Se Deus quiser!

Publicação: 2019-08-20 00:00:00 | Comentários: 0
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Vicente Serejo
serejo@terra.com.br

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Pode parecer prosaico, mas o poeta Manuel Bandeira disse há algumas dezenas de anos que o povo é que sabe o português do Brasil. Pois, se é assim, se Deus quiser, a governadora Fátima Bezerra tem na gaveta a certeza de que não precisará de um programa de privatização só para garantir o salário dos seus governados. Tomara. Do contrário, e o ano já alcança os seus meses finais, fechará o primeiro ano sem depositar os salários atrasados dos seus servidores.

O quadro não seria injusto se todos estivessem assim. Mas, estão em dia quatro dos cinco poderes, se consideradas suas poderosas autonomias financeiras, com direito a justos reajustes pelos percentuais da inflação: Legislativo,Judiciário, Ministério Público e o Tribunal de Contas. Com três salários em atraso e todas as incertezas, estão os servidores do Executivo, justamente aqueles que representam cerca de 80% do valor de toda a sua folha de pessoal.

É bom lembrar que quando o então governador Robinson Faria anunciava pagamento para os que percebiam até R$ 4 mil reais, informava, sem contestação, que estava pagando a 82% da folha. Daí saber-se de fonte insuspeita a composição da despesa com pessoal. Tentar por nos ombros dos menos aquinhoados a culpa do déficit é perder a razoabilidade que deve presidir o raciocínio do gestor público. Ir além é praticar a injustiça que em nada credencia. 

Mas, se a governadora dispõe de informações seguras de que pode manter a sua folha em dia, inclusive o décimo-terceiro salário do ano em curso, melhor. Não é esta a perspectiva ou a previsão de todas as fontes do governo. E mesmo que venha a fechar o ano, num cálculo otimista, o que é salutar, pode chegar ao novo ano arrastando praticamente a mesma dívida que recebeu do antecessor. O futuro será tão incerto quanto tem sido nos últimos quatro anos.

Está bem que a governadora Fátima Bezerra tenha como princípio não buscar alienar ativos ou patrimônios do governo. Não trai as suas idéias, pois nunca disse que venderia o que fosse necessário. Mas, seu princípio há de ter um limite, se houver o agravamento da crise. O presidente Jair Bolsonaro declarou que não há dinheiro eque por isso mesmo seus ministros estão apavorados, para usar sua própria expressão. Portanto, não é alarmismo. É um alerta.

Esse é o panorama que se delineia nos olhos da sociedade. Um cenário tenso que não espanta apenas a servidores, mas também aos fornecedores de serviços e materiais essenciais. O executivo já devorou R$ 1 bilhão do fundo previdenciário ao longo dos quatro anos do governo anterior. Não há reservas extraordinárias. Sem o empréstimo e sem a venda da folha ao Banco do Brasil, não há saída. Mas, vale a fala brasileira na sua velha súplica: Se Deus quiser!

ÁRVORES - O designer gráfico Afonso Martins planeja fazer um livro só com fotografias e baseado na frase dura e denunciadora de Câmara Cascudo: “O natalense não gosta de árvores”.

TOCOS -Por enquanto, e para mostrar na prática a frase cascudiana, fez uma exposição só de fotografias de troncos cortados e árvores abatidas. As imagens denunciam a mania perversa.

FROTA - O destrambelho do deputado Alexandre Frota reedita o exemplo clássico da criatura contra o criador. Ele é filho legítimo do PSL, o partido de Jair Bolsonaro. Alexandre é Frota!

QUEIXA - Veja, Mardone, como se cai na senilidade: além de confundir você com Margones, que mora em Paris, achei pouco e mudei o nome. Professor, acredite: o querer bem é o mesmo.

GLÓRIA - A réplica da escultura do cavalo de Leonardo Da Vinci - está em Paramirim - idéia de Diógenes da Cunha Lima, terá uma miniatura na exposição dos 500 anos do gênio italiano.

ONDE -A exposição vai ser na Biblioteca Nacional, no Rio, e tem como seu curador o poeta Marcos Luchesi, presidente da Academia Brasileira Letras. De Parnamirim direto para a glória.

HERANÇA - Os amigos perdem a convivência com o procurador Werner Hackradt, mas dele herdarão o legado do seu grande bom humor. Ele sabia conviver com o açúcar e o sal da vida.

GRIFE - Do profeta do Grande Ponto olhando a cena do poder petista, já sabendo de uma certa decepção com um secretário: “A única coisa inabalável do governo é o diadema de Fátima”.

LUTA - A representação do Instituto Nacional do Patrimônio Histórico notificou o Instituto Histórico pedindo informações sobre a instalação de um sistema de captação fotovoltaica na sede da instituição para a geração de energia que possa atender à demanda do seu consumo.

CERTO - É apenas uma notificação, até agora, afinal trata-se de edificação tombada e exige projeto prévio para sua aprovação. Resta saber se há solução técnica viável. A busca de energia limpa é, por si só, justificável, mas não pode ser uma decisão sem acompanhamento técnico.

ANTES - O Instituto já sofreu interdição do Iphan quando das adaptações internas para a instalação das estantes de aço da biblioteca, um equipamento considerado indispensável. Mas, intervir sem acompanhamento do Patrimônio, em prédio tombado, não é o melhor caminho.




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