São Francisco, o rio milagreiro do vinho nordestino

Publicação: 2019-11-08 00:00:00 | Comentários: 0
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Somente quando vimos de perto o ambiente da caatinga, com seu clima tropical semiárido, suas cactáceas: palma, xiquexique, mandacaru, aroeira, umbu e espinheiros de vegetação seca e pouca folhagem, aparentemente sem vida, é que nos damos conta do milagre que são os oásis verdes que ponteiam a vasta aridez, com suas frutas tipo exportação, transformando a vida da paisagem e das pessoas. Nesse árido ambiente, com 300 dias de sol por ano, a vinha é uma sobrevivente que transforma a luz e o calor mortificante do sol em vida, graças a milagrosa água do Rio São Francisco (o velho Chico) que o homem faz chegar às plantas através da irrigação.

Vinícola Miolo Terranova na região do São Francisco se destaca pelos vinhos espumantes
Vinícola Miolo Terranova na região do São Francisco se destaca pelos vinhos espumantes

Essa é a descrição mais que perfeita do submédio São Francisco, que compreende os municípios Casa Nova, Lagoa Grande e Santa Maria da Boa Vista, polo vinícola nordestino, situado entre Pernambuco e Bahia, no Paralelo 8 Sul, próximo à linha do equador. Deve-se ao homem a união do Sol com a água milagrosa desse Rio, que tem nome de Santo, padroeiro dos pobres e desvalidos, dos animais e da lavoura, e transforma com sua água benta, a paisagem, gerando riqueza para toda região que atrai em seus voos lotados com destino Petrolina, cidade limite entre Pernambuco e Bahia, homens de negócios dos mais variados segmentos, da agroindústria à construção civil.

Nesse cenário a uva de mesa e a manga são as frutas que mais vicejam, seguidas das uvas viníferas que produzem durante todos os meses do ano, gerando um vinho muito original, com identidade própria, que desde 1986 com a Vinícola Botticelli, pioneira na produção de vinho local, cresceu e se multiplicou, resultando atualmente em 7 projetos vitivinícolas. O destaque entre estes projetos, ficam com a Vitivinícola Santa Maria, que produz os vinhos da marca Rio Sol e pertence a Global Wine (grupo português), em Lagoa Grande, e com a Fazenda Ouro Verde, unidade da vinícola Miolo que produz os vinhos da marca Terranova em Casa Nova na Bahia.  Com pouco mais de 3 décadas, o Vale do São Francisco já surpreende pelos números, sendo a segunda maior produtora de espumantes e sucos naturais de uvas, e o maior produtor e exportador de uvas de mesa. São cerca de 500 hectares de vitis viníferas, produzindo vinhos finos tranquilos e espumantes, vinho licoroso e brandy, que abastece 15% do mercado brasileiro, com uma produção de 8 milhões de litros por ano, gerando 30 mil empregos diretos, e movimentando R$ 1 bilhão por ano, segundo dados do Instituto Brasileiro do Vinho. Tudo isso graças ao Sol, as Águas do velho chico e ao Homem, responsável por esta união.

Visitas técnicas ao Vale do São Francisco
Durante 3 dias em visitas ao Vale do São Francisco, tive a grata oportunidade conversar com enólogos, provar vinhos e ver no campo e na cantina as práticas vitícolas e vinícolas experimentais e comuns, empreendidas nessa região de características geoclimáticas única no mundo. Minha visita iniciou pelo projeto Terranova, da Vinícola Miolo, no dia 25 de outubro, onde fui recebido pelo Adauto (gerente da vinícola) e pelo Ernani Vitor, que dispensaram toda atenção em relação aos números, dados e processos, servindo-me ao final os novos vinhos e safras Miolo produzidos na região. No dia 26/10 (sábado), visitei a Rio Sol, pertencente ao Grupo português Global Wines, ondo fui gentil e atenciosamente recebido pelo enólogo e diretor técnico: Ricardo Henriques, que detalhou de forma professoral suas experiências e pesquisas de campo e cantina, e fechou gloriosamente a visita com uma prova de vinhos inéditos, Rio Sol Assinatura Espumante e Rio Sol Assinatura Tinto, que apenas chegarão ao mercado no final deste mês. Nas memoráveis palavras do Ricardo, o vinho do Vale do São Francisco não é um vinho tropical como dizem, mas um vinho com identidade própria e com personalidade, que expressa uma região única, e que apesar de muito nova, tem um potencial gigantesco que o tempo e os experimentos vitivinícolas se encarregarão de mostrar. 







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