Sem política, é mais difícil ter mudança

Publicação: 2019-09-11 00:00:00 | Comentários: 0
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Cassiano Arruda

Em 1974, há 45 anos, portanto, o Brasil realizava eleição, mesmo quando já completava dez anos de que eleição não significava a garantia de que o eleitor é quem iria escolher.

O regime militar, que usava a marca “de revolução democrática”, realizada para evitar que o Brasil se transformasse numa república sindicalista pelo presidente João Goulart, vice do presidente Jânio Quadros que havia renunciado o mandato antes de completar um ano de governo.

Um grupo de militares (a maioria deles, coronéis), tentou evitar a posse do vice-presidente e não conseguindo, impôs a mudança de sistema de governo para parlamentarismo retomando uma história que já tinha vinte anos, quando o norte-rio-grandense Café Filho havia sido deposto, para garantir a posse do presidente eleito Juscelino Kubitschek.

Depondo Jango, os militares acharam que havia chegado a vez deles. E indicaram cinco generais para exercer a Presidência da República ao longo de 20 anos e criaram um simulacro de democracia cujos resultados eram conhecidos antes das urnas serem apuradas. E o Poder era exercido, em nome de um órgão supremo, o “Alto Comando das Forças Armadas”.

Na busca de um modelo adotou-se a experiência do México, há mais de 50 anos, renovando os governos, com total apoio das forças armadas. Isso havia ficado claro há cinco anos, em 1970, quando o “partido da Revolução”, obteve 79% dos votos e a oposição havia eleito  apenas dois candidatos a Governador. Isso quando a economia andava tão bem que se falava em “milagre brasileiro”.

Além do futebol, a zebra aconteceu nas eleições
Quem se der ao trabalho de pesquisar o noticiário político de 1974 não terá dificuldade em constatar que as emoções e dúvidas estavam reservados para a escolha dos candidatos ao Senado pela Arena. Como não existiam dúvidas que o apoiado pelo “Alto Comando” seria o eleito nas urnas, ai registrou-se a grande surpresa. O MDB havia eleito 18 candidatos, muitos dos quais, aparentemente,  sem um mínimo de preparo para exercer o mandato.

No RN foi assim. O candidato do MDB foi o feirante Agenor Maria que derrotou o deputado Djalma Marinho, presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Federal, e um nome respeitado na política nacional. Registre-se que Agenor honrou o mandato e representou muito bem o RN no Senado Federal.

A eleição serviria de teste para o inicio do processo de abertura (“lenta, gradual e segura”), permitindo a volta dos militares aos quartéis.

Mas o resultado da urna confirmou que os militares já não tinham o controle absoluto da situação política. A campanha “Diretas Já” tomou conta do País, viabilizando a eleição de Tancredo Neves e José Sarney, a última por via indireta. João Figueiredo foi o último dos militares, transferindo o cargo para Sarney (uma vez que Tancredo) foi impedido de assumir por doença grave.

Os militares voltaram aos quartéis e passaram a cumprir o seu papel constitucional.

E vieram seis paisanos eleitos por via direta, sendo dois do Partido dos Trabalhadores. Desses seis, dois foram depostos, com total respeito à Constituição Federal, Fernando Collor e Dilma Roussef.

Todos contra a corrupção e o escândalo do Petrolão
A descoberta das maiores reservas de petróleo do mundo, no Présal, em vez de fazer do Brasil um País rico, assim como com a Petrobras, por uma série de comprovados atos de corrupção e incompetência administrativa, terminaram impondo a maior crise nos últimos anos e tirando condições mínimas do segundo Governo do PT sobreviver.

O quadro estava pronto para se repetir nos trópicos um roteiro semelhante ao da “Operação Mãos Limpas da Itália”, com a união da Magistratura e do Ministério Público, como uma força tarefa embalada pela grande imprensa que passou três anos generalizando para a classe política todos os atos – mesmo com cobertura legal – praticados por algum político em quatro anos de denúncias diárias, em órgãos de imprensa de grande audiência, para apresentar todos os políticos como ladrões.

 O resultado apareceu na eleição do ano passado, quando registrou-se a maior renovação da história, punindo políticos condenados, políticos denunciados, políticos e políticos em geral. E terminando na eleição do capitão Jair Bolsonaro, que aparecia como um azarão, mas alinhavou um discurso contra a corrupção e oposição aos governos do PT.

Nesse cenário, estaremos dentro de mais um ano encarando uma nova campanha eleitoral, essa municipal; em pleno período de propaganda gratuita que vai até 28 de Setembro.

Como os principais investigadores do Lava Jato se tornaram investigados, em situações não muito diferentes das que denunciaram, se vive um novo momento que pode ser de ruptura, do jeito que aconteceu com os “lotéricos” do PMDB em 1974. Agora é com a turma que surfou a onda de Bolsonaro em 2018. Em um ano, quem arranjou voto sendo contra tudo terá de dizer o que fez. Ou porque não fez.

Enquanto o eleitorado está convocado para dizer como é que uma república democrática pode viver a democracia sem ter políticos, um dos filhos do Presidente da República, abre a boca para dizer que a “Transformação que o Brasil quer não será rápida por vias democráticas.”

Dentro de um ano, estaremos em pleno período de realização de convenções partidárias, que serão realizadas entre 26 de Agosto a 29 de Setembro. Ai a campanha eleitoral já começou. Quando cabe tudo...





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