Sesap não terá verba para temporários

Publicação: 2017-11-14 00:00:00 | Comentários: 0
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Luiz Henrique Gomes e Mariana Ceci
Repórteres

O secretário estadual de Saúde Pública, George Antunes afirmou que a saúde pública do Rio Grande do Norte entrará em colapso caso não haja a contratação de 553 profissionais temporários em 2018. O processo seletivo para isso está em risco porque o orçamento previsto para a sua realização no ano que vem foi reduzido de R$ 13 milhões para R$ 3 milhões há cerca de 20 dias pela Secretaria de Planejamento (Seplan).  A mudança inviabiliza a admissão destes temporários e agrava o déficit atual de 3 mil servidores da Saúde.

Um dos problemas também enfrentados é a questão do desabastecimento
Um dos problemas também enfrentados é a questão do desabastecimento

“Eu não estou sendo alarmista, eu estou sendo sincero: se esse processo seletivo não acontecer, a saúde do Estado vai entrar em colapso”, declarou George Antunes. “Vai haver desassistências, serviços fechando por falta de profissionais. Não temos mais enfermeiros para trabalhar, não temos mais técnicos. Os poucos que se disponibilizam para dar horas extras e plantões já estão esgotados fisicamente dada a carga de trabalho”, completou.

Ainda segundo o secretário, o corte de recursos não foi justificado. Diante da ameaça de colapso, George Antunes se reúne nesta quinta-feira com o governador Robinson Faria, a chefe do Gabinete Civil Tatiana Mendes Cunha, secretário de planejamento Gustavo Nogueira, representantes do Tribunal de Contas do Estado e Ministério Público Estadual e Federal. A tentativa é garantir os R$ 13 milhões para realizar o processo seletivo. Ele acredita que conseguirá reverter a situação. “Eu acredito no bom senso do Governador e zelo para com a população do Rio Grande do Norte”, avaliou.

Sem concurso desde 2010, a Secretaria Estadual de Saúde (Sesap) sofre com a aposentadoria dos servidores. Segundo George Antunes, cerca de 1.300 já se afastaram somente este ano. De 2014 para cá, o número é de 3 mil.  Para tentar reverter a situação, a seleção dos temporários foi autorizada pelo governador Robinson Faria no dia 11 de outubro. Está prevista a contratação de médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, farmacêuticos, fisioterapeutas e técnicos de raio-x e laboratório. “Não é uma solução definitiva, mas ajuda a tirar a saúde dessa situação de calamidade”, disse George Antunes.

Outra alternativa encontrada foi a de iniciar contratos com cooperativas médicas. O custo, no entanto, é considerado alto pelo secretário: a Sesap gasta anualmente R$ 120 milhões com estes contratos. O orçamento total da pasta é em torno de R$ 850 milhões, segundo dados do Portal da Transparência.

Os contratos com as cooperativas são limitados porque apenas os serviços médicos são supridos, enquanto o déficit abarca enfermeiros e técnicos de enfermagem. Outro entrave é a dificuldade de encontrar profissionais para algumas áreas da rede estadual, como a pediatria do Hospital Maria Alice Fernandes.

A saúde pública do RN está em calamidade desde junho. A falta de medicamentos, equipamentos e pessoal foi um dos principais motivos que levaram o governador a decretar a situação de emergência por seis meses. Para diminuir a crise, o Governo Federal repassou R$ 150 milhões para incorporados ao orçamento da pasta. Os recursos foram suficientes para a compra de 90% dos insumos médicos e equipamentos que faltavam à época. “90% não é uma cifra que a gente fique confortável. Hospitais com administração própria estão bem com medicamentos, mas ainda faltam em alguns outros que os 10% acabam sendo caros para a sociedade”, citou George Antunes.


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