Sequência de 'Malévola' propõe nova vilã

Publicação: 2019-10-18 00:00:00 | Comentários: 0
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Luiz Carlos Merten
Estadão

No início o filme causa certo estranhamento. Por uns bons minutos, Malévola - Dona do Mal, segundo título da franquia estrelada por Angelina Jolie, fica só no show de efeitos especiais, mostrando o que as novas ferramentas do digital podem fazer na construção do maravilhoso. Flores, fadinhas, seres estranhos. O tempo passa e não acontece nada, por mais que o filme encha os olhos. Mas a história finalmente começa. Aurora encontra seu príncipe, ele a pede em casamento, ela aceita e promete levar a ‘madrinha’ a um jantar na casa, isto é, no palácio dele. Pronto. O que se segue é uma fantasia que ultrapassa a expectativa e deixa no ar a promessa de um sucesso de bilheteria tão espetacular quanto o do primeiro filme, de 2014.

Angelina Jolie em nova composição física para Malévola 2
Angelina Jolie em nova composição física para Malévola 2

Elle Fanning continua fazendo a Bela Adormecida - a agora desperta Aurora -, Harris Dickinson volta ao papel de seu príncipe, mas Angelina, com seu figurino preto, com as amplas asas, permanece soberana. Quantos dentes tem essa mulher? É a pergunta que não quer calar. O sorriso de Malévola. A novidade é a importância conferida à participação de Michelle Pfeiffer como a rainha Ingris, mãe do príncipe Phillip. Sempre vestida de branco, ela subverte a lógica das cores no cinema. Tudo o que Ingris - manipuladora, dissimulada - faz é para atingir Malévola. Não vai nenhum grande spoiler nessa afirmação de que Ingris, a rainha branca, é a verdadeira vilã da história. Faz coisas tão sinistras para tentar destruir o mundo dos Moors que precisa de uma secretária igualmente maligna, e a tem. Aliás, não apenas a secretária, mas também, nos subterrâneos do palácio, um inventor de armamentos tóxicos para destruir os aliados da equivocadamente chamada ‘dona do mal’.

Chega de contar a história, porque essa situação toda se desenha no jantar que ocorre de cara. O restante, e lá se vão hora e meia do total de 159 minutos de relato, coloca em discussão o verdadeiro tema de Malévola (2). A aceitação do outro, do diferente, sim, mas principalmente a questão do afeto. Ingris faz crer a Aurora que a está acolhendo como filha, e isso gera a ruptura entre a garota e Malévola. Na subversão dos afetos - quem é a verdadeira mãe? -, o que o diretor Joachim Ronning propõe não deixa de ser o que o psicanalista Bruno Bettlelheim vivia advertindo - sobre a natureza perversa dos contos de fadas. Não por acaso, a irritadiça Ingris vive proclamando - “Isso aqui não é um conto de fadas!”. É claro que é, mas também é aventura, terror, romance, comédia, tudo isso e uma parafernália de efeitos que demonstra que realmente, ante o desenvolvimento tecnológico, não existe mais limite para a imaginação de roteiristas.

A própria composição física da personagem acentua a ossatura de Angelina Jolie, com a saliência conferida aos ossos das faces, e ao sorriso que deixa em dúvida se ela não terá dentes a mais. É possível ver a transformação da atriz para o papel. Ela está deslumbrante na tela, e confirmou-o, fora dela, no longo exclusivo da grife Versace com que compareceu ao tapete vermelho de Malévola, em Hollywood, cercada por cinco dos seis filhos - o único que não a acompanhou está fazendo faculdade na Coreia do Sul.

Há cinco anos, quando estreou Malévola, o 1, Angelina ainda estava casada com Brad Pitt. Separaram-se em 2016. O ano está sendo grande para ele, com atuações memoráveis em dois filmes - Ad Astra, de James Gray, e Era Uma Vez... Em Hollywood, de Quentin Tarantino. Vai fechar-se bem também para ela. Certo está o diretor norueguês Ronning, que fez ainda A Vingança de Salazar, na série Piratas do Caribe. “Você pode ter todos os recursos do mundo, especialmente fazendo filmes com a Disney. Mas, no fim do dia, o que vale são os personagens e o núcleo emocional da história.” Malévola 2 que o diga.






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