Sargento conta como foi ação na frente do Midway Mall

Publicação: 2010-12-22 00:00:00 | Comentários: 6
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Ciro Marques - repórter

O sargento da Polícia Militar, Emanuel Flor, ajudou na manhã de ontem a esclarecer a ação policial que resultou nas mortes do soldado Márcio do Nascimento Costa, de 32 anos, e do jovem Diego Nascimento dos Santos, 23, ocorridas no último sábado, após uma troca de tiros na frente do shopping Midway. Ainda se recuperando do tiro que sofreu na coxa direita, o policial afirmou que ainda não foi chamado para prestar depoimento e que não sabe se volta para as ruas, devido ao trauma que sofreu na ocorrência. Em relação à arma utilizada por Diego, o sargento afirmou que “só a perícia vai apontar de quem era”.

“Estava fazendo o patrulhamento de rotina quando o motorista do ônibus cortou luz e pedimos para que ele parasse. Perguntamos qual era o problema e ele contou que esse Diego estava fazendo baderna no ônibus, não tinha pago a passagem e se recusava a descer do transporte”, revelou o sargento. Nessa situação, o policial contou que teve que usar a “força necessária” para que o baderneiro descesse, mas ele, mesmo assim, não desceu.

“Ele falava: ‘não vou descer e quero ver vocês me tirarem daqui se puderem’. Ele só podia estar sob efeito de algum entorpecente ou era louco mesmo. Ninguém em estado normal de consciência iria tentar confrontar policiais militares armados”, afirmou o sargento. Com o auxílio de M. Costa e do outro soldado, que estava como motorista da viatura, mas que foi até à porta do ônibus para ajudar a tirar Diego de lá, o baderneiro desceu.

“Foi nesse momento que ouvi alguém dizendo: ‘a arma caiu’. Quando vi, já foi ele atirando contra mim e, depois, contra M. Costa. Então, saiu correndo e o outro soldado foi atrás e conseguiu pará-lo. Foi tudo muito rápido. A ação não durou 10 segundos”.

No chão depois de ser baleado, o sargento contou que ouviu M. Costa dizendo que havia sido atingido também. “Disse a ele para sentar do meu lado e respirar, porque o socorro estava chegando, mas ele falava: ‘sargento, não estou bem’. Depois disso, fui levado para o (hospital) Walfredo Gurgel e lá recebi a notícia que ele havia morrido”.

Em quase 19 anos de Polícia Militar, o sargento contou que jamais tinha passado por algo desse tipo e agora não sabe se vai voltar para a patrulha nas ruas. “A PM perdeu um grande policial, e perdi um grande amigo. Não sei se volto. Fiquei muito abalado”, declarou.

bate papo - Emanuel Flor » Sargento da PM

Como está sua recuperação?

Tenho que trocar o curativo da coxa (direita) todos os dias e nem uma muleta eu tenho para andar. Não estou conseguindo firmar a perna no chão. Fora isso, estou bem. Não precisei passar por cirurgia, porque a bala entrou e saiu.

E o trauma de ver o colega morrer, é grande?

Muito. Tenho quase 19 anos de Polícia e nunca tinha passado por isso. M. Costa era meu amigo, trabalhava com ele há quase um ano. Era um policial exemplar. Estou muito sentido. Ainda mais, porque pela forma como aconteceu, poderia ter sido eu.

Afinal, de quem foi a arma que caiu? A sua, a de M. Costa ou Diego estava armado?

Não sei. Só a perícia vai poder apontar.

Você já prestou depoimento?

Ainda não, mas vou prestar. Soube que o motorista do ônibus já foi ouvido. Devo prestar depoimento nos próximos dias.

Como está o outro soldado que estava na ação com vocês?

Fisicamente, ele está bem, mas também abalado psicologicamente.

Diego parecia mesmo  estar fora de si?

Sim. Ninguém normal vai confrontar policiais militares armados como ele fez. Digo mais: ainda bem que ele foi neutralizado porque o incidente poderia ter sido muito maior. Havia muita gente na frente do shopping, outras pessoas inocentes poderiam ter sido baleadas.

O que você espera agora desse caso?

Espero Justiça. Soube que algumas pessoas já quiseram colocar Diego como estudante inocente e que tudo foi resultado da truculência da PM, mas não foi assim. Fui baleado defendendo a sociedade de algo que poderia ser pior. Meu colega morreu do mesmo jeito. Se aquele homem tivesse continuado armado, do mesmo jeito que ele atirou contra a gente, poderia ter matado outras pessoas. Tenho certeza disso. Foi legítima defesa nossa.

Pretende voltar para as ruas?

Não sei. Estou muito abalado. Já tinha participado de troca de tiros, mas nunca tinha sido baleado e nunca tinha visto um amigo meu morrer em ação.

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Comentários

  • duducapistrano

    Situação lamentavel,mas se tivesse havido omissão dos policiais em fazer a abordagem ao ônibus, esse louco teria importunado a vida de várias pessoas até o final de uma viagem1 Não se sabendo ao certo o que ele teria ingerido ou consumido mas numa situação como essa é muito dificil conter uma pessoa com um surto psicótico (podemos dizer com o cão no couro). resumindo: os poicias seriam culpados pela à omissão!

  • jkle32

    Eu so tenho a lamentar a morte do policial que deu sua vida pra defender a sociedade que após isso, ainda não apoia a ação da polícia. So falta agora dizer que os policiais são os culpados de tudo!!.

  • trovaocap

    Pois é, segundo o relato do próprio policial, o desleixo numa abordagem que já estava \"praticamente\" controlada gerou esta ação que culminou com 2 (DUAS) mortes, quem contabiliza as duas e quem contabiliza só uma (a do policial, como eu, por exemplo), não vem ao caso ... o que interessa é mostrar como as cabeças pensantes do país não estão nem aí para nada e agem de acordo com os seus próprios interesses ... sempre ... o tal policial deveria se virar para o tal Ministro do STF e perguntar a ele se, mesmo tendo sido desleixo deles, se ele estivesse algemado ... Teria acontecido esta balbúrdia??? Então, explica aí ... o porquê daquela decisão????

  • antonionid

    Já vi uma vez um sujeito subir no ônibus pela porta de trás (sem pagar) e dizendo que ninguém iria fazê-lo descer. Deve-se ter cuidado com essas pessoas, independentemente de estar drogado ou ser louco por natureza... Acho que houve certa displicência dos PMs com o rapaz perturbado, mas sinto pena pelo PM falecido.

  • ismaelsalles

    O mais correto aí seria usar spay de pimenta no elemento, pois isso o deixaria atordoado eseria fácil de algemá-lo, acontece que a pm/rn não fornece esse equipamento, o policial se quiser tem que comprar, aliás a pm não fornece nenhum equipamento anti -distúrbio que evitaria o confronto pessoal do pm com o bandido. Nas eleições muitos pms foram trabalhar desarmados pois não tinha armas para todo mundo, as poucas que tinham eram RV 38 da década de 40. Lastimável!!!

  • paineto

    Não interessa se o tal Diego era estudante, trabalhador, bom filho ou coisa parecida. Tem que ser analisado a ação dele contra os PMs, pois pegou o revólver do soldado e atirou para matar, portanto nada mais lógico do que ser executado. Afinal o que a sociedade quer? Que se alise um imbecil que está atirando para matar? Toda ação tem uma reação e pronto. Se o mesmo estava drogado ou bêbado e fazendo arruaça então seu caráter era falho, portanto tinha mesmo que ser detido. Se esse Diego não tivesse pego a arma do soldado não teria sido morto, apenas preso, então teve o que merecia.