São Paulo atinge pico de internações

Publicação: 2021-02-23 00:00:00
O Estado de São Paulo atingiu seu maior número de internações desde o início da pandemia do novo coronavírus no ano passado. Houve um incremento de 5,6% em relação à semana anterior e o governo João Doria (PSDB) afirmou estar alerta sobre o problema. O interior paulista é um dos principais focos de atenção e especialistas estão preocupados com a circulação de novas variantes do Sars-CoV-2, como a cepa identificada em Manaus. Estudos preliminares indicam que ela têm maior potencial de transmissão e não se sabe seu efeito sobre a eficácia das vacinas. 

Créditos: ARQUIVO/TNPessoas são vistas de máscara no centro da cidade de São PauloPessoas são vistas de máscara no centro da cidade de São Paulo

"Nossa atenção está ainda maior. Esse incremento de 5,6% no número de internações mostra o quanto existe a circulação intensa do vírus. Em julho de 2020 tivemos o pico de 6.250 pessoas internadas, agora atingimos nesta segunda, o número de 6.410 pacientes internados em UTI. Ultrapassamos o maior número da história da pandemia e temos de ter uma atenção especial a algumas regiões do Estado", comentou Jean Gorinchteyn, secretário da Saúde.

Algumas cidades do interior do Estado, por causa do aumento da pandemia e do colapso no sistema de saúde, decretaram lockdown para tentar reduzir a transmissão do vírus entre as pessoas. Araraquara é um dos municípios que fecharam tudo - incluindo supermercados - para tentar conter a contaminação. Ao mesmo tempo, o governo vem ampliando a oferta de leitos, mas a situação pode ser replicada para outras cidades.

Segundo João Gabbardo, coordenador executivo do Centro de Contingência da Covid-19, é preocupante a situação no interior. "O Centro de Contingência apresentou recomendações extraordinárias e o governo está fazendo análise disso. Essas medidas adicionais ao Plano São Paulo serão anunciadas na quarta-feira, para entrarem em vigor na sexta-feira. Entre elas, está a redução da mobilidade, que é o que podemos fazer nesse momento para red

O Plano São Paulo é o programa estadual de reabertura econômica, que tem quatro níveis de risco, classificados por cor, com regras para o funcionamento de atividades. A classificicação é feita de acordo com o número de infecções e mortes, ocupação de leitos, dentre outros fatores. Pelo menos quatro regiões do Estado (Presidente Prudente, Barretos, Araraquara/São Carlos e Bauru) estão no alerta máximo. 

Para Paulo Menezes, coordenador do Centro de Contingência da Covid-19, todas as medidas serão importantes para tentar conter o avanço da doença nas cidades paulistas. "Alguns municípios têm intensificado medidas de restrição além do que o Plano São Paulo coloca. Isso deve auxiliar na redução da transmissão", acredita.

Atualmente, a taxa de ocupação de leitos no Estado de São Paulo está em 67,9%. Nesta segunda-feira, 22, foram registrados 1.978.477 casos, sendo 2.550 nas últimas 24 horas, e o Estado atingiu a marca de 57.842 mortes, sendo 43 óbitos registrados nas últimas 24 horas.

Outro ponto importante para a redução da transmissão é a vacinação. Na próxima sexta-feira, o governo vai anunciar quais serão as novas faixas etárias de imunização. Nesta segunda-feira, o Estado atingiu a marca de 2.033.582 pessoas vacinadas, segundo Regiane de Paula, coordenadora de controle de doenças da Secretaria de Estado da Saúde. O governador João Doria também comentou que, se São Paulo fosse um país, seria o novo do mundo com mais imunizados.

O governo de São Paulo anunciou ainda a entrega de mais 3,4 milhões de doses da vacina Coronavac para o Ministério da Saúde. Nesta terça-feira, 23, às 9h30, Doria vai acompanhar a entrega do primeiro lote diário de 426 mil doses no Instituto Butantan. "O ministério fará a logística para encaminhamento das vacinas aos municípios", explicou.