SEEC teme aumento na evasão escolar por causa da pandemia

Publicação: 2020-09-25 00:00:00
Com o objetivo de mapear os alunos que estão fora das salas de aula e trazê-los de volta para a rede escolar, o Governo do Estado do Rio Grande do Norte aderiu ao programa Busca Ativa Escolar, em parceria com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e a União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime). Apesar do número de matrículas na rede estadual ter crescido de 208 mil para 217 mil desde o início da pandemia, os gestores se preocupam com o acompanhamento do ensino não-presencial pelos estudantes e com as condições específicas criadas pela pandemia que podem afastá-los da escola.

Créditos: Adriano AbreuGoverno do Estado assinou parceria com a Unicef e com a Undime para atuar na busca ativa de alunos, contra aumento da evasãoGoverno do Estado assinou parceria com a Unicef e com a Undime para atuar na busca ativa de alunos, contra aumento da evasão

O programa Busca Ativa Escolar permite reunir, em uma única plataforma, informações produzidas pelos municípios. Dessa forma, será possível identificar quais as principais causas da evasão escolar, os territórios mais vulneráveis e como o Estado poderá intervir para mudar essa realidade. De acordo com o secretário estadual de Educação, Getúlio Marques, cada escola terá uma pessoa responsável pela busca ativa dos alunos.

“Além disso, tem uma coordenação geral no Estado e as coordenações municipais. Com isso, vamos poder identificar as causas desse possível abandono e as melhores formas de intervir", explicou.

A questão da “intervenção", inclusive, é um ponto importante de acordo com Getúlio Marques. É por isso que a Secretaria de Estado da Educação, da Cultura e do Lazer (SEEC/RN) não deverá integrar o projeto isoladamente, mas em conjunto com a Secretaria de Estado do Trabalho, Habitação e Assistência Social (Sethas) e a Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap). 

“Esse aluno é identificado e georeferenciado, porque as escolas possuem a lista dos endereços. Dessa forma, o assistente social ou o agente de saúde poderá ir fazer uma visita para entender melhor qual é a situação desse aluno e qual é a melhor forma de trazê-lo de volta, resolvendo o problema existente se possível", afirmou Getúlio Marques.

De acordo com o secretário, a adesão do Estado ao programa já era pensada desde antes da pandemia, mas o novo cenário, com atividades não-presenciais, reforçaram a necessidade de adesão ao projeto. “Muitos alunos têm dificuldade em acompanhar as atividades não-presenciais e, ao identificar que vai mal nas avaliações, acaba se sentindo desestimulado a continuar. Esse foi um dos motivos que tornaram ainda mais importante esse trabalho, porque uma das nossas prioridades enquanto gestão é a questão da inclusão escolar", destacou o gestor.

Dificuldade
A dificuldade em acompanhar as aulas podem ser identificadas em números. De acordo com os dados da SEEC/RN, 70% dos 217 mil alunos da rede de Educação estão conseguindo acompanhar as atividades não-presenciais. Esse número cai para 50% quando se leva em consideração a responsividade dos estudantes às atividades. 

Outra questão que será acompanhada de perto pela Secretaria, de acordo com Getúlio Marques, foi o crescimento de matrículas observado durante a pandemia. “Nós costumamos ter um acréscimo de 3 a 4 mil alunos no máximo após o início do ano letivo”, comentou o titular da SEEC/RN. 

Com a pandemia, no entanto, foram 9 mil novos alunos matriculados na rede estadual. “Acreditamos que parte seja decorrente da pandemia. O nosso sistema ainda está sendo aprimorado para descobrir por que esse aluno chega depois, mas é possível avaliar que uma parte com certeza veio pelas questões econômicas provocadas por esse momento", relatou. De acordo com o secretário, a expectativa é de que os primeiros levantamentos fruto da Busca Ativa Escolar possam ser visualizados em outubro. “A partir daí, vamos poder ter diagnósticos mais precisos sobre a nossa rede”, declarou. 

SME Natal fará monitoramento
Na rede municipal de educação de Natal, a Prefeitura afirmou que ainda não é possível mensurar a evasão escolar, tendo em vista que o dado é efetivado apenas depois do encerramento do ano letivo.

Apesar disso, a Secretaria Municipal de Educação de Natal (SME Natal) disse que pretende fazer o mapeamento da situação de retorno dos estudantes à rede, a partir da Comissão Intersetorial para Criação de Protocolos para Retorno das Atividades Escolares da Rede Municipal de Ensino. 

Em nota, a SME Natal informou que, até o momento, a capital registrou tanto transferências para a rede privada ou outros municípios (180) como novas matrículas (217) desde que a Organização Mundial de Saúde (PMS) declarou a covid-19 uma pandemia, em meados de março passado. Os números, entretanto, estão “dentro da normalidade levando-se em conta a dinâmica de movimentação de estudantes observada anualmente”.