Segunda Guerra Mundial: Caminho da revitalização

Publicação: 2019-10-16 00:00:00 | Comentários: 0
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Cassiano Arruda


Revitalização, no âmbito do urbanismo e do planejamento urbano, é a requalificação de áreas abandonadas ou semidestruídas de alguma cidade ou local que anteriormente impossibilitavam a ocupação residencial ou comercial. Lugares no Brasil que já passaram por um processo de revitalização, por exemplo, são o Centro de Belo Horizonte e o Centro de São Paulo.

Em Natal essa palavra apareceu e incorporou-se ao universo vocabular dos seus habitantes, no fim dos 70, quando a Prefeitura concluiu uma grande obra de engenharia, resolvendo o último  grande problema de um bairro, o primeiro a ter complementando toda a sua infra-estrutura urbana:- O bairro da Ribeira.

Principal bairro de Natal nos anos 40 e 50, nos 60 começou a se esvaziar com a mudança do comércio para a Cidade Alta e logo em seguida dos bancos, restando apenas o comércio de atacado. A Ribeira parecia ter um problema insolúvel: ficava abaixo do nível do mar, e qualquer chuva coincidindo com a maré alta, significava inundação completa das ruas principais.

Quando o prefeito José Agripino inaugurou a obra de drenagem (fundamentada num sistema de física usando a própria força da água da chuva para empurra-la para o mar) foi dito que a Ribeira era o primeiro bairro de Natal com a infra-estrutura completa: todo pavimentado; todo dotado de serviço de abastecimento d’àgua e esgotamento sanitário; assim como energia e iluminação pública; além de serviço de telefonia e o melhor atendido por transporte coletivo.

Ou seja, quando o Poder Público completou a sua obra, a Ribeira era uma pálida sombra do que havia sido. A antevisão de uma cidade fantasma, onde restavam umas poucas repartições públicas. Foi ai que a tal da revitalização apareceu com força. Cada candidato a Prefeito, nas últimas quatro ou cinco eleições, não esquecia de colocar a "revitalização da Ribeira" nos seus programas, inclusive a atual governadora Fátima Bezerra nas vezes que disputou o cargo, sem sucesso.

Missão difícil
Não se diga que o compromisso foi esquecido pelos eleitos. Vários caminhos foram tentados.

Aldo Tinoco procurou explorar a vocação boêmia do bairro e conseguiu levar para lá algumas iniciativas na área de bares, ateliers de pintores e fotógrafos, além da realização de eventos. Os melhores exemplos são a "Black Out" (um bar que aproveitava o gancho de 2ª Guerra) e parecia ir bem até a morte de seu proprietário sem herdeiros, e o Buraco da Catita, que continua sobrevivendo. Mas o volume dos negócios nunca foi suficiente para levantar e sustentar um bairro inteiro.

Carlos Eduardo chegou a conversar com urbanistas que lhe sugeriram a reconstrução dos antigos casarões como retrofit, mantendo as antigas fachadas e renovando e modernizando o seu interior, experiência que deu certo em vários lugares do mundo. A boa ideia esbarrou na dificuldade de financiamento, limitando-se a uma ou duas reformas. Financiamento existia para novos edifícios. E foram construídos uns seis ou sete novos edifícios, todos voltados para o vizinho bairro de Petropólis, nenhum deles se incorporando a Ribeira velha de guerra. Foram construídos e vendidos como Petrópolis e assim foram ocupados.

RETROFIT - É um termo inglês, seu significado é "reforma", no sentido de customizar, adaptar e melhorar equipamentos, conforto e possibilidades de uso de uma casa ou edifício antigo, preservando a fachada.

Mostra de revitalização
Na noite da última quarta-feira, a Ribeira estava acordada, o que não acontecia há muito tempo, desde o fechamento das últimas ditas pensões alegres. A rua Frei Miguelinho, havia sido interrompida, nas imediações da "Casa da Ribeira", única casa de espetáculos que está funcionando (o centenário Teatro Alberto Maranhão, estatal,  está fechado já há cinco anos) no bairro, e toda iluminada recebia um público eclético. Mulheres vestidas com a última moda dos anos ´40; muita gente usando os bonés tipo, bibico, como os militares americanos; barulho (sonorizado em grandes cachas de som) dos motores de avião à piston, dando rasantes; e sirenes anunciando o black out (que foram muito pouco usadas de verdade) e uma banda de música, de Parnamirim,  tocando jazz e música americana do tempo da Guerra.

Eram convidados do Sebrae para o lançamento da campanha "Natal - Parnamirim Fields", que se propõe a recompor o clima da 2ª Guerra, que foi vivido intensamente em Natal e tinha a Ribeira no seu epicentro, no sentido de dar ao destino Natal um diferencial.

Até aqui, a "revitalização da Ribeira" foi tratada como pudesse ser conseguida com obras e construções. Isso vem há, pelo menos, vinte anos sem acontecer nada.

A iniciativa do SEBRAE, querendo ou não, apresentou um autêntico avant premiére do que pode ser a REVITALIZAÇÃO. Gente na rua, movimento, festa, animação, movimento.

Revitalização é gente. A gente que pode devolver o clima de 2ª Guerra ao velho bairro, para os turistas que vem conhecer esse episódio de nossa história poderão fazer o bairro - que está pronto - renascer.

Em tempo: A reabertura do Grande Hotel pode ser um bom começo para a revitalização começar de fato.








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