Sessenta anos de Psicose

Publicação: 2020-09-09 00:00:00
Alex Medeiros 
alexmedeiros1959@gmail.com 

Foi em junho de 1960 nos EUA e depois em agosto no Brasil que o filme Psicose, de Alfred Hitchcock, estreou nos cinemas. O cineasta britânico já era então um veterano da sétima arte com quatro décadas de atividade e umas quatro dezenas de produções. Aquele filme de suspense, em preto e branco, se tornaria um divisor de águas em sua carreira, sem precisar do auxílio luxuoso dos dois filmes anteriores, ambos com sucesso de crítica e público.

Hitchcock havia filmado Um Corpo Que Cai, em 1958, e Intriga Internacional, em 1959, alcançando com os dois filmes o auge do êxito comercial e efusivas críticas. No ano seguinte, surpreende o público e a mídia anunciando um filme de baixo custo, em preto e branco, escrito e produzido às pressas, e feito para a televisão. Os parcos US$ 800 mil do custo de filmagem, que hoje não pagam a folha de alguns times da série B do Brasileirão, só foram suficientes para escalar alguns atores desconhecidos e uma atriz famosa debaixo do chuveiro.
Foi essa a descrição que onze anos depois da estreia de Psicose que eu e dois amigos, todos na faixa dos 12 anos, fizemos pra turma da nossa rua ao assisti-lo lá no Cine São Sebastião, no Alecrim. O filme da mulher morta no banheiro.

A atriz, Janet Leigh, que dois anos antes foi destaque ao lado de Charlton Heston no filme A Marca da Maldade, ficaria marcada para sempre com a cena das mais icônicas da história do cinema. E a mais incrível de Alfred Hitchcock.

Até morrer, aos 77 anos, em 2004, Leigh jamais fechou a porta do banheiro quando ia tomar banho. Muito provavelmente, não foram poucas as pessoas que passaram a ter o mesmo temor após ver a cena da faca e ouvir a trilha.

Com psicose, Hitchcock inseriu numa mesma fita todas as suas obsessões, marcas registradas da sua criação: um policial aético, voyeurismo, gente psicótica, matriarcalismo dominante, mulher desonesta e uma heroína loira.

No livro “Alfred Hitchcock e os Bastidores de Psicose”, o autor Stephen Rebello deixa evidente que o diretor e produtor sempre desprezou o código de produção de Hollywood, que desde os anos 30 impunha regras morais rígidas.

Na seleção de censuras hollywoodianas, ele desrespeitou as três mais graves com aquele filme. Juntou sexo, nudez e violência, principalmente na cena mais importante. A faca na mão, o corpo de Janet e o sangue viraram um clássico.

O mais incrível para uma tomada sessenta anos atrás é que não há a faca cortando a mulher, mais a violência implícita incrementa o suspense. A calda de chocolate da marca Bosco e uns pedaços de melancia deram o tom do real.

Para gerar a cena, foram feitas 78 tomadas e o diretor gritou “corta” 52 vezes antes da versão final. Tudo para criar uns segundos de terror que até hoje geram apreensão nos assistentes das novas gerações que cultuam Hitchcock.

Ele se inspirou no filme francês “As Diabólicas”, de 1955, e no romance “Psycho”, de Robert Bloch, de 1959 (e manteve o título). Além de adquirir os direitos autorais, Hitchcock comprou também todos os livros em circulação.

Queria tanto manter o suspense no fim da trama, que deu ordens para os cinemas não permitir que ninguém entrasse na metade da projeção para continuar na sessão seguinte. Achava primordial manter o elemento surpresa.

De um repertório imenso de obras produzidas entre os anos 1920 e 1980, Psicose é sem dúvida o filme mais famoso de Alfred Hitchcock, que teve uma repercussão extraordinária na época, principalmente no boca a boca, e lhe deu lucros de US$ 32 milhões (que valem hoje meio bilhão de dólares). Uma obra de arte, um clássico entre os maiores clássicos da história do cinema.

Créditos: Divulgação

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