Sequelas permanentes são cenário de angustia para pacientes e médicos

Publicação: 2019-07-10 00:00:00 | Comentários: 0
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De acordo com os dados mais atualizados do Observatório Nacional de Segurança Viária, do ano de 2015, o RN já teve prejuízos superiores a R$ 3,4 bilhões causados pelos acidentes, da infraestrutura e equipe hospitalar ao pagamento de indenizações pelo DPVAT. Desses, R$ 1,7 bilhão foi alocado para atender à demanda específica dos acidentes de motocicleta, que representaram mais da metade do total de acidentes daquele ano.

Pacientes chegam em estado crítico , diz médico Ariano Oliveira
Pacientes chegam em estado crítico , diz médico Ariano Oliveira

“Os pacientes de acidentes costumam vir em estado mais crítico, porque eles envolvem não apenas os traumas ósseos e musculares, mas também traumas cranianos, torácicos e abdominais”, afirma o chefe de cirurgia geral do HGW, Ariano Oliveira. De acordo com o médico, os motociclistas estão naturalmente mais vulneráveis nos acidentes, por não possuírem nenhum tipo de proteção além do capacete e das próprias roupas para proteger-se em caso de acidente. “Para o internamento hospitalar, isso se torna custoso quanto à gestão em saúde, mas também para o DPVAT e os serviços previdenciários, porque muitos ficam incapazes de forma definitiva”, completa.

As sequelas permanentes, como amputações, encurtamento de membros, traumas na região da coluna representam um cenário “angustiante”, de acordo com o médico. “Desde que o cinto de segurança passou a ser obrigatório no carro, reduziu-se significativamente o número de vítimas de acidentes automobilísticos graves. Hoje, com os aparatos de segurança que existem, quando há algo de muita gravidade, a vítima costuma morrer na própria cena do acidente. Mas na motocicleta, não”, diz.

Para o médico, o baixo custo das motocicletas que aumentou consideravelmente o número da frota no Estado, aliado à falta de respeito às regras de trânsito contribuem para os números. Um fator mais recente, no entanto, também vem impactando nesses números: o aumento do número de pessoas atuando na área de entregas por motocicleta.

“A motocicleta sai de sua função de deixar e levar a pessoa para o trabalho e passa a ser uma máquina de trabalho. Na hora que eu sou entregador, preciso ter um tempo de resposta mais curto, quanto mais entregas eu fizer, maior será o meu lucro naquele dia, então eu tenho pressa. Isso acaba resultando em uma direção imprudente, ocasionalmente desrespeitando as leis de trânsito e se expondo a situações de risco”, diz Ariano Oliveira.




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