Romantismo

Publicação: 2019-08-23 00:00:00 | Comentários: 0
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Rubens Lemos Filho
rubinholemos@gmail.com

Ninguém ouse duvidar de um romântico. Ser construído de paixão, irracionalidade e sentimento aberto. Não sou do tipo que ainda manda flores, embora sofra por amor e chore de saudade. Na vida e no futebol. E é tocando de primeira que vou exaltar o técnico Fernando Diniz, um meia hábil que escolheu de profissão de fé, o jeito belo de fazer um time jogar. Ah, foi demitido do Fluminense. O time do Fluminense , precário, ao menos, trocava passes.

Ia para a frente, com habilidade, buscando a vitória e não ser escravo da ditadura do 0x0.  Fernando Diniz é chacoteado pela mídia tão tosca quanto aqueles que analisa. Um comentarista, que não vou pronunciar o nome por não saber, de tanta petulância diante de câmeras de TV por assinatura, decretou, para seus telespectadores, que o “romantismo acabou”. Imagino que transe por smartphone.

 Recebeu uma senhora porrada, elegante, esnobe e refinada, do mais rebelde  entre os românticos: Paulo Cézar Caju, o Paul Cézar, Cavaleiro da Ordem Nacional da Legião de Honra da França, condecorado, dois anos atrás, pelo então presidente François Hollande. PC, tricampeão mundial em 1970 e desbocado, ironizou: “O jornalismo esportivo está bem parelho com o futebol atual. Hoje um time jogar bonito é visto como romantismo. Quer dizer que nosso futebol permanecerá nesse nível? Que devo achar legal a convocação do Fágner? Por falar em convocação, Tite premiou a indisciplina ao chamar Neymar.”

 Romântico é o drible. É o beijo. Romântico é o sorriso . A entrega. Romântico é o lançamento. O desejo. Romântico é o gol. O ápice. Românticos são irreversíveis. Plantam sementes, na fé infinita no florescer. O Brasil só foi Brasil quando o futebol significava amor. A vida seguia a alegria da bola.

Tapetão
O fato de buscar o tapetão para tirar os pontos do Treze não deve ser abordado simplesmente pelo legalismo. E sim pela coroação de um vexame. O ABC parece não desencarnar do rebaixamento. O STJD não pode ser o gramado ideal para um time que jogou 17 partidas(falta o Globo) e envergonhou sua torcida.

Reconhecimento
Para a Garra e a Camisa 12. O ABC é o time do povo e esse povo precisa participar das decisões. Os boçais da diretoria valem muito menos do que aqueles crédulos pagadores de ingresso e vibradores. A campanha por uma diretoria profissional chega em boa hora. É preciso saber quem vem, de onde, por quem vem e o porquê. Chega de 171.

América 
A torcida do América poderia encampar a mesma luta. No América, torcedor chega, no máximo, até à lojinha.

Sugestão
Os clubes de Natal poderiam jogar o Campeonato Estadual com suas bases e um ou dois experientes apenas para garantir. Nos tempos de crise – essa pode ser a pior, mas não é a única, a prata da casa teve oportunidade de aparecer e entrar com personalidade nas competições oficiais. Qualquer moleque malandro e habilidoso, joga uma Série D. Forma-se time de casados contra solteiros. Na Divisão da Morte.

Vestígios de um fracasso
Mossoró, a segunda maior cidade do Rio Grande do Norte, terra dividida em paixão entre Potiguar e Baraúnas, está fora do futebol. Caicó, alucinada pelo esporte, com um ótimo estádio, terra do Coríntians, primeiro campeão interiorano do Estado, também largou as competições oficiais. Currais Novos, berço do genial Dedé de Dora, tem no Estádio Coronel José Bezerra um espaço digno. Também fora. Santa Cruz, maior pólo de turismo religioso, desistiu.  Fatos concretos, reais. Alguém tem de explicar.

Missa de Carlos Morais
Amigos do jornalista Carlos Morais, dos mais qualificados textos desta inflexão continental, podem homenageá-lo na Catedral Metropolitana, amanhã(sábado), às 11 horas, quando haverá missa de sétimo dia em sufrágio de sua alma. Morais, 69 anos, redator e editor brilhante na Tribuna do Norte, Diário de Natal, A República e No Liberal(Belém), morreu domingo passado e, atendendo a seu pedido, dias antes do desfecho, seu funeral foi fechado.

Livro
Acho que sou um dos poucos a guardar um exemplar do delicioso livro São Demais Os Perigos Dessa Língua(1985), causos do jornalismo potiguar contados com estilo leve e bem-humorado por alguém que sempre priorizou o escrever direito. Morais desiludiu-se da profissão. E virou um solitário. Não são poucos assim entre os que ficaram.

Jogão 
No dia 24 de agosto de 1975, o bicampeão América estreava no Campeonato Brasileiro derrotando a Desportiva(ES) por 2x1 no Castelão(Machadão), sob o comando do técnico Sebastião Leônidas. Hélcio Jacaré, o grande ídolo rubro, marcou os dois gols, enquanto Kosilek, ex-Vasco, descontou para o time capixaba. Público pagante de 8.350 torcedores.

Seleção vermelha
O América : Ubirajara; Ivã Silva, Mário Braga, Odélio e Cosme; Zeca, Humberto Ramos e Hélcio Jacaré; Reinaldo, Pedrada e Ivanildo Arara. Desportiva: Edalmo; Paulinho(Suingue), Edmar, Jucy e Gaúcho); Evandro, Baiano(seria ídolo no futebol pernambucano na década de 1980) e Kosilek; Guará, Luiz Alberto e Beto.





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