Semana Lixo Zero Natal revela bons exemplos que inspiram

Publicação: 2020-10-18 00:00:00
Tádzio França
Repórter

Educação faz o ar ficar mais puro, as ruas mais limpas, e o ecossistema mais saudável. Discutir soluções para a qualidade de vida nas cidades e no mundo, a partir de um meio-ambiente pleno, é questão sempre em pauta e que estará especialmente em evidência no começo de novembro, através de dois eventos: a 2ª Semana Lixo Zero Natal, de 03 a 07/11, e o 1º Primavera Festival, dias 04 e 05/11.  As duas ações serão realizadas online, e programaram uma série de discussões que visam informar e conscientizar a sociedade sobre suas responsabilidades com a cidade e o planeta.
Créditos: Alex RégisEcóloga e gestora ambiental Mariana Nunes afirma que saber cuidar do lixo é o tipo de responsabilidade individual que reverbera na coletividadeEcóloga e gestora ambiental Mariana Nunes afirma que saber cuidar do lixo é o tipo de responsabilidade individual que reverbera na coletividade

A Semana Lixo Zero Natal é organizada por voluntários locais em parceria com o Instituto Lixo Zero Brasil (ILZ). É uma mobilização nacional que tem como pauta a redução, gestão e encaminhamento correto de resíduos, sendo realizada em mais de 100 cidades brasileiras. As ações deste ano têm como tema “Bons Exemplos Inspiram”, com foco na conscientização de que cada indivíduo é responsável pela solução dos problemas causados pelos resíduos.

O objetivo do tema é mostrar que pequenos gestos podem fazer diferença no cuidado da gestão e encaminhamento de resíduos, e que os bons exemplos podem nascer das adversidades, como aqueles já vistos através da pandemia. A ecóloga e gestora ambiental Mariana Nunes, uma das organizadoras locais do evento, afirma que saber cuidar do lixo é o tipo de responsabilidade individual que reverbera na coletividade, e por isso deve ser pensado em algo educativo para todos.

“Quando vemos estudos e cientistas discutindo sobre os impactos do homem no planeta e todas as consequencias advindas do nosso estilo de vida, percebemos que o lixo é um erro de design e que, atualmente, é um dos nossos maiores problemas como sociedade”, diz Mariana. A ecóloga ressalta que até perante a lei a pessoa tem responsabilidade de fazer a gestão adequada dos resíduos que gera. “Trata-se do conceito de responsabilidade compartilhada que envolve o poder público, empresas e sociedade civil”, completa.

Mariana explica que o conceito de “lixo zero” tem o propósito de acabar ou diminuir o desperdício o máximo possível. São práticas que ela própria já adotou em seu cotidiano, como a separação adequada dos resíduos sólidos, e o encaminhamento dos resíduos recicláveis (plásticos, metais, papel, papelão, vidros, etc.) para a coleta seletiva, fomentando socioeconomicamente cooperativas de catadores e o ciclo da reciclagem. A compostagem com sobras de alimentos que gera adubo para plantas (incluindo as caseiras) é outra iniciativa simples que qualquer um pode fazer.

Uma iniciativa importante nesse contexto, que é a da coleta seletiva, ainda não “emplacou” definitivamente na sociedade brasileira por questões de educação e informação, segundo Mariana. “É uma prática que necessita de incentivo e compromisso por parte do poder público, privado e o engajamento de toda a sociedade para que de fato funcione”, diz. Ela acredita ser crucial que haja ações coordenadas e integradas de educação ambiental em todas as esferas da sociedade, instruindo a população sobre como é possível fazer a separação correta de seus resíduos e como encaminhá-los para a coleta seletiva. “O poder público precisa ser mais participativo”, enfatiza.

Na mudança para um estilo de vida mais sustentável e “lixo zero” também cabe repensar sempre antes de consumir qualquer coisa. “Repensar sobre a necessidade desse consumo, sobre como foi o caminho percorrido por aquele produto (seu ciclo produtivo) até chegar a mim como consumidora, e todos os impactos decorrentes desse processo”, explica. Mariana dá prioridade às feiras livres como incentivo ao consumo dos pequenos produtores, e costuma priorizar empresas que sejam comprometidas com o conceito da sustentabilidade.

Rede de limpeza

Por ser uma plataforma de mobilização social, a Semana Lixo Zero depende da participação de voluntários e do engajamento da sociedade. O evento está convocando interessados para se cadastrar em seu perfil no Instagram e promover ações variadas como palestras, lives, oficinas, limpezas em áreas internas, exposições, fóruns, atividades culturais ou qualquer ação ligada à conscientização e boas práticas para redução da geração de resíduos. As inscrições estão abertas até o dia 20 de outubro.

Mariana Nunes ressalta que o evento está convocando ONGs, institutos, instituições públicas, empresas, associações de moradores, escolas, universidades, projetos e coletivos para somar à programação de forma colaborativa e promover atividades durante esses dias.

Primavera ecológica

O Primavera Festival quer transformar Natal na capital mais limpa do Brasil. Não vai ser uma tarefa fácil, mas o evento está engajado. O projeto nasceu de uma parceria entre o Instituto Cidade Limpa e Sebrae, com objetivo de atualizar o debate sobre sustentabilidade, dialogando com cultura, empreendedorismo e responsabilidade cívica. Para tornar a discussão mais próxima de todos, o evento terá programação com palestras, rodadas de negócios, feiras, shows musicais, e encontros de vendas. As inscrições para o público são gratuitas e estarão abertas em breve no site do festival.

O maior intuito do evento é envolver todas as esferas da sociedade na transformação de cidades, estados e países em agentes de preservação do meio ambiente e da qualidade de vida. Nayara Azevedo, idealizadora do festival e integrante do Instituto Cidade Limpa, afirma que as expectativas estão gigantes. “Estamos movimentando o mercado e também fazendo um trabalho de engajamento com escolas e universidades. O festival vai impactar e deixar um legado”, afirma.

A programação trará propostas inovadoras de sustentabilidade, dirigidas para um universo coletivo e heterogêneo. “Não é um evento segmentado, é para todos. Queremos atingir desde o estudante que quer ser um empreendedor sócio-ambiental, até ONGs que vão mostrar seus projetos para empreendedores do segmento. Os artistas que vão se apresentar são ecologicamente engajados. O festival é todo uma construção”, explica.

O festival trará nomes como Fábio Silva, Murilo Gun e Rossandro Klinjey; além dos shows exclusivos de Roberta Sá e outros artistas locais e nacionais. Nayara Azevedo ressalta que o festival está construindo uma rede de conexão junto ao que ela chama de “líderes de rede” da cidade, ou seja, pessoas que têm poder de influenciar nos ‘cliques’. “Podem ser prefeitos,  governadores, o padre de uma igreja, o presidente de associação, diretor de uma escola, empresários, colaboradores, até a dona de casa. São pessoas que influenciam outras com um clique e tem poder para informar. Todos juntos de um mesmo objetivo”, diz.

Nayara acredita que o centro do problema é a pouca educação sócio-ambiental. “Não é uma matéria dada em escola, ela é cultural, construída. A gente está falando de mudanças de hábito, e por isso as pessoas precisam receber as informações certas”, afirma. Para ela, precisa até ressignificar o que é lixo. “A gente aprendeu que lixo é coisa que não serve mais pra nada. Não é. Lixo hoje se chama ‘resíduo’. É matéria-prima, oportunidade, educação, economia, e dinheiro”, explica.

Quanto à problemática do meio ambiente, Nayara afirma já existem soluções já no mundo inteiro. “Se você procurar já tem solução pra transformar o lixo em energia, biodiesel, soluções de descarte correto, cooperativas modelo, etc. A gente pode copiar e adaptar à nossa realidade, mas precisamos que a população seja informada, preparada, disseminar educação sócio-ambiental”, analisa.

O Primavera Festival vai selecionar 80 expositores de todo o território nacional que ofereçam soluções para problemas socioambientais através dos seus negócios. Os interessados podem se enquadrar em cinco categorias: Soluções de Governo, Negócios, Negócios de Impacto, ONGs e Educação. Estão aptos ainda os produtos e serviços inclusivos que valorizam o saber fazer local e movimentos, como slowfood e Arca do Gosto; tem prioridade os negócios que valorizam a cultura negra e de impacto social. Há um edital no site para se informar e se inscrever. O Festival terá encontros e rodadas de negócios pela manhã, painéis temáticos à tarde e shows musicais de artistas nacionais e locais no turno da noite.