Seca reduz poder econômico no RN

Publicação: 2019-01-01 00:00:00 | Comentários: 0
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No Rio Grande do Norte, dos 167 municípios que o formam, 147 estão no Semiárido. Isso corresponde a 88,02% das cidades potiguares. Nelas estão 1,9 milhão de habitantes, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene). O Semiárido tem duas características marcantes: a baixa precipitação média anual e a elevada variabilidade espaço-temporal da precipitação. Nos últimos sete anos, o Estado sofreu com o que foi caracterizado como a pior seca da história.

Operação Vertente abastece a zona urbana das cidades em colapso; o Exército cuida do abastecimento na zona rural. As situações mais críticas são nos açudes de
Operação Vertente abastece a zona urbana das cidades em colapso; o Exército cuida do abastecimento na zona rural. As situações mais críticas são nos açudes de

Em setembro do ano passado, o Governo do Rio Grande do Norte renovou pela 11ª vez consecutiva o decreto de “Situação de Emergência por Seca” em 152, dos 167 municípios. Ao longo dos 11 decretos, o Estado acessou R$ 16 milhões em recursos federais para adotar ações de enfrentamento da seca, principalmente, o abastecimento de água por carro-pipa.

O Decreto nº 28.325 publicado no Diário Oficial do Estado e tem validade de 180 dias. O documento destacou os prejuízos acumulados pelo segmento agropecuário, cerca de R$ 4,3 bilhões ao longo do período de estiagem; e traz a informação de que à época, oito reservatórios estavam em volume morto e outros três completamente secos entre as 47 barragens e açudes monitorados pelo Instituto de Gestão das Águas do RN (Igarn).

Uma das funções do decreto que determinou a “Situação de Emergência por Seca” é reduzir a burocracia para acelerar obras e realizar ações para amenizar a falta de água. Entre as medidas estruturantes, à cargo da Semarh e da Companhia de Águas e Esgotos do RN (Caern), está a implantação da adutora emergencial que leva água de Serra Santana até Caicó, e a construção de poços. O abastecimento de localidades com caminhões-pipa faz parte das ações emergenciais, e estão à cargo da Defesa Civil Estadual, órgão vinculado ao Gabinete Civil, e do Exército Brasileiro: enquanto o Governo do RN é responsável pela Operação Vertente, que abastece a zona urbana das cidades em colapso; o Exército cuida do abastecimento na zona rural.

Reservatórios
Dados atualizados pelo Instituto de Gestão das Águas do Rio Grande do Norte (Igarn) no dia 27 de dezembro de 2018 mostra 15 reservatórios entre secos ou em volume morto. Estão secos nove açudes: Açude Marechal Dutra (Gargalheiras), o quarto maior do Estado; Dourado, em Currais Novos; Cruzeta, localizado na cidade homônima; Japi II, em São José do Campestre; Trairi, em Tangará; Inharé, em Santa Cruz; Santa Cruz do Trairi, em Santa Cruz; Santana em Rafael Fernandes e Esguicho, em Ouro Branco. Em volume morto, Passagem das Trairas, São José do Seridó; Itans, em Caicó; Bonito II em São Miguel; Pau dos Ferros; e Pilões.

As situações mais críticas são nos açudes de Dourado, Cruzeta e do  Gargalheiras. Eles são responsáveis, respectivamente, pelo abastecimento humano nas cidades de Currais Novos, Cruzeta e Acari. O açude Pau dos Ferros também é o responsável direto pelo abastecimento das cidades vizinhas à Pau dos Ferros, localizado na região do Alto Oeste, como São Francisco do Oeste, Francisco Fernandes, Rafael Fernandes, Marcelino Vieira, Serrinha dos Pintos e Antônio Martins. Atualmente, a população dessas cidades precisam ser abastecidas por água de poços, adutoras e pela operação Vertente, do Governo do Estado.

De acordo com o último relatório emitido pela Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (Caern), nove cidades encontram-se em colapso de abastecimento no Rio Grande do Norte atualmente. São elas: João Dias, Paraná, Pilões e São Miguel, todas na região do Alto-Oeste potiguar, e a cidade de Cruzeta, no Seridó. Outras 90 cidades encontram-se em situação de rodízio hídrico, situação que não deve melhorar até o início da quadra chuvosa do Estado.

El Nino
O  fenômeno El Niño, que atinge seu pico máximo entre os meses de dezembro e janeiro de 2019, deve provocar um verão ainda mais quente. Ao passo em que alguns especialistas têm demonstrado preocupação em relação em relação a uma possível diminuição de chuvas no período do inverno no Nordeste, o setor de meteorologia da Empresa de Pesquisas Agropecuárias do RN (Emparn), acredita que o fenômeno está oscilando entre fraco e moderado, e ainda é cedo para afirmar se terá impacto sobre o período de chuvas no Estado.

Para Gilmar Bristot, chefe do departamento de meteorologia da Emparn, a expectativa é de uma pré-estação chuvosa com boas chuvas para o Nordeste. "Ele não está atuando de forma significativa ao ponto de prejudicar as chuvas aqui no Nordeste. Podemos esperar uma pré-estação chuvosa quente e com boas chuvas, e um início de chuvas em meados de março próximas à normalidade", afirma. Em algumas áreas, como o centro-leste do Estado, a expectativa é de que as chuvas estejam, inclusive, acima da normalidade.

O El Niño é um fenômeno climático global, no qual as águas superficiais do Oceano Pacífico aquecem, especialmente na faixa Equatorial. No Brasil, a influência do El Niño acontece principalmente com o aumento das chuvas na região Sul e redução das chuvas em parte das regiões Norte e Nordeste. O fenômeno tem sido discutido por especialistas no país, em especial em função da seca que há seis anos castiga os estados da região Nordeste do país.

"Esse El Niño que está acontecendo agora não está em fase de atividade solar. A atividade solar está em baixa e, por isso, não teria condição de termos um El Niño com atividade muito intensa aqui no Nordeste. Por isso continuamos achando que, a princípio, as chuvas devem vir dentro da normalidade", reforça Gilmar Bristot.

Números
11 decretos consecutivos de situação de calamidade foram editados no Rio Grande do Norte nos últimos sete anos de seca

152 dos 167 municípios do RN estão em situação de calamidade

16 milhões de reais foram transferidos pela União ao RN, no decorrer dos 11 decretos, para adotar ações de enfrentamento da seca, entre elas, o abastecimento de água por carro-pipa


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