'Saída de Temer seria solução menos traumática'

Publicação: 2017-05-19 00:00:00 | Comentários: 0
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"Incerteza" foi a palavra que definiu o clima nos negócios durante todo o dia. Na percepção de analistas, a saída espontânea do presidente seria a maneira mais rápida e menos traumática de resolver a crise. O anúncio de Temer, de que ficaria no cargo, frustrou essas expectativas.

Na avaliação de economistas e analistas das corretoras, o mercado entende que o governo "acabou" e Temer perdeu condições mínimas de permanecer no cargo com força suficiente no Congresso para aprovar as reformas de que o País precisa, como a trabalhista e a da Previdência.

"O nervosismo de hoje (ontem) foi só o começo. Enquanto não se perceber uma saída para a crise política, o mercado ficará ao sabor das notícias de boatos. Nesse contexto, o investidor não toma decisões, assume postura defensiva e o Brasil vai parar", analisa Gustavo Loyola, ex-presidente do Banco Central e sócio da Tendências Consultoria. "Quanto mais tempo o governo prolongar essa fase agônica, pior. O mínimo que se espera é uma solução constitucional, para que o País caminhe até 2018."

O economista lembra que, ainda que o mercado não desse como garantida a aprovação de reformas, os preços dos ativos refletiam otimismo. "Os últimos acontecimentos são uma ducha de água fria. Qualquer que seja a solução constitucional adotada, é preciso garantir que haverá clima político para retomar as reformas antes que o novo governo assuma o Planalto, em 2019."

"O discurso de Temer não contribuiu para reduzir esse cenário, uma vez que não ficaram claros nem mesmo os motivos da sua decisão de não renunciar", disse Leandro Martins, analista da Nova Futura. Segundo ele, a melhora de alguns papéis ao longo do dia mostra que há investidores olhando oportunidades para o médio prazo.

"O lado bom é que tanto a Bolsa quanto o dólar tinham subido demais nos últimos meses. Esse efeito político extremo acaba forçando uma realização maior", diz André Perfeito, da Gradual Investimentos.

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