Seis barragens são prioridade no RN

Publicação: 2019-04-23 00:00:00 | Comentários: 0
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As atenções da Defesa Civil estadual estão voltadas para seis das 49 barragens com capacidade acima de 5 milhões de metros cúbicos de armazenamento de água no Rio Grande do Norte. Essas barragens, de acordo com o coordenador, já atingiram 100% de sua capacidade, e podem apresentar mais riscos de transbordamento ou rompimento, como aconteceu neste fim de semana nas barragens São Miguel I, São Pedro e Vavá 1, na região central do Rio Grande do Norte. O rompimento das barragens não deixou vítimas fatais, mas comunidades ribeirinhas foram afetadas, de acordo com a Defesa Civil.

Ponte São Miguel rompeu parte de sua estrutura no fim de semana passado devido às chuvas. Local está sendo monitorado pela Defesa Civil Estadual
Ponte São Miguel rompeu parte de sua estrutura no fim de semana passado devido às chuvas. Local está sendo monitorado pela Defesa Civil Estadual

Após reunião que durou cerca de três horas, a Defesa Civil Estadual e autoridades locais definiram que a barragem de São Miguel 2, em Fernando Pedroza, com capacidade para 8 milhões de metros cúbicos, é a prioridade para receber ações preventivas e pontuais visando evitar rupturas. Além disso, ficou definido que as autoridades estaduais e federais vão à região central do RN, às 8h desta terça-feira (23) para avaliar os impactos, criar um plano de trabalho emergencial e solicitar o apoio federal para os reparos necessários. O pedido à União só será possível ao decreto de emergência anunciado pelo Governo do Estado nas cidades de Santana do Matos, Angicos e Fernando Pedroza.

A Defesa Civil Nacional também está ciente do caso e enviou um representante ao Estado.  O coordenador de estudos integrados do órgão, Rafael Machado, explicou que o governo estadual vai fazer um plano de trabalho definindo os processos e as prioridades para poder receber o apoio emergencial do governo federal.

“Não há dimensão, não há valor definido ainda. São ações de cunho preventivo para evitar mais danos na região já afetada pelo rompimento da barragem. O Governo Federal dispõe de recursos emergenciais para apoiar situações de desastres. As agências estaduais estão reunidas avaliando as necessidades de apoio complementar para essas ações de resposta, socorro e restabelecimento de serviços essenciais e tão logo esteja identificado o plano de trabalho e as necessidades de apoio complementar que o governo federal pode prestar ao Estado será encaminhado”.

De acordo com o coordenador estadual da Defesa Civil, Tenente Coronel Marcos Carvalho, não há registros de pessoas desabrigadas ou desalojadas nessas áreas.

Vistorias
De acordo com o coordenador da defesa civil estadual, Marcos Carvalho, a ênfase está principalmente nas barragens de São Miguel 2, também na região Oeste,  com capacidade de armazenamento para 8 milhões de metros cúbicos, e o açude Pataxó, com capacidade de 15 milhões de metros cúbicos, na cidade de Ipanguaçu. Dois engenheiros especialistas em barragens serão enviados pelo Governo Federal para fazer vistorias nas barragens com maior risco potencial.

“Os engenheiros especialistas do estado já estiveram na região ontem [domingo], junto com o secretário de meio ambiente e recursos hídricos, e já estão determinando as medidas para diminuir o risco nas barragens Vavá e São Miguel 2, que são as que exigem manutenção maior”, afirma.  De acordo com o secretário, os municípios potencialmente afetados – Angicos, Fernando Pedroza e Ipanguaçu – possuem planos de contingenciamento para caso de rompimento das barragens.

“A quantidade de pessoas afetadas vai aumentando à medida em que essa água vai seguindo em direção à Ipanguaçu. Nós teremos afetadas principalmente comunidades ribeirinhas, em Fernando Pedroza.”, explica Marcos Carvalho. De acordo com ele, em caso de rompimento, a cidade de Angicos apresentaria uma “mancha de inundação” maior, com mais pessoas afetadas em uma eventual ruptura e Ipanguaçu, por sua vez, estaria mais vulnerável devido a sua localização, que é em uma área de vale.

 A TRIBUNA DO NORTE perguntou ao coordenador de Defesa Civil qual o panorama da situação dos reservatórios do estado. De acordo com ele, os sete anos de seca fizeram com que, em muitos casos, a manutenção dos açudes fosse deixada para segundo plano.  “O estado hoje possui uma rede gigantesca, até pela área em que estamos inseridos, que é predominantemente semiárida. Existe um volume gigantesco de reservatórios, o que faz com que tenhamos de eleger algumas prioridades, até pela nossa capacidade de chegar a esses locais.”, explica Carvalho. De acordo com ele, as vistorias da defesa civil tem usado como base os critérios de maior capacidade dos reservatórios e maior risco potencial, oferecidos em estudos da Agência Nacional das Águas (ANA) e Instituto de Gestão das Águas do RN (Igarn).











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