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Seca tem maior recuo em seis anos no Rio Grande do Norte
Publicado: 00:00:00 - 28/06/2020 Atualizado: 11:17:13 - 28/06/2020
Ícaro Carvalho
Repórter

Os longos períodos de seca que castigaram o semiárido nordestino nos últimos anos aparentam dar uma trégua ao povo potiguar. Apresentando bons índices de chuva em 2020 e reservatórios com bom armazenamento de água, o norteriograndense se vê mais tranquilo com relação a um dos principais problemas enfrentados pelo RN nos últimos 10 anos: a seca. Durante os últimos três meses, que incluiu a chegada da pandemia do novo coronavírus, o Monitor das Secas, desenvolvido pela Agência Nacional de Águas (ANA), apontou os melhores índices de recuo da seca no RN desde julho de 2014. Em maio de 2020, o RN apresentou seu melhor percentual em seis anos: 57,44% do território potiguar, segundo os dados da ANA, estão fora da área de seca.

DroneKCN/Carlos Junior
O reflexo direto do récuo da seca no Rio Grande do Norte está nas reservas hídricas, que estão recuperando seu manancial. A barragem Armando Ribeiro atingiu patamar de 66 por cento de água armazenada

O reflexo direto do récuo da seca no Rio Grande do Norte está nas reservas hídricas, que estão recuperando seu manancial. A barragem Armando Ribeiro atingiu patamar de 66 por cento de água armazenada


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O número é referente a maio de 2020 e é de longe o melhor cenário vivido pelo Rio Grande do Norte desde que a situação passou a ser monitorada pela ANA, que também analisa os outros oito estados do Nordeste, Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Tocantins. Os dados positivos do RN sem seca vêm sendo uma constante a partir de fevereiro e não pararam de subir. No mês de março, o índice de território potiguar sem seca era de 31.9%. Em abril, o número já saltou para 49,82%, alcançando os 57,44% em maio. Para se ter uma ideia, os melhores índices registrados, antes de 2020, haviam sido em julho de 2014 (27.27%) e 2015 (24.69%) e abril de 2019 (23,21%).

Os índices de “Seca Fraca” no RN, segunda categoria no ranking do Monitor das Secas, também caíram consideravelmente durante a pandemia do novo coronavírus. Entre março e maio, o dado despencou de 68,1% para 42,56%.
 
Criado em 2014, o Monitor das Secas une dados de diversos segmentos para “dar o retrato da seca atual mais completo possível”. São reunidos números e índices meteorológicos, hidrológicos e agrícolas para se chegar aos índices de seca, que são definidos em cinco categorias: Seca Fraca, Moderada, Grave, Extrema e Excepcional. Essas categorias descrevem os impactos da seca nas lavouras, na disponibilidade de agua, nas pastagens, entre outros. 

Criação
Monitoramento das secas feito pela ANA mostra redução da área de seca no Rio Grande do Norte e estados do Nordeste

Monitoramento das secas feito pela ANA mostra redução da área de seca no Rio Grande do Norte e estados do Nordeste


“Esse dado é um índice, calculado levando-se em conta várias variáveis como evapotranspiração, vegetação, temperatura, etc. Esse índice é calculado e especializado, então, calculada a área de cada categoria. Como choveu bem, e a chuva é a principal variável climática no Nordeste, o peso dela é maior, dando esse resultado”, aponta Gilmar Bristot, chefe da unidade de meteorologia da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (Emparn). 

De acordo com dados da Emparn, entre fevereiro e maio de 2020, a média de precipitações no Rio Grande do Norte foi de 602,4 milimetros. O índice superou a quantidade esperada e prevista pelos meteorologistas potiguares, que era de 526,2. Todas as mesorregiões do Estado tiveram registros acima do previsto, com destaque para a região Oeste, que registrou soma de 718,4 milímetros. Segundo ele, a avaliação das chuvas em 2020 é analisada em três aspectos: as condições hídricas dos açudes, as condições agrícolas e a pluviometria.

“Na pluviometria, nós tivemos um ano em que os índices ficaram acima do normal. O índice ficou em torno de 15 a 16% acima do normal. A previsão desde dezembro que vínhamos divulgando que teríamos um ano de 2020 de normal acima do normal e foi o que aconteceu”, completa o meteorologista da Emparn. 

“A questão agrícola nós analisamos se houve ou não ocorrência de veranicos, que são períodos de cinco a dez dias sem chuvas dentro do período chuvoso. Se acontecer pode trazer prejuízos para o desenvolvimento da agricultura. Não observamos veranicos significativos capazes de inviabilizar o desenvolvimento das culturas. Todas as culturas feitas, colocadas no campo desde janeiro a março, não faltou água para o desenvolvimento. Tivemos alguns pequenos de dois a três dias, mas não foi generalizado”, completou.

Confira as fotos de reservatórios do interior do RN livres da seca



Dados do monitor de secas 

Área sem seca no RN em 2020
Maio: 57,44% 
Abril: 49,82%
Março: 31,9%
Fevereiro: 12,47%
Janeiro: 0

Seca fraca no RN em 2020
Maio: 42,56%
Abril: 50,18%
Março: 68,1%
Fevereiro: 87,53%
Janeiro: 100%



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