Sesap investiga 350 óbitos por suspeita de covid-19

Publicação: 2020-10-31 00:00:00
A Secretaria de Estado da Saúde Pública do Rio Grande do Norte (Sesap) confirmou nesta sexta-feira (30) mais 129 casos do novo coronavírus e duas novas mortes causadas pela doença nas últimas 24 horas. Ao todo, o Rio Grande do Norte possui 81.079 casos confirmados e 2.575 mortes. Outras 350 mortes seguem em investigação.

Créditos: Elisa ElsieAlessandra Lucchesi detalhou dados do Boletim Epidemiológico e comentou momento da pandemiaAlessandra Lucchesi detalhou dados do Boletim Epidemiológico e comentou momento da pandemia

A média móvel de novos casos do coronavírus no Rio Grande do Norte nos últimos 7 dias é de 202 infectados por dia. A média é superior ao observado em março, mês da primeira morte, e semelhante ao do início de maio, quando haviam 220 casos confirmados por dia e a pandemia estava em crescimento. Atualmente, a taxa de transmissão é inferior a 1,0 (considerado seguro), segundo as projeções do Laboratório de Inovação Tecnológica em Saúde (LAIS/UFRN).

Desde o início de setembro, a curva da pandemia parou de cair e passou a oscilar. Na segunda quinzena de setembro, o número de casos voltou a subir durante uma semana e em outubro caiu mais uma vez. O momento de oscilação coincide com o início de campanhas políticas e feriados prolongados. 

Outro fator é o retorno das aulas, que aconteceu em setembro, mas até o momento nenhum caso foi confirmado nos ambientes escolares, de acordo com a Sesap.

A subcoordenadora de Vigilância Epidemiológica, Alessandra Lucchesi, afirmou que não é possível atribuir apenas um fator como causa da oscilação da curva por conta da complexidade da pandemia. A subcoordenadora destacou, entretanto, que há uma “banalização das medidas sanitárias” gradativa. “A medida mais eficaz contra a Covid-19 é ficar em casa e manter a higienização, mas hoje a gente observa as pessoas menos atentas ao uso do álcool em gel, ao uso da máscara. Não dá para afirmar que a queda chegou ao fim por um fator ou outro”, ressaltou Lucchesi.

A primeira vítima de Covid-19 no Rio Grande do Norte foi o professor universitário Luiz di Souza. Souza faleceu na noite do dia 27 de março em Mossoró aos 61 anos, após passar sete dias internado em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de um hospital privado. Na época, Mossoró ainda não possuía leitos adequados nos hospitais públicos.

Desde a morte do professor Luiz di Souza, a pandemia do novo coronavírus cresceu no Rio Grande do Norte e atingiu o pico entre junho e julho. Os leitos públicos das Unidade de Terapia Intensiva (UTI) chegaram a entrar em colapso e pelo menos 338 pessoas morreram à espera da transferência para a UTI, segundo estatísticas do Regula RN. Entretanto, o número de novos casos e mortes passou a reduzir em agosto e estagnou em setembro.

“O cenário que vivemos hoje é mais tranquilo do que o observado em junho e julho. Hoje, temos a menor taxa de transmissão (índice que mede quantas pessoas são infectadas a partir de um doente) desde maio no Estado. Esse índice é maior em algumas cidades do interior, que geram a preocupação local. O desafio é manter os números em queda”, analisou o pesquisador do LAIS/UFRN, Rodrigo Silva.