregou a seleção brasileira nas costas até subir à tribuna dos campeões.

Anos antes, ali pela Região de Parelhas, Seridó escaldante, um pai flamenguista exagerou e botou no filho o nome de Zicomengo. 
A pobre criança berrou pela primeira vez com o tapa do médico em sua bunda. Zicomengo passa dos 25 anos de idade e deve estar de saco cheio em sua casa,com visitantes querendo uma fotografia ao seu lado, ele enfezado da vida.

Zico, o maior brasileiro com a bola no pé desde o Rei Pelé pendurar as chuteiras, é dono de um latifundio ocupado com meninos e velhotes com seu prenome: Artur. É muito mais charmoso batizar de Artur do que de Zicomengo.

Zico e Romário teriam formado a mais letal dupla da história da bola. Claro, um degrau abaixo de Pelé e Coutinho, do Santos bicampeão mundial da Libertadores e Mundial no começo da década de 1960.

Há outros nomes que premiam garotos ainda no berçário. “Esse vai se chamar “Roberto Dinamite Pereira de Souza”. A mãe, chegando à sala de cirurgia, quase tem eclampsia. Ou ainda: “O ABC ganhou “nêga-véia” e eu vou botar o nome do garoto de Wallyson “.

São questões insolúveis. Adílio é grafia pouco usual e o único Adílio nacional agora conta 63 anos de idade, de gingado e de domínio de bola. Os ingredientes do Adílio do Flamengo, campeão mundial de clubes em 1981,esquecido na Copa da Espanha no ano seguinte, formam o jogador brasileiro nato.

Adílio tabelava nas pernas dos marcadores, caia para a direita, se deslocava à esquerda, seu drible era sofisticado, descadeirante, abrindo espaços para a genialidade de Zico.

Tímido, Adílio saiu da Cruzada São Sebastião, favela em cimento e cal, construída pelo santificado Dom Hélder Câmara quando apóstolo na capital carioca. Driblava tanto, que Adílio ganhou apelido de Pelezinho. Andrade, Adílio e Zico é meiúca de bateria de escola na avenida.

Há um Adílio no Rio Grande do Norte, nascido em Assu. Jogou no Alecrim e está no América. Se o nome famoso inspirou a família, estão de parabéns. Adílio amaciava a bola na inspiração dos amantes de sexo caliente.

O Adílio Potiguar está naquela tensão de gelar a barriga. Leia um pouco sobre Adílio, o original. Encontrarás calma nas decisões , fintas fenomenais, toques de efeito, certeza de que aprenderás, no tempo certo, a magia de jogar bem acima do normal, do comum.

Os cinco do Baixinho 
Romário, por sinal, escolheu os cinco melhores jogadores do mundo de todos os tempos. Segundo ele. Pelé em primeiro, Maradona, ele em terceiro, Zidane e Ronaldo Fenômeno. Com cara de tédio, disse que superou barreiras importantes. “Nunca fui um atleta, fui um jogador, nunca treinei, sempre fiz gols e carreguei times nas costas”. 

Espetada
No quinteto de Romário, sobram elogios para Maradona: “Ninguém, em tempo nenhum, terá a capacidade técnica do Diego”. Pelé não mereceu uma palavra do baixinho. Zico, Messi, Hagi, Rivaldo, Stoitchkov, Cruiff, seu grande incentivador no Barcelona. Nenhum foi lembrado. 

Claro
Que fique claro: em nenhum instante o Presidente da Federação de Futebol, José Vanildo, marcou data para impor a volta dos campeonatos. Ele sabe e cumpre as medidas sanitárias. Só recomeça quando for autorizado pelos governos. Quer voltar, mas sem burlar a lei. Mágoas pessoais devem ser freadas. 

Infectologista e o futebol 
Em conversa com o professor doutor Luiz Alberto Carneiro Marinho, papa da infectologia potiguar, ele(cauteloso),  acha que os clubes somente podem voltar a disputar o campeonato estadual tomando medidas preventivas indiscutíveis. 

Testes 
A principal  medida seria fazer testes nos jogadores, comissão técnica e quem mantiver contato com o universo do futebol  nos clubes, ainda que por amostragem. Se são 400 profissionais, que se faça em 100. Quem tiver resultado positivo, estará imunizado. Quem não tiver, está sob risco do Coronavírus e fora de combate. Sem choro. 

Opção 
O infectologista defendeu que a Federação de Futebol faça a compra dos testes, que sai em média a 200 reais, cada um e  que podem ser realizados em hospitais, ou mesmo adquirir um lote mais em conta em alguma farmácia. 

Torcedor 
Já a abertura para o torcedor, o Doutor Luiz Alberto considera impraticável . Fora de cogitação pelo cenário atual. 

Futuro 
Perguntei também sobre os demais campeonatos programados. O infectologista respondeu que a dúvida quanto ao fim da pandemia impede qualquer previsão. O Coronavírus é como um vampiro invisível. Ataca e espera, fagueiro, a vítima definhar até ser tratada. Para ser salva ou morrer. 

Gordinhos 
Outro alerta feito pelo médico: estão começando a aparecer casos não somente em obesos, mas nos chamados gordinhos, aqueles com sobrepeso e propensos ao diabetes. Cuidado para quem ultrapassa a barreira dos 90, 100 quilos.