Setor mineral impulsiona economias no interior

Publicação: 2012-12-13 00:00:00
Rio (AE) - A alta no preço do minério de ferro reduziu a participação das capitais no PIB brasileiro para o menor patamar desde 1999, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A fatia desses municípios na geração de riqueza do País passou de 34,5% em 2009 para 34,0% em 2010.
Mina em Ouro Preto (MG): a cidade foi uma das que ganharam participação no PIB, segundo o IBGE
A indústria ganhou participação impulsionada pelo avanço no PIB da atividade extrativa mineral, beneficiada por aumento nos preços das commodities minerais. Dessa forma, os municípios que aumentaram seu peso na geração de riqueza em 2010 foram os produtores de minério, geralmente afastados das capitais dos Estados.

“Todas as vezes em que as commodities minerais estão boas, as capitais perdem peso. Quem ganha peso são os municípios (produtores) que estão longe das capitais”, justificou Sheila Zani, gerente da Coordenação de Contas Nacionais do IBGE.

Os três municípios que mais ganharam participação no PIB foram puxados pela bonança na produção de minério: Parauapebas (PA), com uma fatia de 0,4% no PIB nacional; Itabira (MG), com 0,2%, e Ouro Preto (MG), com 0,1%.

“As capitais vão perder importância relativa no PIB não por essa queda de agora, que foi causada por preços das commodities. A perda de participação, que vem de 15 anos para cá, é provocada pela interiorização do desenvolvimento. Há cidades do interior que estão crescendo mais do que as capitais”, ressaltou Paulo Pacheco, professor de Economia do Ibmec. “É uma mudança estrutural, lenta”.

No entanto, a riqueza no País permanece bastante concentrada. Apenas seis municípios foram responsáveis por cerca de 25% do PIB em 2010. São Paulo manteve a liderança, com 11,8% do PIB brasileiro. Mas houve perda de participação em relação a 2009, quando esse porcentual era de 12,0%, devido ao desempenho mais fraco da indústria de transformação e comércio e serviços de reparação e manutenção. Os demais foram Rio de Janeiro (com 5,0% do PIB), Brasília (4,0%), Curitiba (1,4%), Belo Horizonte (1,4%) e Manaus (1,3%).

Na avaliação do IBGE, esses municípios têm em comum a concentração da atividade de Serviços - Intermediação financeira, comércio e administração pública, com exceção de Manaus, em que há um equilíbrio maior na economia entre a atividade industrial e a de serviços. A ordem entre os primeiros da lista manteve-se a mesma registrada em anos anteriores. Mas, n34o ranking geral, houve perda de participação de municípios produtores de soja, devido à queda de preços no mercado internacional, enquanto os produtores de minerais ganharam posições.

Municípios têm alta renda per capita, mas baixo IDH

Rio de Janeiro (ABr) - Os municípios que apresentam as maiores rendas per capita do país aparecem mal colocados no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). A situação paradoxal é explicada porque a renda per capita é resultado matemático simples da receita do município dividida pela população, sem levar em conta a distribuição dessa renda nem estatísticas sociais, como saúde ou educação.

O campeão da renda per capita é São Francisco do Conde (BA), com 33.172 habitantes e R$ 296.885,00 de renda per capita, mas que amarga a 2.743ª posição na lista do IDH dos municípios brasileiros. A distorção acontece porque o município, com IDH de 0,714, tem uma população pequena, mas abriga uma das maiores refinarias do país. Em segundo lugar, na lista do IBGE, está Porto Real (RJ), com 16.574 habitantes e uma renda per capita de R$ 290.834,00. O IDH do município, que possui uma grande montadora de automóveis, é de 0,743, ocupando o 2.082º lugar no país.

Em terceiro lugar, o município de Louveira (SP) abriga centros de distribuição de grandes empresas, o que elevou o PIB per capita para 239.951,00. São 37.153 mil habitantes, que usufruem um IDH de 0,80, o que os colocam na 565ª posição no país.

 Em quarto, está o município de Confins (MG), com renda per capita de R$ 239.774,00 e IDH de 0,773, no 1.233º lugar, beneficiado pelas operações do aeroporto da cidade, que recebe a maior parte dos voos no estado. A cidade tem 5.943 habitantes. Na quinta posição, aparece Triunfo (RS), que abriga um polo petroquímico, com PIB per capita de R$ 223.848,00 e IDH de 0,788, em 869º lugar. O município tem 25.811 habitantes.

Entre as capitais, a maior renda per capita está em Vitória, com R$ 76.722,00, à frente de Brasília, com R$ 58.489,00. A boa posição da capital capixaba se explica pela baixa população, de um pouco mais de 325 mil habitantes, terceira menor do Brasil, e pelo Porto de Tubarão, por onde escoa boa parte do minério de ferro exportado pelo país.

No ranking do IDH, Vitória está com 0,856, em 18º lugar. O Índice de Desenvolvimento Humano é organizado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). Os dados mais recentes têm como referência o Censo 2000. O organismo promete atualizar o índice utilizando dados do Censo 2010 no início do próximo ano. O menor PIB per capita no Brasil foi o de Curralinho, no Pará, com R$ 2.269,82, onde havia predominância do extrativismo e agricultura de subsistência.