Show de adaptação: eventos presenciais continuam impossibilitados de acontecerem

Publicação: 2020-10-24 00:00:00
Tádzio França
Repórter

O ano está chegando ao fim e a área cultural ainda se ressente dos efeitos da pandemia. Apesar dos diversos editais de fomento e da flexibilização gradual, eventos presenciais como shows, peças, espetáculos e festas continuam impossibilitados de acontecerem para grandes públicos. As reinvenções e adaptações deverão seguir como alternativas para muitos projetos até o fim do ano. Produtores e órgãos de cultura locais fazem suas projeções e tentativas dentro dos protocolos.

Créditos: Brunno MartinsO Fest Bossa & Jazz é um dos eventos potiguares que melhor soube se adaptar às restrições. Sem poder contar com o público, como em anos anteriores, adotou o virtual, depois híbrido e agora fará drive-inO Fest Bossa & Jazz é um dos eventos potiguares que melhor soube se adaptar às restrições. Sem poder contar com o público, como em anos anteriores, adotou o virtual, depois híbrido e agora fará drive-in

A Fundação Capitania das Artes e a secretaria municipal de cultura adiantam que a capital potiguar não contará em 2020 com nenhum grande evento presencial de fim de ano. “Apesar das flexibilizações da prefeitura, a rigidez dos protocolos é muito complicada do ponto de vista operacional. Por isso é mais prudente não fazer”, afirma Dácio Galvão, presidente da Funcarte.

No entanto, há as alternativas possíveis, ainda em colaboração com o uso da internet. O secretário adiantou que a fundação foi procurada pela Destaque Promoções, a tradicional produtora responsável, entre outros eventos, pelo Carnatal. A idéia é fazer lives em formato híbrido com grandes shows, que seriam transmitidos online da Arena das Dunas. Terá toda a estrutura com banda, palco, luzes, som, mas sem a platéia.

Dácio Galvão ressalta que ficou empolgado pela proposta, o que considerou um projeto inclusivo. “Apesar de não ter o púbico, ele ainda pode gerar muita empregabilidade, pois envolve músicos e equipes de bastidores. É um projeto que contempla os trabalhadores da cultura”, diz. Para o gestor, as atividades online ainda vão continuar por um bom tempo, mesmo em 2021.

Crispiniano Neto, gestor da Fundação José Augusto, afirma que qualquer passo adiante nos terreno dos eventos presenciais só será dado após muitos estudos e projeções. “Nós já fizemos uma primeira reunião com os agentes de cultura, mas ainda vamos avaliar melhor cada caso pra poder ter uma clareza do que fazer em cada um dos espaços culturais disponíveis no estado”, declarou à Tribuna do Norte.

O gestor se refere aos teatros, que são quatro: em Natal o TAM, ainda em reforma, e o TCP, além dos de Caicó e Mossoró. As Casas de Cultura, que são 27 ao todo, com auditórios que vão de 60 a 160 lugares, alguns com ar condicionado. Os museus, que exigem um protocolo todo diferenciado, e a Cidade da Criança, que Crispiniano considera a estrutura mais complexa, que mesmo sendo ao ar livre, tem um público alvo que precisa de muito cuidado. “Então tudo isso precisa ser avaliado com mais calma, e já estamos fazendo. A gente perde um tempo, mas não podemos tomar uma decisão brusca e única”, afirma o gestor estadual. Ele ressalta ainda as escolas de musica e dança, que só poderão voltar às atividades presenciais quando a rede estadual de ensino abrir também.  

O Presente de Natal, o auto natalino mais tradicional da capital, com 23 anos de estrada, não vai sair de cena no ano da pandemia, garante a criadora Diana Fontes. Claro, o musical não estará nas ruas como nos outros anos, mas será encenado com toda estrutura e transmitido via online. “Apesar de tudo, não quis deixar de fazer. A gente precisa de coisas bonitas mais do que nunca”, diz. O vídeo terá legendas, audiodescrição, e até parceria para ser exibido na TV, visando aqueles sem internet.

Outro projeto de Diana Fontes é a volta do musical “Bye bye Natal” em formato presencial, mas restrito a apresentações no circuito hoteleiro. “Pretendo apresentar também numa casa de eventos, mas ainda não tem nada fechado. A idéia é transformar essa peça em atração turística”, explica. A produtora e coreógrafa acredita que 2021 carregará bastante aprendizado  do momento atual.

O Fest Bossa & Jazz é um dos eventos potiguares que melhor soube se adaptar às restrições da pandemia. Após passar pelas lives e pelo formato híbrido, o festival vai realizar sua primeira versão em drive-in. Será nos dias 30 e 31 de outubro, na praia da Pipa. O local deverá receber 183 carros por noite, cada um com até quatro pessoas, e seguindo todas as regras do protocolo higiênico. Na programação, destaques para Sandra de Sá, Ana Cañas, Khrystal e Liz Rosa, Mad Dogs, entre outros. O cadastro deve ser feito pelo Sympla, via redes sociais do evento.

Os shows ao vivo poderão ser visto pelas pessoas nos carros e também por internautas, pois serão todos transmitidos online. A produtora Juçara Figueiredo acredita que o formato drive-in é o mais próximo que se pode ter no momento dos antigos shows presenciais. “Há uma troca de energias real, o artista e o púbico sentem a emoção de estar ali. E acho que quem está na internet também”, afirma. O drive-in acontece via Lei Câmara Cascudo.

Aos que estão sentindo falta de uma pista de dança, a primeira festa presencial do gênero será realizada neste sábado, na Cervejaria Oktos, na Via Costeira. O local é aberto (open air), e receberá um público bem menor do que a sua capacidade – no máximo 700 pessoas. A ocasião é o aniversário do produtor de eventos e empresário Matheus Adma, que convocou o DJ superstar Jesus Luz para comandar a festa, ao lado de John Johny, Bruno Mooneyhan, Calife, Guga Holanda, DNIR e Mayyer.

Segundo Matheus, a festa seguirá todos os protocolos, com medida de temperatura, álcool em gel, e separação por mesa, lounge e camarotes. “É uma grande responsabilidade fazer a primeira balada presencial durante a pandemia. É meu aniversário e quis celebrar esse momento com mais pessoas, faço eventos há 11 anos. Espero que essa festa sirva como um sinal de que tudo vai melhorar daqui pra frente”, diz. O empresário pretende fazer mais eventos com público reduzido, incluindo um réveillon em Pipa ou Natal, dependendo dos protocolos.