Sesap investiga três possíveis casos de coronavírus no Estado

Publicação: 2020-02-27 00:00:00
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Ícaro Carvalho e Anthony Medeiros
Repórteres


O Estado do Rio Grande do Norte está investigando três novos possíveis casos suspeitos de coronavírus. Segundo a Secretaria de Saúde Pública do RN (Sesap), são três pessoas do sexo feminino, sendo uma criança de 10 anos, uma mulher de 28 e outra de 45 anos.


Créditos: Alex RegisHospital Giselda Trigueiro é referência para atendimento de pessoas com suspeitas da doença e para casos de internaçãoHospital Giselda Trigueiro é referência para atendimento de pessoas com suspeitas da doença e para casos de internação


De acordo com a subcoordenadora de Vigilância Epidemiológica da Sesap, Alessandra Lucchesi, para serem classificados suspeitos, os casos precisam obedecer uma série de requisitos e características padronizadas pelo Ministério da Saúde. Embora tenham sintomas parecidos com a gripe e a Influenza, por exemplo, o vínculo epidemiológico é levado em consideração.

“São 16 países que se enquadram dentro dos países para casos suspeitos. A partir disso a gente consegue estabelecer o nexo para o dia que voltou da viagem, o início dos sintomas, para que a gente consiga definir se é um caso suspeito ou não”, disse Alessandra em coletiva de imprensa na tarde desta quarta-feira (26). “Estamos em investigação para saber se atendem ou não os critérios para casos suspeitos”, acrescentou.

As duas mulheres, segundo Alessandra Lucchesi e André Prudente, diretor do Hospital Giselda Trigueiro, viajaram à Itália recentemente e desembarcaram no Rio Grande do Norte nos dias 10 e 25 de fevereiro. Já a criança de 10 anos esteve num cruzeiro em Hong Kong e chegou na capital potiguar no último dia 21.

As três pacientes tiveram exames colhidos e foram liberadas. Elas estão em isolamento domiciliar e devem adotar procedimentos padrões por parte do Ministério da Saúde.

“Essas três pessoas viajaram com as pessoas que moram com elas, então elas também se expuseram ao risco antes de chegarem aqui. Há uma série de recomendações para pessoas nesse tratamento: uso de máscaras para evitar transmissão, higienizar objetos com álcool, evitar compartilhar objetos que entrem em contato com vias aéreas e secreções, como copos, talheres, além de quê, evitar sair de casa e contato com outras pessoas”, disse André Prudente.

De acordo com Alessandra Lucchesi, os casos estão sendo investigados e há um protocolo para que eles sejam qualificados como suspeitos. Ela acredita que os resultados já podem estar disponíveis nesta quinta-feira (27), pela manhã.

“Em vias oficiais, o Ministério da Saúde entra em contato com os Estados até o dia subsequente por volta do período da manhã. É possível que amanhã (quinta) pela manhã a gente tenha essa definição se esses casos que estão em investigação são suspeitos para o covid-19 ou não", disse.

Desde que os primeiros casos do registro do aparecimento do vírus, a Sesap tem adotado medidas preventivas para a doença. O Hospital Giselda Trigueiro, especializado em infectologia, está mantendo uma ala específica para esses casos, com 25 leitos.

Além do Giselda Trigueiro, o Hospital Maria Alice Fernandes, na zona Norte, também está atuando na retaguarda para tratamento de possíveis doentes.

Os possíveis casos suspeitos no Rio Grande do Norte apareceram no mesmo momento de confirmação do coronavírus no Brasil por parte do Ministério da Saúde. O caso foi confirmado em um homem de São Paulo, 61 anos, que foi à Itália numa viagem a trabalho.

Com isso, o Brasil passou a ser o primeiro país da América Latina com um caso confirmado do novo vírus que já matou pelo menos 2.708 pessoas no mundo. Além dele, no Brasil, há 20 casos suspeitos e 59 descartados.

Expansão do coronavírus gera mobilização das agências de viagem
As notícias sobre a propagação do coronavírus pelo mundo afetam diretamente o turismo. Michelle Pereira, presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagens do Rio Grande do Norte (Abav-RN), confirma que aos poucos, passageiros com viagens marcadas para a Europa, especialmente para a Itália, vem buscando orientações das agências para possíveis remarcações ou até mesmo cancelamentos.

“Aos poucos, principalmente agora após o carnaval, algumas pessoas começaram a perguntar sobre mudanças ou até cancelamentos das viagens, especialmente para os destinos na Itália. As agências foram orientadas para dar suporte à essas pessoas e buscar uma melhor solução para cada caso.” revela a presidente da Abav-RN.

Ainda segundo Michelle Pereira, as orientações que as agências devem dar aos seus clientes é para ter paciência enquanto acompanham o desenrolar da situação, especialmente no caso da propagação do coronavírus. Ela ressalta que a Abav está em contato com as principais companhias aéreas e hotéis para procurar as soluções mais adequadas para a situação, uma vez que essas empresas costumam cobrar taxas para remarcações ou cancelamentos.

“Algumas empresas aéreas já entraram em contato conosco para divulgar os procedimentos a serem tomados nesses casos. Estamos conversando com outras companhias e com a rede hoteleira para definir as melhores soluções.” diz Michelle.

A presidente da Abav também orienta que os turistas procurem o quanto antes suas agências, para o melhor direcionamento; “Pedimos que os turistas tenham paciência para aguardar o desenrolar da situação. Esperamos que melhore. Mas orientamos para que procurem as agências que estão preparadas para dar o suporte.”

Michelle cita as mudanças dos turistas que tinham viagens planejadas para a Ásia, continente onde surgiu o coronavírus. Ela revela que grande parte optou pelo adiamento; “A maioria das pessoas que tinham viagens marcadas para a Ásia fez o remanejamento para o segundo semestre ou para uma oportunidade futura.”

Secretarias querem intensificar ações básicas
Com o primeiro caso de coronavirus confirmado no Brasil, a Sesap e a Secretaria Municipal de Saúde informaram que devem intensificar as ações para manter a população informada e atenta quanto ao vírus que vem se espalhando nos países do mundo.

No caso da Sesap, segundo Alessandra Lucchesi, o protocolo que foi iniciado no último 31 de janeiro será intensificado junto às equipes de saúde e aos municípios.

“O que muda é a intensificação das ações, que permanecem as mesmas. A atenção é redobrada e temos a inserção de 16 países na lista que podem ser considerados vínculo epidemiológico para casos suspeitos. Então a gente já espera que tenha um aumento considerável das possíveis suspeitas. O que vamos ter que mudar é a sensibilização da rede para esses critérios que já estavam sendo feitos. Vamos ter que intensificar ainda mais para homogeneizar a informação”, disse.

No caso dos aeroportos e nos portos, Alessandra Lucchesi informou que essa fiscalização e avaliação de possíveis casos está sendo feita por parte da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Há protocolos para os mais diversos tipos de pacientes, segundo ela, que estão alinhados com os aeroportos e os portos. “Isso está bem desenhado”, aponta.

“Essas pessoas recebem orientações necessárias caso apresentem os sinais e como devem proceder. Tem pessoas nos aeroportos dando orientações, o MS está para lançar um aplicativo para quando a pessoa chegar no Brasil receber essas informações através do celular”, disse.

Em contato com a reportagem, a Inframérica, que administra o Aeroporto Internacional Aluízio Alves, em São Gonçalo do Amarante, disse que “está se reunindo semanalmente com a Anvisa para dar o tratamento correto aos funcionários e passageiros. Nós estamos seguindo todas as orientações que são passadas pela Anvisa”, disse.

“O Aeroporto de Natal vem adotando medidas. Estamos divulgando telas informativas sobre a prevenção à doença nas telas das salas de embarque (doméstica e internacional) e áreas públicas. Nelas explicamos o que é a doença, como ela é propagada e quais são as formas mais eficientes de se prevenir. Também estão sendo emitidos, de 1h em 1h, avisos sonoros em português, inglês, espanhol e mandarim sobre o coronavírus”, disse.

Em janeiro de 2020, segundo dados do Aeroporto de Natal, foram 80 voos internacionais e 11.547 passageiros que circularam pelo terminal. O Aeroporto tem voos para Lisboa, em Portugal, Amsterdã, na Holanda, e Buenos Aires, na Argentina.

A atenção para o caso confirmado no Brasil também chegou a SMS Natal. A diretora de Vigilância em Saúde, Juliana Araújo, disse que as Unidades de Pronto Atendimento da capital potiguar e os profissionais já receberam orientações para caso cheguem pacientes com a sintomatologia do vírus.

“Antes mesmo de ser divulgado o protocolo do Estado, nós liberamos nota técnica no início de janeiro em relação ao que era o vírus, como o profissional de saúde deveria se comportar ao ver um caso suspeito, a sintomatologia, como seria essa coleta de exames realizados. A rede do município está padronizada, temos um protocolo escrito”, aponta. Uma capacitação entre profissionais da rede, inclusive, está marcada para esta quinta-feira (27).

“A produção da informação e a repetição. Esse processo de intensificar a gente pede para que os hospitais tenham rotinas para fazerem conversas com os seus profissionais, para estar alinhando semanalmente, não só coisas pontuais. Esse protocolo está alinhado tanto na rede pública quanto na privada”, completou Alessandra Lucchesi, da Sesap.

Veja como se dá a transmissão do vírus

Como o novo coronavírus é transmitido?
As investigações sobre transmissão do novo coronavírus ainda estão em andamento, mas a disseminação de pessoa para pessoa está ocorrendo.

Alguns vírus são altamente contagiosos (como sarampo), enquanto outros são menos. Ainda não está claro com que facilidade o novo coronavírus se espalha de pessoa para pessoa.

Apesar disso, a transmissão dos coronavírus costuma ocorrer pelo ar ou por contato pessoal com secreções contaminadas, como:

Gotículas de saliva;

Espirro;

Tosse;

Catarro;

Contato pessoal próximo, como toque ou aperto de mão;

Contato com objetos ou superfícies contaminadas, seguido de contato com a boca, nariz ou olhos.

Os coronavírus apresentam uma transmissão menos intensa que o vírus da gripe e, portanto, o risco de maior circulação mundial é menor.

O vírus pode ficar incubado por duas semanas, período em que os primeiros sintomas levam para aparecer desde a infecção.

Como prevenir o novo coronavírus?
O Ministério da Saúde orienta cuidados básicos para reduzir o risco geral de contrair ou transmitir infecções respiratórias agudas, incluindo o novo coronavírus. Entre as medidas estão:

Evitar contato próximo com pessoas que sofrem de infecções respiratórias agudas;

Realizar lavagem frequente das mãos, especialmente após contato direto com pessoas doentes ou com o meio ambiente;

Utilizar lenço descartável para higiene nasal;

Cobrir nariz e boca quando espirrar ou tossir;

Evitar tocar mucosas de olhos, nariz e boca;

Higienizar as mãos após tossir ou espirrar;

Não compartilhar objetos de uso pessoal, como talheres, pratos, copos ou garrafas;

Manter os ambientes bem ventilados;

Evitar contato próximo a pessoas que apresentem sinais ou sintomas da doença;

Evitar contato próximo com animais selvagens e animais doentes em fazendas ou criações.

Quais são os sintomas do novo coronavírus?
Os sinais e sintomas clínicos do novo coronavírus são principalmente respiratórios, semelhantes a um resfriado. Podem, também, causar infecção do trato respiratório inferior, como as pneumonias.

Os principais são sintomas são:
Febre.

Tosse.

Dificuldade para respirar.

Como agir
Em caso de uma pessoa apresentar os sintomas do coronavírus, os potiguares podem ligar para três telefones diferentes para darem entrada nas unidades especializadas e fazerem os exames. Esses números são do Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde, da Sesap.

No entanto, vale salientar que estar com os sintomas da doença não necessariamente significa que o usuário contraiu o vírus. Por isso, autoridades e especialistas tem utilizado o termo “vínculo epidemiológico”, isto é, a pessoa ter tido contato com pessoas dos países afetados ou ter viajado a um dos locais que têm casos confirmados.

São eles: China, Japão, Coréia do Sul, Coréia do Norte, Singapura, Camboja, Vietnã, Tailândia, Alemanha, Austrália, Emirados Árabes, Filipinas, França, Irã, Itália, Malásia.

Os telefones:
(84) 98102-5948 (Whatsapp),

0800 281 2801 (das 7h às 17h)

3232-2801 (das 7h às 18h).









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