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Natal
Saída de cubanos deixa cidades do RN em alerta
Publicado: 00:00:00 - 25/11/2018 Atualizado: 13:56:07 - 24/11/2018
Divulgação/TN
Por trás dos números

Por trás dos números


Aura Mazda
Repórter

Ao longo de oito décadas de vida, Anita Silva, 88 anos, conta nos dedos as vezes que teve um médico em sua cidade. Por três anos, uma médica cubana cuidou da saúde da idosa e de outros 2.665 habitantes de Jardim de Angicos, onde reside com a filha. O município, é um dos 77 no Rio Grande do Norte onde a ausência de 142 médicos cubanos deixa claro o excesso de carência financeira e humana em Atenção Básica de Saúde e falta atenção dos gestores em todas as esferas.

Alex Régis
Em Jardim de Angicos, a unidade está sem médico desde o dia 21

Em Jardim de Angicos, a unidade está sem médico desde o dia 21

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O orçamento apertado para contratar um médico brasileiro, que custa de R$ 10 mil a R$ 20 mil para trabalhar de dois a três dias por semana, de acordo com os gestores das cidades interioranas, é a maior barreira para colocar os profissionais à disposição. Aderir ao programa “Mais Médicos” é visto como uma solução que desonera a folha de pagamento das cidades. O programa foi lançado em 2013 pela então presidente Dilma Rousseff para levar médicos estrangeiros a regiões pobres e rurais do Brasil, já que na época os médicos brasileiros optavam por não se candidatar a essas vagas.

A reportagem da TRIBUNA DO NORTE percorreu algumas cidades afetadas pela saída dos cubanos para mostrar o cenário da população e dos gestores. A decisão do governo cubano em retirar médicos do Brasil, vai impactar a vida das famílias, desde gestantes que fazem o pré-natal semanalmente em postos de saúde, idosos hipertensos que fazem acompanhamento semanal nas unidades básicas até crianças com doenças “comuns” para a idade. Em alguns casos, as unidades sem médico terão o atendimento suspenso até a contratação de um brasileiro.

Nas unidades localizadas no bairro Vertentes, em Assu, cidade distante 213 quilômetros de Natal,  a chegada de dois médicos cubanos foi um alento para a população, que começou a ter atendimentos todos os dias da semana, nos dois turnos. Antes, o atendimento ocorria durante três dias. A cidade tem 58 mil habitantes, de acordo com o último censo do Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE). A gestora da Unidade Básica de Saúde (UBS) do bairro, Rosângela Ribeiro, alertou para a gravidade da falta de profissionais em um dos bairros mais carentes de Assu. “Vai ficar muito  complicado”, disse.

Em Jardim de Angicos, onde nasceu Alzira Soariano, há 121 anos, distante 110 quilômetros de Natal, a presença de uma médica vinda de Cuba significou transformações na vida da população, e da saúde pública cidade. Na unidade de saúde localizada na praça que leva o nome da primeira prefeita da América Latina, o espanhol da médica não foi um barreira com os moradores do local.

Entre abraços e choro, a profissional se despediu dos pacientes que foram até a Unidade Básica de Saúde na terça-feira (20). Na noite anterior, recebeu um comunicado de que não poderia exercer a profissão em solo brasileiro. Em lágrimas, a diretora da UBS, Margarida Soraya Bezerra desejou os melhores votos de sorte para a médica que estava na cidade desde março de 2016.

“A gente sabia que ela teria que ir embora um dia, mas não dessa forma. Aqui, ninguém nunca teve dúvidas do quanto ela é competente”, lamentou a gestora, que ainda não sabia como daria a notícia de que a população ficaria sem médico a partir da quarta-feira   (21).

A saída dos 142 médicos cubanos que prestavam serviços no RN vai afetar de forma mais séria as cidades de Bodó, Coronel João Pessoa, Jardim de Angicos, Lagoa de Velhos, São Francisco do Oeste, Taboleiro Grande, Timbaúba dos Batistas, Venha-Ver e Vila-Flor. Ao todo, se somadas as populações das cidades, conforme o que consta no site do IBGE, em torno de 29 mil potiguares deverão ficar sem médicos na atenção básica, segundo informações divulgadas pelo Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde (Conasems).


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