Salim Mattar aponta motivos da saída do cargo

Publicação: 2020-08-13 00:00:00
Brasília (AE) - Após pedir demissão, o ex-secretário especial de Desestatização, Desinvestimento e Mercado Salim Mattar, disse que deixa o cargo por sentir que o resultado do seu esforço versus o resultado alcançado nos 20 meses de governo foi negativo. Ele destacou que os processos de desinvestimentos e privatizações alcançaram R$ 150 bilhões no período, ante uma meta de R$ 1 trilhão colocada pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, para os quatro anos de governo.

saiba mais

"Tive apoio total e irrestrito do ministro Paulo Guedes e do presidente Jair Bolsonaro. Mas tudo no governo é muito lento, há um arcabouço jurídico complexo montado para preservar o tamanho do Estado. Cerca de 15 instituições precisam dar parecer sobre as venda de empresas estatais, é uma via crucis", afirmou, em entrevista à Globo News. "Prefiro sair do governo a me adaptar a essa lentidão do Estado", completou, dizendo que deve focar sua atuação agora na promoção dos valores liberais.

Mesmo assim, Mattar considera que deixou a modelagem pronta para a continuidade dos processos de privatizações por quem o substituir na secretaria especial. "Montei um pipeline para próximas desestatizações, quem me substituir terá condições para tocar esse processo. Será fácil continuar", acrescentou.

Mattar disse que o ritmo de privatizações pode ser acelerado, mas reclamou de dificuldades em convencer os ministros aos quais algumas estatais estão subordinadas. 

O ex-secretário não jogou a culpa da lentidão das privatizações no Congresso. "O Congresso deve aprovar capitalização da Eletrobras em 30 ou 60 dias, o Parlamento está sendo responsável. A decisão sobre privatizações é política, do Congresso e do Planalto", afirmou.

O ex-secretário disse ainda que não pretende reassumir a direção de suas empresas. "A Localiza, por exemplo, cresceu mais quando eu saí do que vinha crescendo quando eu estava lá. Isso mostra que tivemos um robusto processo de sucessão, que avançou nas empresas nesse período. Não vou voltar para minhas empresas, vou trabalhar com institutos para promover as ideias liberais", afirmou. 

Ontem, após a debandada ocorrida na terça-feira, 11, no Ministério da Economia, o presidente Jair Bolsonaro publicou uma mensagem no Facebook, na manhã de ontem, para reforçar o compromisso com "a responsabilidade fiscal e o teto de gastos". Ele justificou a agenda desenvolvimentista dizendo que, em um orçamento cada vez mais curto, "é normal os ministros buscarem recursos para obras essenciais". Bolsonaro também escreveu que "o presidente e os ministros continuam unidos".