Brasil
Servidores do Tesouro aderem à greve junto ao Banco Central
Publicado: 00:00:00 - 15/05/2022 Atualizado: 15:27:16 - 14/05/2022
Depois dos funcionários do Banco Central (BC), em greve desde o dia 3, os servidores do Tesouro Nacional podem também paralisar as atividades. A categoria decidiu, em assembleia, que vai parar na próxima terça-feira, para decidir os próximos passos da mobilização. Às 14h desse dia, nova assembleia definirá se será decretada uma greve. Na terça-feira, também cruzarão os braços os analistas de comércio exterior e os especialistas em políticas públicas e gestão, além da carreira de planejamento e Orçamento.

Os servidores do BC pleiteiam um reajuste salarial de 28%. O BC chegou a enviar ao Ministério da Economia um pedido de aumento de 22% para seus técnicos e analistas, de 69,6% para os diretores e de 78,53% para o presidente da autarquia. Sob pressão, o BC retirou a solicitação no mesmo dia. Segundo o BC, o motivo do recuo foram "inconsistências" no texto. A reportagem apurou que a proposta causou mal-estar no Ministério da Economia.

Segundo o presidente da Associação de Analistas de Comércio Exterior (AACE), Guilherme Rosa, a categoria está em operação-padrão desde 2 maio e a mobilização tem afetado diversas atividades. Além da paralisação de terça-feira, a categoria cruzará os braços no dia 24 e fará nova assembleia no dia 27 para definir os passos seguintes.

"Houve atraso na divulgação dos dados da balança comercial e na emissão das licenças de importação, com um atraso de 15 dias. As licenças eram expedidas em até um dia. Isso acaba represando importações diárias de US$ 100 milhões", disse Rosa. "A gente espera alguma negociação com o governo. Nossa principal queixa é de que não há nenhuma negociação. Estamos preocupados com a atratividade no serviço público. O governo permite um processo inflacionário acelerado para garantir superávit orçamentário. Mas os servidores públicos pagam a conta." 

Recuo 

Em um contexto de greve e de estudo de reajuste geral de 5% para os servidores, o Banco Central (BC) chegou a enviar ao Ministério da Economia um pedido de aumento de 22% para seus analistas e técnicos, de 69,6% para os diretores e de 78,53% para o presidente da autarquia. Sob pressão, o BC retirou na quinta-feira, 12, a solicitação.

Segundo o BC, o motivo do recuo foram "inconsistências" no texto. A reportagem apurou que a proposta causou mal-estar no Ministério da Economia e foi considerada uma "vergonha" por membros da equipe econômica, que falaram sob a condição de anonimato, já que é quase o dobro da inflação em 12 meses até abril, de 12%. Caso aprovada, a medida representaria um incremento de R$ 6 mil no contracheque de um analista no topo da carreira.

A proposição também foi considerada "descabida" porque o presidente Jair Bolsonaro já tinha anunciado que daria reajuste linear de 5% a todos os servidores e feito consultas ao Judiciário e ao Legislativo, que deram sinal verde. Um aumento de 22% para a equipe do BC provocaria a ira das demais categorias mobilizadas.

O pedido fazia parte de uma minuta de medida provisória de reestruturação das carreiras no órgão. O texto, ao qual o Estadão/Broadcast teve acesso, previa reajustes já em junho. Os funcionários do BC, desde o dia 3 em greve pela segunda vez no ano, pleiteiam pelo menos 27%. A remuneração de um analista, em média, é de R$ 26,2 mil mensais. No caso do presidente do órgão, se concedidos os 78,53%, o salário sairia de R$ 17.327,65 para R$ 30.934,70. O dos demais diretores, com 69,6%, iria de R$ 17.327,65 para R$ 29.387,96.

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