Só dá Tarantino

Publicação: 2020-01-14 00:00:00
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Alex Medeiros
alexmedeiros1959@gmail.com

Dois dias depois de Era Uma Vez em Hollywood estrear nas telas de Natal, escrevi aqui uma resenha sobre o filme, o nono do diretor Quentin Tarantino. O primeiro pensamento que eu tive ao sair do cinema foi desejar que ele estivesse mentindo sobre encerrar a carreira com um décimo filme. Fiquei inebriado com a adaptação que ele fez do fato que até hoje muitos consideram simbólico fim do sonho decantado por John Lennon: a morte de Sharon Tate.

Na virada de ano, quando começa a temporada de premiações do cinema e da televisão, me contenta ver que as conquistas e indicações de Era Uma Vez em Hollywood estão confirmando meu sentimento quando entrei no cinema para fazer a viagem no tempo que o cineasta nos proporciona. E aquele mergulho nos anos 1960 estão agora consagrando Tarantino em todas cerimônias das diversas honrarias que festejam a produção da sétima arte durante um ano.

Após cinco indicações no Globo de Ouro e doze no Critics Choice, em ambos faturando estatuetas, com destaque no brilho de Brad Pitt e do próprio diretor, eis que Era Uma Vez em Hollywood tem agora dez indicações no Oscar.

Irá mais uma vez disputar o protagonismo com O Irlandês, de Martin Scorsese, e Coringa, de Todd Philips, ambos alavancados por um elenco de peso como o trio Robert De Niro, Al Pacino e Joe Pesci e Joaquin Phoenix arrebentando.

Das dez indicações do filme de Tarantino estão as principais categorias, de melhor filme, melhor diretor, roteiro original e atores principal e coadjuvante, respectivamente Leonardo DiCaprio e Brad Pitt. Impossível não sair prêmios.

Evidente que os concorrentes diretos são poderosos, até pelo fato do filme de Tarantino ser considerado uma espécie de comédia musical, como é, por exemplo, Yesterday, também com um belo roteiro que insere ficção na História.

Além de Scorsese e Philips, o cineasta do Tennessee vai enfrentar também o britânico Sam Mendes, que vem surpreendendo os críticos com seu épico 1917, uma narrativa baseada nas conversas do avô sobre a Primeira Guerra.

Num ano repleto de favoritos ao Oscar, onde os envelopes estão lacrados e seus votos em segredo – presume-se – a Academia de Hollywood vai revelar em 9 de fevereiro qual filme e qual diretor foram hegemônicos em 2019.

Uma pena que a boa ficção de Fernando Meirelles sobre os papas Bento 16 e Francisco tenha chegado ao serviço da Netflix já no final do ano, quando boa parte dos votantes já tinha conceituado as obras e até formado juízo de valor. Mas mesmo assim, Dois Papas concorre com Jonathan Pryce e Anthony Hopkins, dois monstros das telas a enfrentar outros monstros infelizmente em situação mais favorável que eles. O certo, eu espero, é que Quentin Tarantino brilhe, e na hora do discurso desista de desistir de fazer cinema.

Créditos: Divulgaçãocolunacoluna


Delírio coletivo
Assim como há cristãos que acreditam que Jesus voltará numa nuvem, os carbonários digitais continuam sonhando que a revolução proletária virá pelo Facebook. As postagens indicam que logo seremos uma Cuba continental.

Ainda as ruínas
A passeata das carpideiras nas redes sociais acrescentou novas acusações aos defensores da demolição do Reis Magos e ao prefeito Álvaro Dias. Dizem que tudo foi uma trama para valorização dos terrenos. Incrível isso, né não?

Moro fora
O jornalista potiguar Gaudêncio Torquato postou ontem que Bolsonaro iria demitir Moro em agosto de 2019, ao saber que o ministro criticou Toffoli no caso Coaf que protegeu o filho Flávio. O general Heleno abortou a demissão.

Paulo x Paulo
O ministro Paulo Guedes precisa ficar atento à aproximação de Paulo Skaf a Jair Bolsonaro e aos militares. Se houver o casamento, o homem da Fiesp vai tentar brecar a intenção de Guedes em atacar os desvios do Sistema S.

Veranico
Todo verão o fuxico impera nos alpendres e varandas. E o deste 2020 promete ser recheado de boatos e especulações políticas, pois trata-se do primeiro veraneio com a popularidade do Whatsapp, diferente de 2012, 14, 16 e 18.

Vertigem
O documentário de Petras Costa é bem dirigido e tecnicamente correto, mas é apenas a narrativa de uma cineasta militante, filha de um pupilo do guerrilheiro Pedro Pomar e uma mulher apaixonada pela história dos pais, de Lula e Dilma.

Dois Papas
Depois de quatro indicações no Globo de Ouro e duas no Critics Choice, o filme de Fernando Meirelles tem duas indicações no Oscar, um na categoria ator coadjuvante (Anthony Hopkins) e outro em melhor roteiro adaptado.

Tecnologia
A mídia começa a divulgar um dos atrativos tecnológicos das Olimpíadas de Tóquio, em julho. Um deles é o ônibus sem motorista que levará os atletas. Só que em fevereiro isso já será realidade na Universidade Autônoma de Madrid.

Sem Neymar
A revista France Football fez uma enquete com jornalistas e com torcedores do PSG para elencar o time da década. Ficou assim o Top 11: Sirigu, Maxwell, Thiago Silva, Marquinhos, T. Motta, Matuidi, Verratti, Di Maria, Mbappé, Cavani e Ibrahimovic.






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