Só para mostrar

Publicação: 2020-01-26 00:00:00
Vicente Serejo
serejo@terra.com.br

Créditos: Divulgaçãocolunacoluna


Ninguém, nesta Natal que um dia o performático Jomard Muniz de Brito batizou de ‘Londres Nordestina’, seria louco de propor que uma casa histórica fosse preservada sob o vão livre de um edifício. Ela e o entorno, respeitando-se o isolamento e a solidão que exige o sítio histórico. Seria desafiar a genialidade bocó em nome da economicidade modernosa e muito comum em quem não sabe que só faz vanguarda quem tem consciência da tradição.

O que nos difere para menos não é o limite físico da província. Só o provinciano é verdadeiramente cosmopolita. Câmara Cascudo viajou e escreveu sobre as coisas do mundo, fixando os traços culturais do homem brasileiro, sem nunca deixar de residir no seu chalé centenário, da Junqueira Aires. Foi ali, entre sacadas de florais e arabescos antigos, que viu todas as coisas e ensinou a se compreender, do medo ancestral ao folclore do avião a jato.

Depois, poucas vezes, os modernos que fomos nas primeiras décadas do século vinte, como as visões futuristas de Manoel Dantas, ousamos vencer o rio em busca da terceira margem. Imagine se alguém aqui, tomado pelo desvario, chegasse ao ponto de sugerir que um moderníssimo edifício fosse erguido sobre duas torres laterais para assim ser possível preservar uma casa antiga, ícone nobre da arquitetura ainda do tempo dos Bandeirantes?

Foi exatamente o que aconteceu em São Paulo, Av. Faria Lima, com o edifício Pátio Victor Malzoni que ilustra a coluna. São Paulo não aceitou demolir, sob qualquer pretexto, nem pela força de um futuro de riqueza. Foi contratado um escritório de arquitetura, Botti Rubin Arquitetos, que projetou o edifício com duas torres laterais ligadas por um vão livre e, sob o vão, a casa, o pequeno sítio e a paisagem preservados tal como foi no século XVII.

Não significa dizer que as coisas aqui poderiam ser assim. Seria um requinte que não é comum nesta vila de incivilizados e pedantes. É só para mostrar que o aço e o concreto não são inimigos da preservação histórica. Sem aço, sem concreto e sem bom gosto, o que exige cultura e civilização, não teria sido erguido um edifício com 167 mil metros construídos que hoje é um dos aluguéis mais caros de São Paulo, ou da sétima maior economia do mundo.

Tudo é possível se a alma não é pequena, já disse o genial bardo português. Mas esta é nossa maior pobreza. Tem sido assim. E será. Não pensem os senhores que se arvoram de modernos que acabou o acordo Igreja-Estado, aquele que abriu as riquezas naturais do Brasil em nome das ambições portuguesas, e que tanto cortejamos no Brasil colonial. É possível que os protagonistas sejam outros, mas o provincianismo é o mesmo. Feroz e invencível.

MOSSORÓ - A luta mossoroense pode ter quatro nomes na pista eleitoral: Rosalba Ciarlini, PP; Isolda Dantas, PT; Telma Lúcia, do PSOL e um quarto nome de gestação em segredo.

FORÇAS - Rosalba é a prefeita e tem a máquina municipal; Isolda é soprada pela força do governo petista; e Telma Lúcia, da bandeira do PSOL, com a força da retórica da mudança.

QUEM? - Um quarto nome estaria sendo gestado como convergência que algumas fontes consideram de peso. Um segredo que nem os olhos mais lampiônicos conseguem enxergar.

EFEITO - A fragmentação da oposição beneficia estratégia do ex-deputado Carlos Augusto Rosado. Mossoró não tem segundo turno e uma oposição dividida só favorece a Ciarlini.

SÉCULO - Pauta para a Academia Norte-Rio-Grandense de Letras: homenagear um século de nascimento de Vingt-un Rosado no dia 25 de setembro próximo que é uma sexta-feira.

VALOR - Vingt-un fundou, construiu e instalou a Esam - a Escola Superior de Agricultura de Mossoró, hoje Universidade Federal; e a ‘Coleção Mossoroense’. Educador e mecenas.

TELEX - Para Luiz Penha, onde estiver - sob o céu de Touros ou de Natal: estou sem seu celular. As palavras devidas estão aqui, reunidas, à espera do Menino das Embiras. Apareça.

MARCA – Daliana Cascudo propôs à Secretaria de Turismo de Natal um roteiro da trilha cascudiana a partir da Ribeira levando o turista a conhecer a nossa história. É uma sacada.

FOLHAS - Um advogado, numa reunião de amigos num shopping da cidade, ficou surpreso quando foi contestado por afirmar que a folha de inativos da Assembléia ultrapassou a dos ativos, apontando um excesso de assessores parlamentos para cada gabinete de deputado.

PASSOU - Depois de reafirmar que o valor da folha de inativos é maior do que dos ativos, o deputado explicou: quem tinha tempo aposentou-se com medo da reforma da previdência, dos agentes administrativos aos procuradores. Todos temem perder com o que vem na reforma.

QUESITOS - Segundo o mesmo deputado, a reforma tem pontos nervosos em termos de negociação para um governo petista de inegável sotaque socialista. Os que ganham até seis salários, hoje isentos; professores e as mulheres. Temas quentes no Fórum dos Servidores.