Setor precisa não só de chuva, mas também de investimento

Publicação: 2017-04-02 00:00:00 | Comentários: 0
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Em um contexto de  descapitalização do agricultor e consequente queda na produção,  efeitos da ausência de chuvas, a agricultura familiar é ainda mais atingida, observa o assessor técnico da Federação de Trabalhadores da Agricultura (Fetarn), Gilberto Silva. “As regiões do Oeste e Alto Oeste são mais atingidas neste segmento”, afirma. Além da confirmação de chuvas é preciso investimentos para o setor, segundo ele.
Central de Comercialização de Agricultura Familiar, aberta nesta semana, em Natal: Após dez anos, espaço foi restaurado e inaugurado
“Estamos com os reservatórios em 20% da capacidade. É preciso garantir a perfuração de poços, construir uma política de incentivos, que fomenta a atividade”, afirma Gilberto. O cenário desfavorável no setor tem resultado em frustração de safra, inadimplência e consequentemente endividamento.

O secretário estadual de Agricultura e Pesca, Guilherme Saldanha, estima que nos últimos anos a seca reduziu em 70% da produção de sequeiro no Estado – aquela que depende de chuvas. Mesmo com dificuldades, a Secretaria manteve a contrapartida  do Garantia Safra, que no último ano somou R$ 5 milhões. Para este ano, foram distribuídas 640 toneladas de sementes para cerca de 28 mil beneficiados.

“O Governo está implementando ações para termos uma retomada na produção, com garantia do Plano Safra, distribuição de semestre e agora com a Central que irá comercializar a produção dos pequenos agricultores familiares”, disse. Após dez anos, o espaço foi restaurado e começou a funcionar, na última segunda-feira (27), com 36 boxes e 50 barracas, numa área de 5 mil metros quadrados. O prédio com 36 boxes e 50 barracas, ocupa área de 5 mil metros quadrados.

Produção
Segundo informações da Emater, estudos mostram que  os agricultores familiares assistidos  tem uma produção por hectare superior a 300% em relação aos agricultores que não são atendidos pela assistência técnica e extensão rural.  Para este ano, a entidade tem a previsão de oferecer os serviços de assistência técnica e extensão rural a 95.137  agricultores familiares, com  pesquisa, inovação tecnológica e políticas públicas.

Ações estratégicas, como o programa de aquisição de alimentos (frutas, verduras, carne, pescados, leite e derivados, entre outros) tem sido desenvolvidas  para fortalecer e qualificar a merenda escolar, adquirindo os produtos pelo preço de mercado - sem a figura do atravessador.

Entre os anos de 2015 e 2016, cerca de 1 mil toneladas de produtos da agricultura familiar foram adquiridos através do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), o que resultou no repasse de R$ 4.4 milhões aos produtores pelo programa.

Em 2016, o Programa de Aquisição do Leite Potiguar adquiriu junto aos produtores familiares de leite, 25.292.32 litros de leite bovinos/caprinos, ao custo de  R$ 50,4 milhões que circularam entre os produtores. E pelo governo federal de 1.889.366 litros de leite de bovinos/caprinos e repassado para os produtores R$ 3,4 milhões.

BNB prevê R$ 130 milhões em crédito neste ano
Em crédito para agricultura familiar, o Banco do Nordeste tem previsto para este ano a concessão de R$ 130 milhões em financiamentos do Pronaf - já incluído o AgroAmigo (até R$ 15 mil) -, com recursos do FNE, que poderá ser ampliado de acordo com a demanda. Com a renegociação da dívida rural pela lei 13.340, que oferece liquidação e renegociação das dívidas rurais contraídas até dezembro de 2011, com descontos que podem chegar até 95% do montante, a expectativa é de superar o montante.

“Com a renegociação de dívidas, à medida em que se vai renegociando ou quitando o que está em atraso ou inadimplente, o produtor se habilita a contratar novo crédito, então, esperamos superar essa meta de R$ 130 milhões até o final do ano”, afirma o gerente executivo do Pronaf no BNB, Orlando Gadelha Lima Sobrinho.

Nos dois primeiros meses do ano, o BNB realiza 4.729 contratos de financiamento para agricultura familiar que somam R$ 21,5 mil em concessão de crédito. Em 2016, foram realizadas 28.358 operações com R$ 136,4 milhões em financiamentos. O montante é 5,3% maior do que o total de financiamentos para este setor em 2016, quando somou R$ 129,5 milhões em 25,862 operações.
Em geral, explica Orlando Gadelha, a maior parte dos produtores familiares contraem o empréstimo para investir em atividades da pecuária. “Cerca de 60% a 70% é para compra de animais, bovinocultura leiteira ou caprinos e ovinos, além da aquisição de equipamentos como ordenhadeira, forrageira, plantio de pastos para alimentar o gado”, afirma. E ainda para outras atividades do meio rural, como agroindústrias para o beneficiamento de castanha, mel, produção de polpa, geleia e doces.

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