Sérgio Santiago, o educador

Publicação: 2019-11-03 00:00:00 | Comentários: 0
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Manoel Procópio de Moura Júnior 
Sócio do IHGRN

O Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte-IHGRN é um relicário onde se guardam fatos, momentos e pessoas que marcaram um tempo. E é nesta fonte de pesquisa e preservação histórico-geográfica que muitos expoentes da cultura do nosso Estado, produtores do saber, guardam a história. Entre tantos destacamos o Educador SÉRGIO EMERENCIANO SANTIAGO, Patrono da Cadeira 195 do IHGRN.

O professor Sérgio Santiago, o conciliador, como muitos o denominavam, sempre procurou se esconder em sua humildade porque é público e notório que ele sempre foi muito recatado em sua grandeza.

Nasceu no dia 23/09/1900 em uma casa localizada na Rua Domingos Sávio, no bairro da Cidade Alta, em Natal-RN. Casou-se com Séphora Ramos Santiago com quem teve duas filhas, Zélia e Lélia Santiago, também professoras, sendo avô de três netos, tendo ainda conhecido dois bisnetos.

Mesmo carregando o patronímico de uma família de destaque na sociedade natalense, nunca o anunciava, evitando assim o exibicionismo do sobrenome Emerenciano, o qual podia lhe propiciar posições na conjuntura social.

Trabalhou inicialmente no comércio, depois colaborou com o Jornal do Norte, fundado pelo ex-presidente da República João Café Filho, e com o jornal Tribuna do Norte. Trabalhou ainda no programa “De Pé no Chão também se Aprende a Ler”, do ex-Prefeito de Natal, Djalma Maranhão, entretanto realizou-se como Inspetor de Alunos do Colégio Estadual do Atheneu Norte-riograndense.

Uma plêiade de vultos representativos da cultura do Estado tem citado o educador Sérgio Santiago em suas publicações, entre estes o mestre Luís da Câmara Cascudo, que o citou na introdução do livro intitulado Meleagro.

Como dizia Jean de La Fontaine, poeta e fabulista francês, “pela obra se conhece o autor”. O Patrono Sérgio Santiago escreveu ensaios, crônicas, plaquetes e livros. Entre estes podemos destacar os livros: Questões Pedagógicas, 1962; O Problema da Dor Humana, 1963; Questão Judaica, 1968; Ritual Umbandista 1973. E as plaquetes: Creio na Paz, 1969; Separados pela Fé, 1973. Uma Advertência, 1977. Além de vários trabalhos inéditos como Os discos Voadores; Aspectos Negativos da Reencarnação; Fanáticos e Santos Milagreiros, Controvérsias Dogmáticas, entre outros títulos.

Sérgio Santiago foi homenageado por discentes que hoje formam a elite política e intelectual do Estado. Suas obras lhe proporcionaram além do reconhecimento, comendas e homenagens. Recebeu em 02/10/1978, do Conselho Universitário-CONSUNI, a Medalha de Amigo da Universidade Federal do Rio Grande do Norte-UFRN. E, por iniciativa do vereador Aluísio Machado, a Câmara Municipal de Natal o homenageou como nome de uma rua localizada no bairro de Nossa Senhora da Apresentação.

Carlos Drummond de Andrade disse que “ninguém é igual a ninguém. Todo ser humano é um estranho ímpar”. Este pensamento define o professor Sérgio Santiago que era realmente um ser único e especial.

O escritor e professor Sérgio Santiago se encantou aos 95 anos, em sua própria casa, cercado por seus familiares, “fechando os olhos suavemente, como se fosse dar um cochilo matinal”, como lembra o seu neto e Mestre em Letras, Almir César.

Este é um pequeno relato do grande educador Sérgio Emerenciano Santiago que o Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte homenageia como Patrono da Cadeira 195, a qual tenho o privilégio de ocupar.




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