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Secretaria de Saúde alerta sobre subnotificação de casos de sífilis no RN
Publicado: 10:05:00 - 06/10/2020 Atualizado: 12:44:16 - 06/10/2020
Gestores da saúde do Rio Grande do Norte estão preocupados com a subnotificação de casos de sífilis causada pela pandemia de covid-19. A oferta de testes rápidos, nos serviços de saúde, teve considerável redução em todas as regiões de saúde do estado desde o início da pandemia.

“Este fato é preocupante uma vez que a sífilis é considerada uma epidemia em virtude do número de casos elevados e o não diagnóstico e tratamento oportunos implicam em riscos à saúde além de promover a manutenção da cadeia de transmissão da doença. Considerada uma infecção bacteriana sistêmica, crônica, curável, a sífilis é exclusiva do ser humano”, explica Juliana Soares, responsável técnica pelo Programa Estadual de IST, AIDS e Hepatites Virais.

Reprodução
Até abril foram notificados 1.401 casos no estado

Até abril foram notificados 1.401 casos no estado


De acordo com Juliana, um fator que chama a atenção é a existência de municípios silenciosos, ou seja, os que não notificaram casos de sífilis durante os oito primeiros meses de 2020, mas que a ocorrência da doença é sabidamente conhecida e tem alta prevalência nos territórios.

Segundo o Programa Estadual de IST/AIDS e Hepatites Virais, de janeiro a abril de 2020 foram notificados 505 casos de sífilis adquirida, 589 casos de sífilis em gestantes e 307 recém nascidos, que adquiriram a sífilis congênita por meio da transmissão vertical (de mãe para o bebê).

“A partir de março de 2020, foi percebida uma redução significativa na realização de testagem para sífilis nas gestantes e nas parcerias sexuais em todas as regiões de saúde do estado. Com o retorno gradual do funcionamento dos serviços de saúde, em julho, percebeu-se um discreto incremento na realização de testes rápidos em algumas regiões do estado. É importante frisar que a sífilis é uma epidemia e que as ações de enfrentamento a esta doença precisam ser permanentes”, ressalta Juliana.

Transmissão, diagnóstico e tratamento

As principais vias de transmissão da sífilis são contato sexual sem preservativo e a transmissão vertical (da mãe para o bebê durante a gestação). O diagnóstico é feito principalmente pelos testes rápidos, considerados práticos e de fácil execução. “Eles têm a vantagem de serem realizados no momento da consulta, em geral, em 30 minutos sai o resultado e possibilita o tratamento imediato. Os testes rápidos são gratuitos e estão disponíveis nos serviços públicos de saúde”, explica Juliana Soares. A benzilpenicilina benzatina (penicilina) é o principal medicamento utilizado no tratamento.

Como não existe vacina contra a sífilis e a infecção não confere imunidade protetora, as pessoas podem ser reinfectadas, o que torna a prevenção ainda mais importante. “Essa doença ainda representa um problema de saúde pública de grande relevância, pois quando não tratada precocemente, pode evoluir para uma enfermidade crônica e comprometer vários órgãos do corpo, com sequelas irreversíveis em longo prazo”.

A maioria das pessoas com sífilis são assintomáticas; quando apresentam sinais e sintomas, muitas vezes não os percebem ou valorizam, e podem, sem saber, transmitir a infecção as suas parcerias sexuais. Quando não tratada, a sífilis pode evoluir para formas mais graves, comprometendo especialmente os sistemas nervoso e cardiovascular. Na gestação, a sífilis pode apresentar consequências severas como abortamento, parto prematuro e o óbito do bebê.





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