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Natal
Samu quer investigação de trotes
Publicado: 00:00:00 - 18/11/2016 Atualizado: 21:50:37 - 17/11/2016
Marcelo Filho
repórter


O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu Natal) realiza levantamento com quantitativo de trotes registrados pela central do 192 em 2016. Após consolidar os números dos primeiros doze meses, o Samu deverá entregar os dados à Polícia Civil para fins de investigação. O objetivo é identificar os responsáveis para que respondam pelos falsos chamados, conforme previsto no artigo 340 do Código Penal. De janeiro até ontem (17), o Samu Natal contabilizou 2.406 trotes, uma média de 4,47% dentre todos os chamados feitos por mês.
Índice de trotes é considerado alto levando-se em conta o tempo perdido das equipes e o congestionamento das linhas telefônicas
Embora a média mensal pareça pequena, os transtornos são grandes às equipes que se deslocam para a falsa ocorrência. Para a coordenadora do Samu Natal, Cecília Karla Picinin, a quantidade registrada até o momento é “altíssima”. Para se ter uma ideia, um mesmo número de celular foi identificado 33 vezes em outubro dentre as ocorrências de trote.

Como consequência, outras pessoas que realmente necessitem dos serviços de atendimento de urgência podem correr sérios riscos, na medida em que os trotes congestionam as linhas da central de atendimento. Em alguns casos, a descrição das ocorrências são tão verossímeis que até mesmo os médicos que encaminham as ambulâncias conforme cada ocorrência, são convencidos dos relatos.

Os dados passaram a ser tabelados após denúncias feitas pelas telefonistas da central de atendimento à coordenação do Samu Natal, em que apontavam a elevada recorrência do uso indevido das ligações. “O trote sempre foi um incômodo para o Samu. Antes, os números das chamadas não eram identificados, nosso próprio sistema não exigia. Agora, convocamos as telefonistas para treiná-las e orientá-las sobre a identificação. Baseado nesse levantamento iremos tomar providências”, explica a coordenadora do Samu Natal, Cecília Karla Picinin.

Além dos transtornos ocasionados a quem depende do Samu, o reflexo dos trotes também atinge o contribuinte que mantém o serviço. “Isso é ruim porque o município é quem paga pelas ligações. A linha 192 é gratuita apenas para quem liga. É uma incidência alta para uma despesa que não leva à nada. Nesse sentido, vamos pedir apoio às forças de segurança. O ideal é que a gente encaminhe os números que mais passam trote ao Samu para identificar os responsáveis”, afirma Cecília Picinin. A infração está prevista no artigo 340 do Código Penal (crime de falsa comunicação), que prevê pena de detenção entre um a seis meses ou multa.

Como se não bastasse as falsas comunicações de ocorrências, algumas das ligações são efetuadas, durante as madrugadas, por homens que se aproveitam do fato da central de atendimento ser composta, em sua maioria, por mulheres, para proferirem obscenidades. Um claro desrespeito à atividade profissional. “Isso é constrangedor e ruim, porque há um desgaste das funcionárias. As ligações do Samu envolvem uma tensão muito grande. Durante o plantão, as telefonistas estão ouvindo, o tempo todo, relatos de tragédias”, disse a coordenadora do Samu Natal.

No entanto, durante o dia, é comum a participação de crianças nos trotes. De acordo com Cecília Picinin, esse público é o mais apontado pelas atendentes. Diante disso, o Samu Natal, através do Núcleo de Educação Permanente (NEP), desenvolve o projeto Samuzinho, que se volta à conscientização dos pequenos em escolas públicas e particulares. Dentre as atividades, estão apresentações teatrais e aulas sobre a importância do trabalho dos socorristas, como identificar casos de urgência e sobre os prejuízos ocasionados pelas falsas comunicações.

“O retorno que temos do projeto é positivo. Já registramos ações bem sucedidas de crianças que tiveram a iniciativa de ligar para o 192 e descrever a ocorrência sem complicações. Os professores também podem adotar essa inciativa espontânea de conscientização”, disse Cecília Picinin. As escolas interessadas em levar o projeto Samuzinho, podem entrar em contato com o NEP através dos números 3232-9211 ou 3232-9222, falar com Rogéria.

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