Faltam especialistas para ampliar rede de UTI no RN para pandemia

Publicação: 2020-03-27 00:00:00
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Luiz Henrique Gomes
Repórter

A rede de saúde do Estado do Rio Grande do Norte não tem médicos infectologistas e intensivistas suficientes para dar conta da pandemia do novo coronavírus e permitir a expansão do número de leitos de UTI como planejado. Nenhum médico das especialidades citadas está entre os 970 profissionais de saúde convocados no último dia 14 pela Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sesap) para atuar no atendimento dos pacientes com Covid-19. Como solução, a Sesap afirma que vai realizar recrutamentos emergenciais através da contratação temporária inicial de 22 infectologistas e 121 intensivistas na semana que vem.

Créditos: Alex RégisA falta de médicos intensivistas impede que 136 leitos de UTI e UCI anunciados pelo Estado sejam implantados e funcionemA falta de médicos intensivistas impede que 136 leitos de UTI e UCI anunciados pelo Estado sejam implantados e funcionem


Segundo a subcoordenadora das relações de trabalho da Saúde, Renata Nascimento, a convocação dos profissionais foi feita para diminuir o déficit de profissionais de saúde existente antes mesmo da pandemia do novo coronavírus, mas não é suficiente para expandir leitos de UTI, necessários na assistência aos casos mais graves de Covid-19. Como foi dos aprovados no concurso realizado em 2018, os infectologistas e intensivistas (adultos e pediátricos) ficaram de fora porque já haviam sido convocados antes. 

"Apesar da gente ter conseguido autorização para preencher o que estava vago, a Sesap não tinha pessoas aprovadas na lista de espera para conseguir nomear esses cargos ligados à assistência intensiva", explicou nesta quinta-feira, 26.

A reportagem solicitou à Sesap quantos infectologistas e médicos intensivistas adultos e pediátricos atuam hoje na rede pública de saúde, contando com médicos efetivos (concursados) e contratados (cooperativas médicas). Entretanto, não houve resposta até a publicação desta matéria.

A contratação temporária dos profissionais é defendida pela subcoordenadora porque se trata de um planejamento para leitos igualmente temporários. Ela afirma que o recrutamento da semana que vem é para o momento atual da pandemia no Rio Grande do Norte e não descarta que outros podem ser feitos no futuro caso o quadro se agrave. 

"Muitos desses leitos não ficarão após a emergência do novo coronavírus, então por esse e outros motivos (como financeiros) a necessidade é de recrutamento excepcional", argumentou. "À medida que o Estado tiver que aumentar ainda mais leitos por causa do avanço do vírus, podemos fazer outras contratações."

Além das especialidades citadas, o recrutamento também vai contemplar enfermeiras e técnicas em enfermagem, fisioterapeutas, higienistas e maqueiros. Com exceção das duas últimas, as categorias tiveram profissionais entre os 940 convocados, mas esbarra em dificuldades burocráticas e outros imprevistos. De 27 enfermeiros convocadas, por exemplo, apenas 11 assumiram o cargo e 9 estão atuando porque duas novas enfermeiras estão grávidas. "Com o ritmo atual e esses imprevistos fica difícil abrir leitos porque a cada eu só consigo formar uma escala de enfermeiros a partir de 7. Ou seja, até agora só conseguimos uma escala a mais de enfermeiros", complementou Nascimento.

Cerca de 230 profissionais assumiram os cargos, passados 12 dias após a convocação. A Sesap tenta agilizar o trâmite burocrático com a dispensa temporária dos exames clínicos necessários para começar a trabalhar. Em um período normal, leva-se em média 90 dias entre a convocação e o início da atuação na rede. Uma portaria publicada pelo Estado flexibilizou esse critério porque os convocados alegaram dificuldades de conseguir os laudos médicos durante medidas restritivas decorrente dos casos do novo coronavírus.

Para Nascimento, apesar de não ser suficiente, a quantidade convocada e que assumiu gerou um impacto positivo no atendimento à saúde. "Havia um déficit, então não deixa de ter um impacto positivo. Não é suficiente, mas tem impacto de técnicos de enfermagem e enfermeiros, por exemplo. Esses médicos também estão no interior, onde o déficit em algumas cidades era muito alto", comentou.

A pasta da Saúde atua em contato com as instituições superiores para antecipar a formatura de alunos de medicina, iniciativa que também é pretendida pelo governo federal, para ter profissionais disponíveis no recrutamento.

Outra frente para aumentar o número de infectologistas e intensivistas disponíveis na rede de saúde durante a pandemia são com as cooperativas médicas, que já possuem contrato com o Estado. Entretanto, segundo Renata Nascimento, as cooperativas também não possuem médicos suficientes. "Conseguimos que as cooperativas colocassem uma escala a mais no Hospital Giselda Trigueiro (referência estadual para o tratamento dos casos graves da Covid-19), mas não estão em condições de formar outras escalas", disse.

A falta de médicos intensivistas, por exemplo, impede que 136 leitos de UTI e UCI anunciados pelo Estado sejam implantados e funcionem. A Sesap quer garantir a contratação desses médicos antes que a rede atual entre em colapso. O Estado funciona com praticamente todos os 463 leitos de UTI ocupados.








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