Servidores da Saúde e Uern estão em greve há quase dois meses

Publicação: 2018-01-06 00:00:00 | Comentários: 0
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Yuno Silva
Repórter

A crise que paira sobre a segurança pública no Rio Grande do Norte, ofuscou a luta de outras categorias de servidores estaduais: caso da greve de enfermeiros e técnicos de enfermagem que, no próximo dia 13 completa dois meses; e dos professores da Universidade do Estado (UERN), parados desde o dia 10 de novembro. O atraso sistemático dos salários, e a falta de um calendário de pagamento, estão no foco das reivindicações – de acordo com as informações apuradas pela reportagem, ainda há a possibilidade de outros segmentos aderirem ao movimento. “Estamos em uma posição tão defensiva, que exigimos apenas o pagamento dos nossos salários em dia”, disse o professor de Filosofia Ramos Neves, lotado no campus da UERN em Mossoró.

Na Saúde, a paralisação - principalmente, de enfermeiros e técnicos - prejudica o atendimento no maior hospital de urgência, o HWG
Na Saúde, a paralisação - principalmente, de enfermeiros e técnicos - prejudica o atendimento no maior hospital de urgência, o HWG

Ramos lembrou que os servidores da instituição estão sem reajuste há três anos, e que a UERN almeja a mesma autonomia de gestão conferida pelo Governo do RN à Companhia de Águas e Esgotos (Caern) e ao Departamento Estadual de Trânsito (Detran-RN). Ele afirma que a questão da autonomia é uma “bandeira antiga” e ressalta que “os professores estão unidos e os alunos apóiam a greve. Os técnicos administrativos que ainda estão divididos”.

Até a tarde de ontem, a exemplo de outras categorias como os profissionais da saúde e da segurança pública, apenas os professores e servidores da UERN que ganham até R$ 4 mil receberam o salário refente ao mês de novembro. “O Governo prometeu pagar o restante da folha de novembro até amanhã (hoje), um sábado (6). Espero que sim, mas acho difícil: estão postergando essa data faz tempo, é a terceira vez que prometem esse pagamento”, criticou o professor.

Voluntária da Pastoral da Saúde, Elizabete Darque, aponta falta de insumos básicos no Walfredo
Voluntária da Pastoral da Saúde, Elizabete Darque, aponta falta de insumos básicos no Walfredo

O calendário acadêmico da UERN, que têm seis campi, 881 técnicos administrativos e 1.264 professores, está atrasado desde 2015 – ano em que houve uma greve com oito meses de duração sem resultados positivos. No momento, todas as atividades da UERN foram suspensas. “Felizmente uma de nossas pautas foi atendida em 2017: a Assembleia Legislativa do RN aprovou a lei que legaliza o auxílio saúde dos servidores da Universidade”, destacou Ramos Neves.

O Poder Executivo, que teve a proposta de pagar parte dos salários aos policiais militares e civis até o dia 12 de janeiro rejeitada, ainda não apresentou nenhum cronograma para pagamento dos salários do mês de dezembro e o 13º salário ao demais servidores do Estado.

Rotina da greve
Apesar de ter saído dos holofotes devido a crise na segurança, a greve de enfermeiros e de técnicos de   enfermagem tem prejudicado a rotina nos principais hospitais da rede pública de saúde do Estado. A diretora do Sindicato dos Servidores em Saúde (SindSaúde/RN), Rosália Fernandes, afirmou que a categoria “continua mobilizada e realizando assembleias quase que diariamente. Como já fizemos muitas atividades na rua, decidimos voltar nossas atenções para dentro dos hospitais a partir dessa próxima semana. Queremos conscientizar todos servidores sobre a importância do nosso movimento”.

Francisco Helder recebeu atendimento, mas faltou a medicação
Francisco Helder recebeu atendimento, mas faltou a medicação

Rosália reclama que “até antes da polícia, éramos nós (da saúde) que estávamos em total evidência. A paralisação deles ganhou visibilidade e soterrou a nossa”. Para a sindicalista, a presença das Forças Armadas nas ruas “mostra que o Governo do Estado está sem o controle da situação”.

Com o desfalque nas equipes de enfermarias dos hospitais, a prestação dos serviços de atendimento básico, como a troca de curativos e a higienização de pacientes que estão internados, deixaram de ser feitos com regularidade. “Tem muita gente em casa, que não está conseguindo vir trabalhar por falta de dinheiro para pagar o transporte. Aquelas caronas que a Sesap (Secretaria Estadual de Saúde ) programou não estão funcionando de forma eficaz”, observou Rosália, alertando para o grande número de servidores que estão saindo de licença médica devido a problemas psicológicos. “Essa situação, de trabalhar sem estrutura e sem receber salários, está abalando as pessoas. Muitas já estão trabalhando na base de medicação”, disse ela.


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