Shell compra petroleira e vira gigante do pré-sal

Publicação: 2015-04-09 00:00:00 | Comentários: 0
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Rio e Londres (AE) - Ao adquirir a petroleira britânica BG, a anglo-holandesa Shell passou a responder, da noite para o dia, por 16% da produção atual no pré-sal brasileiro e por 6% da produção nacional de petróleo e gás. Com a união entre as duas companhias, a nova gigante europeia do setor energético prevê que será a "principal parceira" da Petrobras no País, com uma produção que pode ser multiplicada por dez até o fim da década.

A aquisição da BG pela Shell, por 47 bilhões de libras (cerca de US$ 69 bilhões), foi anunciada ontem. A compra, que ainda depende da aprovação das autoridades regulatórias, é o maior negócio da década envolvendo empresas do setor de energia e gás

Os atuais acionistas da BG, antiga British Gas, serão donos de cerca de 19% da nova empresa, que será controlada pela Shell. O negócio dá origem a uma nova gigante do pré-sal. Do total de 750 mil barris de óleo equivalente (boe, que inclui petróleo e gás natural) extraídos diariamente da região do pré-sal, 120,9 mil barris passam a pertencer à Shell. Até então, sua presença no pré-sal não passava de uma perspectiva. A empresa detém 20% do campo de Libra, que só vai dar resultados a partir de 2019.

Do ponto de vista financeiro, a entrada da Shell no pré-sal é positiva para a Petrobras porque substitui uma parceira da estatal que passa por dificuldades de investimento desde que a cotação do barril do petróleo despencou, em outubro do ano passado.

"A combinação dos negócios vai melhorar a posição da Shell como detentor de grandes reservas e investidor no Brasil, com potencial de aumentar a produção da Shell de 52 mil barris equivalentes de petróleo dia, em 2014, para estimativa de 550 mil barris por dia para o grupo combinado no fim da década", diz a Shell.

O executivo-chefe da Shell, Ben van Beurden, fez elogios ao Brasil ao apresentar os detalhes da oferta. Questionado por um analista sobre os riscos de o novo gigante do petróleo sofrer com os reflexos da crise que afeta a Petrobras, tentou não demonstrar preocupação.

A Shell está no País há 100 anos, com forte atuação na distribuição de combustíveis. Com a compra da BG, aumentou em quatro vezes sua produção no Brasil e passa da quinta posição no ranking das maiores empresas do País para a segunda, atrás da Petrobras, de quem ainda mantém distância significativa.

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