Santa Luzia, iluminai sua Mossoró

Publicação: 2019-12-11 00:00:00
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Elviro Rebouças
Economista e empresário

Santa Lúcia de Siracusa (nascida em 283 e morta  304 depois da era cristã), mais conhecida por Santa Luzia (santa de luz), segundo a tradição da Igreja Católica, foi uma jovem siciliana, ¬¬de Siracusa, na Itália, venerada pelos católicos como virgem e mártir cristã, que, segundo conta-se, morreu durante as perseguições de Diocleciano. Na antiguidade, juntamente com Santa Cecília, Santa Águeda e Santa Inês, a veneração a Santa Lúcia foi das mais populares e, como as primeiras, tinha ofício próprio. Chegou a ter vinte templos só em Roma dedicados ao seu culto. Santa Luzia, como se lê nas Actas, pertencia a uma família rica de Siracusa. A mãe dela, Eutíchia, ficou viúva e havia prometido dar a filha como esposa a um jovem concidadão. Luzia, que tinha feito voto de se conservar virgem por amor a Cristo, obteve que as núpcias fossem adiadas, também porque a mãe foi atingida por uma grave doença.

Devota de Santa Águeda, a mártir de Catânia, que vivera meio século antes, Luzia quis levar a mãe enferma em visita ao túmulo da Santa. Desta peregrinação a mulher voltou perfeitamente curada e por isso concordou com a filha, dando-lhe licença para seguir a vida que havia escolhido; consentiu também que ela distribuísse aos pobres da cidade os bens do seu rico dote. Por este motivo Dante Alighieri, na Divina Comédia, atribui-lhe a função de graça iluminadora. É assim a padroeira dos oftalmologistas e daqueles que têm problemas de visão. Os mossoroenses, em primórdios muito antes da elevação para a categoria de município em 1870, dedicam especial devoção à virgem mártir italiana, como sua padroeira.

A primeira edificação no local foi uma capela fundada oficialmente no dia 5 de agosto de 1772, portanto há mais de duzentos e quarenta anos. Na ocasião, o sargento-mor da ribeira do Mossoró, Antônio de Souza Machado, e sua mulher, Rosa Fernandes, receberam autorização para construir uma capela na fazenda Santa Luzia, de sua propriedade. Em 13 de julho de 1801, Rosa Fernandes, já viúva, doou o patrimônio da Capela de Santa Luzia, onde já eram enterrados os mortos, desde 1773. Em 1830 foi feita uma reforma na capela, que recebeu uma imagem de Santa Luzia de Mossoró, em madeira, esculpida em Portugal.

Até 1842, a capela era ligada à freguesia do Apodi. Naquele ano, em 27 de outubro, foi elevada à categoria de igreja matriz. Com o crescimento da cidade, ficou pequena para atender às necessidades da população. Assim, em 24 de março de 1858 iniciou-se a sua reconstrução, no mesmo local. A obra demorou dez anos, e a igreja foi reinaugurada ainda sem a conclusão das torres, que só ficariam prontas em 1910 quando o padre Pedro Paulino Duarte da Silva promoveu na época uma meritória campanha em prol da conclusão das mesmas. Em 28 de julho de 1934, com a criação da Diocese de Mossoró, a matriz de Santa Luzia foi elevada à categoria de catedral diocesana.

Luzia, heroína, virgem e santa tem sido, portanto, há mais de dois séculos o oráculo eficaz dos mossoroenses que a tem como padroeira, intercessora, milagrosa, gloriosa, poderosa e protetora da visão de cada devoto. A  devoção e fé dos mossoroenses, visitantes e romeiros são constatadas durante o ano todo.  Entretanto de 03– com a hasteamento das bandeiras e novenário - a 13 de dezembro – com a procissão aonde se concentram em média 120 mil fiéis, anualmente, é o período marcante de sua festa– traço de união entre a igreja e povo-.

A lembrança que nos chama a evocar os precursores e condutores da santa imagem de Luzia pelas ruas, praças e avenidas e zona rural de Mossoró. E quando falamos em Santa Luzia, vem o natural: “MOSSORÓ COM ALEGRIA SAÚDA SANTA LUZIA” que nos traz a presença inolvidável desse que foi a viga mestra do catolicismo entre nós, o Monsenhor Américo Vespúcio Simonetti, por 29 anos, desde 1980 até sua morte em 05.10.2009, vigário paroquial de Santa Luzia. Monsenhor Américo, o incansável, o virtuoso, trabalhou com afinco como Vigário Geral de toda diocese, ao Cáritas para os pobres, idealizador da Rádio Rural para expandir a comunicação da doutrina e da evangelização, dos movimentos eclesiais de base, com foco para a educação. O hino oficial de Santa Luzia nos remete sempre ao “Virgem-mártir, invicta heroína, intercede por nós ao Senhor e nas lutas da vida presente dá-nos forças, alento e ardor”.