"Só vender por vender não é positivo"

Publicação: 2017-05-16 00:00:00 | Comentários: 0
A+ A-
Entrevista com Jean-Paul Prates, diretor-presidente do Centro de Estratégias em Rec. Naturais e Energia (CERNE).

A desestatização da Potigás é viável?

O Governo do Rio Grande do Norte tem 17% do capital social da Potigás. Ele tem 51% do poder de voto, ou seja, tem o controle da empresa no que diz respeito a voto. Os outros 83% do capital social são da Gaspetro. Essa por sua vez tem 51% da Petrobras e 49% são da Mitsui. Em resumo, Potigás pertence ao Estado, Mitsui e Petrobras. O Estado pode vender. As outras empresas, por pressão do Governo Federal têm incentivado processos de desestatização. A federação tem tentado passar certa postura disciplinar condicionando ajuda a essa disciplina financeira. A escolha do conjunto de empresas de gás não foi bem uma escolha, para os estados não sobrou muita coisa para privatizar. Não é por ser o gás, é o que restou para vender.
Jean-Paul Prates
Quais seriam as vantagens e desvantagens?
Nesse conjunto, a Potigás tem vantagens e desvantagens. Se não é a menor, é uma das menores em termo de mercado e potencial. Por outro lado, as vantagens é que uma está vendendo 17% do capital social, mas também está vendendo o controle da empresa. A segunda é que esse processo não estará submetido ao direito de preferência de outros sócios. Como é o caso da Bahia. Desvantagem também é que a gente teve decréscimo de venda, o mercado ficou enxuto. Em 2006, se vendia 250 mil metros cúbicos por dia, em 2010 houve um pico, fomos a 300 mil metros cúbicos por dia, e, em 2016, voltamos a um patamar quase semelhante ao de uma década atrás, com 280 mil metros cúbicos por dia em média. Não é ruim, mas o mercado deu uma enxugada.

Que tipo de efeito isso pode trazer do ponto de vista de mercado?
No que se refere à composição de mercado, a Potigás não tem mercado térmico, e isso é uma desvantagem porque representa volume grande. Por outro lado, ela tem um mercado industrial razoável, mais de 50%. Apesar do Rio Grande do Norte não ser muito industrializado. Isso se deve ao Progás. O resto é formado por mercado veicular, residencial, comercial e gás comprimido, que representa em torno de 7%. O mercado de gás é mais complicado que o da água. A importância estratégica e social da água é muito maior. No caso do gás isso é menos grave.

Qual seria o modelo ideal de venda? Total ou parcial?
Se o Estado deixar de ter controle, não faz sentido ficar com pedaço nenhum. A questão crítica é se vende ou não.

O que deve ser exigido nessa possível desestatização?
Já que o Estado está abrindo mão do controle, no edital tem que haver estratégias de investimento em linhas de distribuição. Se vende para quem oferecer mais dinheiro e se comprometer maior número de investimento. Só vender por vender e não estabelecer metas, não é positivo. O Estado tem autoridade e poder para impor objetivos para distribuir malha no estado (território), incluindo a malha residencial. A venda é positiva se assegurar, além de caixa imediato, também um horizonte de investimentos e infraestrutura para o futuro. O momento de exigir é agora. Lembrando que isso é serviço público.


continuar lendo



Deixe seu comentário!

Comentários