Shoppings adotam novo perfil

Publicação: 2018-01-21 00:00:00
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Ricardo Araújo
Editor de Economia

Da tradicional loja de camisetas e calças jeans, passando pelos restaurantes, cinemas e, mais recentemente, clínicas, academias e estúdios de tatuagens, os shoppings centers deixaram de ser complexos de compras e se tornaram centros de convivência que oferecem cada vez mais praticidade aos clientes. Com o objetivo de reunir “tudo num só lugar”, os investimentos no setor não param de crescer e, somente em 2017, superaram R$ 10 milhões no Rio Grande do Norte.  Para este ano, a expectativa dos maiores shoppings locais é oferecer ainda mais serviços à clientela, cujo maior tempo de permanência nos referidos complexos comerciais reflete diretamente no faturamento.

Créditos: Alex RégisShoppings oferecem não somente mais produtos, mas serviços que vão da costura à tatuagemShoppings oferecem não somente mais produtos, mas serviços que vão da costura à tatuagem

Shoppings oferecem não somente mais produtos, mas serviços que vão da costura à tatuagem (foto: Alex Régis)

“Se em tempos mais distantes os shoppings eram visitados com o fim específico de realizar compras, atualmente, pela própria iniciativa dos shoppings que se preocuparam em aumentar a frequência oferecendo mais segurança e conforto, opções de lazer, gastronomia e serviços, atraem o cidadão que desfruta de horas agradáveis nesse ambiente”, analisa o diretor institucional da Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop), Luís Augusto Ildefonso Silva. Com novos horizontes a serem desbravados e perspectivas de crescimento no entorno dos 7% para este ano, pelo menos 26 novos empreendimentos deverão entrar em operação no país.

De acordo com o superintendente do Natal Shopping, Felipe Furtado, a tendência do mercado é aliar o que ele denomina como os três pilares de desenvolvimento do setor: mix de varejo convencional, entretenimento e lazer, além dos serviços. “Quando o shopping se posiciona bem no item serviço e entretenimento, isso responde no varejo. São mais alternativas para consumir. Essa é uma tendência no mercado de shoppings centers em todo o mundo, não se resume à realidade nacional”, diz. Nos últimos dois anos, o Natal Shopping, um dos mais antigos da capital, passou a oferecer serviços de academia de ginástica, clínica médica, estúdio de tatuagem e, com previsão de abertura para março próximo, mais um centro de atendimento do Departamento Estadual de Trânsito (Detran/RN).

“A captação de novas operações a gente faz olhando para o mercado é analisando o que há disponível. O varejo deixou de ser o objetivo primordial. Hoje, o movimento do shopping é garantido, ao longo da semana pela prestação dos serviços, e, nos fins de semana e feriados, pelas ações de lazer e entretenimento”, declara. A solidificação dos pilares mencionados por Felipe Furtado anteriormente possibilitou, em 2017, aumento de 5% nas vendas do Natal Shopping e abertura de 29 novas operações (lojas e quiosques). Para este ano, a previsão é inaugurar 20 novos negócios na área interna do empreendimento.

No Midway Mall, o maior shopping da zona Leste da capital, os clientes passaram a contar com os serviços de academia e clínica médica e odontológica no último ano. Os empreendimentos ocupam áreas com 1.200 e 108 metros quadrados, respectivamente.  “Estamos sempre trabalhando para aprimorar o nosso mix de lojas e oferecer ao cliente o que há de melhor e mais moderno no mercado. Buscamos trazer sempre as principais marcas do varejo, podendo ser multimarcas, franquias, grifes, serviços, restaurantes ou lojas de departamento, o importante é a fidelização dos nossos clientes. Para 2018 teremos várias novidades que serão divulgadas no decorrer do ano”, adianta Suely Campelo, gerente de Marketing do Midway Mall.

Ambientação

Além da mudança operacional, deixando o viés exclusivamente varejista e ampliando os negócios para os serviços e lazer, os shoppings centers passaram a investir, também, numa ambientação mais agradável à clientela. Essa é a análise da gerente de Marketing do Praia Shopping, Danielle Leal. “Os shopping também mudaram, se transformaram. Muitos hoje investem em ambientação, arquitetura para que o cliente se sinta mais confortável e passe mais tempo. Estamos deixando de ser centros de compras para nos tornarmos centros de convivência”, avalia.

Como parte desse processo de modificação para adaptação à demanda do usuário, o Praia Shopping inaugurou, no final do ano passado, uma academia no topo do edifício-garagem com 1.200 metros quadrados. Semana passada foi a vez da abertura de um complexo clínico com outros 1.400 metros quadrados na área interna do shopping. Nele estão integrados laboratórios, clínicas e prestadores de serviços na área da saúde. “Nosso objetivo, com essas novas operações, é facilitar a vida do cliente”, afirma Danielle Leal.

Números
Veja abaixo quanto o setor de shoppings movimenta no País.

R$ 147,5 bilhões foi o faturamento em 2017;

773 shoppings centers em operação no país atualmente;

124 mil pontos de vendas;

1,3 milhão de trabalhadores;

Fonte: Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop)



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