Seminário debate os rumos da indústria no RN

Publicação: 2013-12-22 00:00:00
O Seminário Motores do Desenvolvimento do Rio Grande do Norte realizou no último dia 16 de dezembro a sua 19ª edição e abordou a temática “Oportunidades e desafios da indústria: 60 anos da Fiern”. O projeto, que começou a ser executado em 2008 já abordou temas como Infraestrutura, Energia, Turismo, Comércio e Empreendedorismo, Inovação e Tecnologia, Aeroporto de São Gonçalo do Amarante, Copa de Futebol de 2014, Transportes e Mobilidade, Pesca e Aquicultura e Educação Básica e Profissional e Sustentabilidade.

O Projeto Motores do Desenvolvimento do Rio Grande do Norte é realizado pela TRIBUNA DO NORTE, Salamanca Capital Investments, Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte (Fiern), Sistema Fecomércio/RN, Assembleia Legislativa e com apoio do BNDES e patrocínio do Sebrae e a Prefeitura do Natal.
Oportunidades e desafios da indústria: 60 anos da Fiern foi o tema do debate da 19ª edição do projeto, que começou a ser executado em 2008
O seminário da última segunda-feira (16), contou com a participação do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Fernando Pimentel; presidente da CNI, Robson de Andrade; ministro da Previdência Social, Garibaldi Alves; presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Alves.

Os debates foram mediados por autoridades locais como o presidente da Fiern, Amaro Sales, e inovou na realização do talk- show com o tema “Histórias de Sucesso: como sair de uma micro a uma grande indústria”, mediado pela jornalista Margot Ferreira. O encontro, que encerrou o evento, contou com a participação de Flávio Rocha (presidente da Riachuelo), Antônio Leite Jales (diretor da SterBom), Francisco Vilmar Pereira (diretor da Vipetro), Pedro Alcântara (diretor do grupo 3 Corações) e Antônio Thiago Gadelha Simas (diretor da Candy Pop).

Tornar a indústria local mais competitiva e sustentável é um dos grandes desafios para o Rio Grande do Norte e passar pelo enfrentamento de entraves históricos como as deficiências de infraestrutura, o chamado Custo Brasil e a ainda baixa qualificação da mão de obra.

O processo de privatização da infraestrutura foi considerado pelo o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Fernando Pimentel, como o ponto chave para atribuir competitividade à indústria brasileira e puxar, na esteira do desenvolvimento, a economia do país. “Brasil: as perspectivas para 2014” foi o tema da palestra do ministro Fernando Pimentel, na abertura do Seminário Motores do Desenvolvimento do Rio Grande do Norte.  

Os investimentos virão dos projetos de concessão à iniciativa privada para implantação e exploração de infraestrutura logística nos modais aéreo, rodoviário e aquaviário que buscam reverter o déficit histórico do país nesse quesito.”Há uma construção de um consenso competitividade se desenha como valor da sociedade brasileira tanto quanto a estabilidade e controle da inflação. Queremos ter uma indústria moderna e dinâmica”, observou Pimentel.

O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Braga, ressaltou que o baixo volume de investimentos, associado à alta carga tributária (peso dos impostos) e a burocracia, tem reduzido a competitividade da indústria nacional e local e emperrado o desempenho da economia, que no ano passado cresceu 2,5%.  “Eu diria que a burocracia nos mata, nos aleija”, desabafou.

Braga alertou para o fato de só o Nordeste ter uma carteira de projetos estruturantes avaliados em R$ 70 bilhões, que se desenvolvidos poderiam elevar em 30% a competitividade da Região, que é a que mais cresce no país, mas ainda está distante do Sudeste e do Sul, em termos de participação no Produto Interno Bruto (PIB), soma de todas as riquezas produzidas.

As projeções para o ano de 2014 se desenham de forma mais promissora para a indústria potiguar. A realização da  Copa do Mundo, obras estruturantes, melhoria na oferta de infraestrutura a partir da operação do Aeroporto de São Gonçalo do Amarante e obras do Porto traz a a expectativa de retomada de fôlego, na análise do presidente da Fiern, Amaro Sales.

Para direcionar o crescimento, a definição do perfil da indústria  no Estado e de uma política industrial integrada com o plano de desenvolvimento econômico do Estado são pontos que começam a ser contemplados. Feito a quatro mãos, pela Fiern e Governo do Estado, o programa servirá como um norteador para novos investimentos a longo prazo. “O mapeamento de oportunidades permitirá traçar a política industrial para os próximos 20 anos que fortaleça a indústria já existente e permite a atração de novas”, afirmou.

O setor gera 33 mil empregos diretos e responde por cerca de 40% da arrecadação de ICMS do Estado. A elaboração dessa política começa a ser ensaiada com integração entre empresários, gestores públicos e academia.

Ângela Paiva, reitora da UFRN, destacou a relevância do debate e o elo entre indústria e universidade proporcionado pela ação da Fiern. “Há uma parceria para formação das pessoas bem como a fomentação do conhecimento com pesquisas aplicadas, por exemplo”, disse.

O presidente do Sistema Fecomércio, Marcelo Queiroz, anunciou que o comércio potiguar deve fechar o ano com um crescimento de 9% neste ano e deverá puxar o setor secundário. “A relação entre comércio e indústria deve ser uma via de mão dupla, onde todos ganham”, afirmou.

Outra possibilidade se abre para o Estado com a privatização da Zona de Processamento para Exportação (ZPE) de Macaíba, cujo processo foi deflagrado na última semana, como lembrou p presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves e poderá oportunizar R$ 30 milhões em investimentos.

Em seu discurso ele destacou o potencial do Estado em sal, a mineração, energia eólica e os investimentos que estão sendo realizados para a abertura de novos mercados, como a construção do novo porto de Natal e o aeroporto de São Gonçalo do Amarante. E chamou a atenção uma maior união da classe política potiguar como via  para o desenvolvimento do estado. “Não queremos mais ser o estado das promessas, devemos fazer uma política mais amadurecida, mais racional para que as próximas gerações não passem pelas aflições que estamos passando”, pediu Alves.

O ministro Garibaldi Alves foi enfático ao afirmar que o Rio Grande do Norte perdeu, nos últimos anos, investimentos importantes e criticou o que chamou de “discriminação e desprezo” que o Estado sofre.

Como forma de incentivar a criação de novos empregos e investimento de indústrias, a governadora Rosalba Ciarlini informou uma renúncia fiscal de R$ 273 milhões até novembro passado. “Renúncia fiscal é sinônimo de mais investimento. Estamos trocando impostos por empregos”, explicou a governadora Rosalba Ciarlini. O incentivo de acordo com a governadora permitiu a instalação, entre 2011 e 2013, 17 no Estado, entre elas a Becker Cosméticos, em São José do Mipibu e a Mizu (cal para siderúrgica), em Baraúna.