Setor de flores projeta guinada

Publicação: 2012-05-20 00:00:00
Cleonildo Mello
da Agência Sebrae RN

Produtores e empresas ligadas ao segmento de flores, folhagens e plantas ornamentais da Grande Natal poderão faturar até R$ 11,8 milhões por ano até 2017, quase o dobro dos R$ 6,1 milhões que são movimentados atualmente na região. O maior desempenho pode ser alcançado pelo setor de plantas ornamentais para paisagismo e jardinagem, que deve crescer nos próximo cinco anos 35% e movimentar R$ 6,4 milhões. Já o ramo de flores e folhagens de corte e envasadas poderá faturar R$ 5,4 milhões. A participação dos produtores de flores locais também deverá acompanhar o ritmo de crescimento e saltar dos 9% para até 20% do mercado.

As projeções fazem parte do estudo realizado pela empresa paulista Hórtica Consultoria, a pedido do Sebrae no Rio Grande do Norte, junto à cadeia produtiva das flores e plantas ornamentais da região metropolitana de Natal. A proposta é consolidar um plano de marketing para o setor, voltado para a Copa de 2014, com definição dos mercados alvo, posicionamento e mix de produtos com foco no Mundial de Futebol. Os resultados e as ações estratégicas foram apresentados na última terça-feira pelos consultores Antônio Hélio Junqueira e Márcia Peetz, que desde novembro do ano passado levantam dados do setor e orientam os empresários potiguares ligados a essa cadeia produtiva.

A ideia é impor um crescimento acelerado, principalmente nos próximos dois anos, através de estratégias e ações de marketing coordenadas, e ampliar o consumo dos produtos. “O objetivo do nosso trabalho é traçar ações planejadas para acelerar o crescimento da cadeia produtiva”, diz Hélio Junqueira. Sem as intervenções, a estimativa é que o segmento mantenha um crescimento médio perto de 10% e chegue em 2017 faturando R$ 10 milhões por ano – R$ 1,8 milhão a menos que o potencial previsto para o setor. Atualmente, o Rio Grande do Norte responde por 0,17% da área cultivada no Brasil para flores e plantas ornamentais. O número de produtores equivale a 0,4% do quantitativo nacional.

A produção própria de flores e folhagens abastece, no máximo, 10% da demanda local, no entanto, pela capacidade instalada atual, o RN teria condições de abocanhar até 18% do mercado, que movimenta hoje R$ 2,8 milhões por ano. Esse valor deve crescer para no mínimo R$ 4,6 milhões em cinco anos. O restante vem principalmente de São Paulo, que abastece o mercado potiguar com rosas, alstroemérias, tango, gipsofilas, crisântemos, margaridas, lírios, avencão, ruscus e proteas. Além disso, o RN enfrenta a concorrência de outros estados nordestinos, como Ceará e Pernambuco.

Na área de plantas ornamentais para paisagismo e jardinagem, a situação é um pouco melhor. A produção local atende a 38% do mercado, mas as importações imperam com 62% de participação.  

Produtores terão plano de marketing
O levantamento dos números que envolvem os negócios da cadeia produtiva das flores e plantas ornamentais na região Metropolitana de Natal serviu de base para implantar o Plano de Marketing para Flores e Plantas Ornamentais da Grande Natal. O documento foi elaborado pelos consultores da empresa paulista Hórtica Consultoria e integra as ações para o setor de floricultura do estado dentro do programa Sebrae 2014, iniciativa que prepara as micro e pequenas empresas para as oportunidades geradas pela realização de grandes eventos esportivos, como a Copa do Mundo e as Olimpíadas no Brasil.

O plano contempla programas e ações de fidelização da clientela, adoção de estratégias de crescimento acelerado com o desenvolvimento de produto, acessos a mercados e estratégias de diversificação.

Entre as sugestões propostas para ampliar a lucratividade na cadeia produtiva, estão campanhas de informação, orientação e educação do consumidor, promoção da identidade regional do bioma, da flora, da cultura, da arte floral e do paisagismo local, implantação de campanhas promocionais, participação em eventos públicos, cerimoniais, feiras de negócios, criar campanhas de propaganda focadas nas diversas mídias regionais. “Queremos propor um composto de marketing para essa cadeia produtiva de modo que possa atingir o máximo do potencial identificado”, ressalta o consultor Antônio Hélio Junqueira, que, juntamente com Márcia Peetz, elaborou o diagnóstico do setor.

E a recomendação é que os empreendedores potiguares passem a investir no mercado local e abdiquem do internacional, cujas compras estão em baixa devido à crise do Euro e à recessão nos Estados Unidos, e dos mercados regionais, já que outros estados estão com o setor mais consolidado.