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Show de Naná Vasconcelos será gratuito no Vila Hall
Publicado: 00:00:00 - 23/11/2011 Atualizado: 16:35:31 - 24/11/2011
Yuno Silva - repórter

A música instrumental será a trilha sonora que celebra os dez anos do Projeto Nação Potiguar hoje e amanhã na Via Costeira. As atrações convidadas para ilustrar a passagem da data na primeira noite é o trio Gereba Barreto, Danilo Guanais e Arismar do Espírito; a banda Macaxeira Jazz, o baterista Di Stéffano e percussionista Naná Vasconcelos são as atrações da segunda noite. As apresentações acontecem no Villa Hall sempre a partir das 19h30. As apresentações são gratuitas, segundo informou a produção.
Arimar do Espírito Santo promete quebrar geral, no bom sentido.
Projeto multicultural criado com o intuito de suprir a carência de registrar importantes bens imateriais que fazem parte da identidade cultural do norte-riograndense, o Nação Potiguar abraça desde as raízes populares e manifestações folclóricas até a música instrumental. A partir de um mapeamento sonoro, o Projeto envolve, há uma década, músicos, instrumentistas, historiadores e pesquisadores em torno do registro desses bens, a maioria ainda no campo da oralidade.

Quanto às atrações de hoje, o violonista e compositor Danilo Guanais faz as honras da casa com repertório autoral que passeia entre o erudito e o popular. Já o baiano Gereba Barreto foi buscar subsídios para seu trabalho musical nas festas e feiras populares. Intimamente ligado às raízes sertanejas, Gereba pensa a cultura como algo além da arte e busca afirmar através de sua música os valores que constroem a identidade de um povo. Tem 20 discos lançados no currículo, suas composições já foram gravadas por grandes intérpretes como Elizeth Cardoso, Fagner, Amelinha, Beth Carvalho, Dominguinhos, Paulo Moura, Oswaldinho do Acordeon, Dominguinhos e Paulinho Boca; e seu trabalho como arranjador pode ser conferido em álbum como os antológicos “Joia”, de Caetano Veloso, e “Contrastes”, de Jards Macalé.

Noite de improvisos

A atração principal desta quarta-feira é o multi-instrumentista Arismar do Espírito Santo. Contrabaixista, guitarrista, violonista, pianista e baterista, já foi considerado pela revista Guitar Player um dos dez melhores guitarristas do Brasil. Compositor e arranjador, iniciou carreira na década de setenta e acompanhou uma lista interminável de artistas consagrados de  Hermeto Pascoal a Dori Caymmi.

Na capital potiguar, se apresenta ao lado do trompetista Daniel D’Alcântara e do baterista Kleber Almeida. “Vamos fazer um show com muito samba, frevo, baião, maxixe, valsa e muito improviso. Vamos quebrar geral (no bom sentido!)”, diverte-se com seu bom humor característico. “Será uma apresentação melódica, mas com o espírito do improviso”, adianta o artista, em entrevista à TN por telefone.

Em seu novo trabalho, ainda em fase de produção, busca evidenciar o que chama de “o espírito da música”: “O clima é de encontro, informal. Sempre toquei dessa maneira, conto com o imaginário”, finaliza.

Naná Vasconcelos: “Estou estudando como tocar ar e fogo”

Percussionista de grandeza global, o pernambucano Naná Vasconcelos desembarca em Natal — pela primeira vez com banda completa — e traz na bagagem o CD “Sinfonia e Batuques” e o Grammy Latino na categoria Melhor Álbum de Raízes Brasileiras – Regional Nativa, prêmio conquistado no mês de novembro passado que consagra uma carreira internacional baseada no experimentalismo e no constante aprendizado. Mestre de cerimônia do encontro de maracatus durante o Carnaval do Recife há quase uma década, Naná Vasconcelos, do alto de seus 67 anos e 23 discos gravados em todas as partes do mundo, permanece com a mesma curiosidade de quando iniciou nos batuques há mais de cinco décadas.
Naná Vasconcelos, percussionista
Para se ter a dimensão de seu extenso currículo, pode-se destacar entre suas parcerias internacionais o guitarrista Pat Metheny, B.B. King, o violinista francês Jean-Luc Ponty e o grupo norte-americano Talking Heads de David Byrne – vale registrar que Naná morou em Paris e em Nova York, e se consagrou como o principal expoente da percussão brasileira.

Para falar sobre o show de amanhã, a conquista do Grammy, seu projeto de misturar maracatu com orquestra e a experiência de ‘tocar’ água (!), ninguém melhor que o próprio Naná, que concedeu, com extremo bom humor, a seguinte entrevista ao VIVER por telefone:

Naná, esta é a primeira vez que você vem a Natal com banda completa. O que pretende apresentar?

É bacana esclarecer que “Sinfonia e Batuques” foi gravado com orquestra, coral e tal, então devo apresentar alguma coisa desse novo repertório adaptada para o formato banda. Os músicos que trabalham comigo são multiinstrumentistas e, de repente, de uma banda de jazz temos um forró pé de serra. O cenário sonoro muda no decorrer da apresentação, e vamos apresentar uma mistura de composições de várias épocas.

E sua afirmação sobre a eterna busca pelo aprendizado. Qual seu último experimento?

Minha nova invenção é o ‘pinipan’ [risos], instrumento criado com pinico (de ágata, diga-se de passagem), panelas, bacias e caçarolas, e que ainda estou aprendendo a tocar – ainda não sei se é melhor usar colher de pau... [gargalhadas] como microfonar. Ainda estou estudando, trabalhando nisso. São essas descobertas e desafios que me instigam, necessito disso como músico, eu quero mais!

Como funciona a música feita na água? Você toca um instrumento dentro da água, o que são as células rítmicas?

Foi uma loucura [gargalhadas] que comecei a experimentar na praia, dentro do mar e continuei na piscina de casa. Funciona da seguinte forma: toco a água, e dependendo do tapa na superfície temos nuances de graves, médios e agudos. São esses sons que chamo de células rítmicas: gravo isso (coitadinhos dos microfones, molhei vários! - risos) e levo para trabalhar em programas de áudio para criar a melodia – a tecnologia ajudou muito nesse processo. Considero uma mistura orgânica e eletrônica, com resultado orgânico, vide a “Sinfonia das águas”. A partir disso, estou preparando um próximo disco, chamado “Quatro Elementos”, onde ‘tocarei’ água, fogo e ar – da terra já tenho o xaxado ‘tocado’ no chão. Ainda não sei como ‘tocar’ ar e fogo, mas já estou estudando.

E o Grammy, como recebeu a notícia de que foi o grande vencedor este ano?

Foi surpresa, já concorri outras vezes, mas desta foi surpresa mesmo! Um amigo enviou o material e acabou emplacando – pena que não pude ir à cerimônia de entrega do prêmio, pois estava aqui no Recife participando do Festival Internacional de Teatro de Objetos, durante o qual construí o ‘pinipan’ [risos]. Considero esse Grammy um gol de placa por não ter gravadora, é um disco independente e fui por fora, pelas beiradas. [risos]

Sua filha Luz Morena (12 anos), que toca piano e compôs três vinhetas neste álbum, vem a Natal?

Acho que não, mas é melhor perguntar aqui pra ela (e passa o telefone para a filha).

Oi, Luz, então, você vem com seu pai aqui para Natal?

Não, dessa vez.

E como foi que você escolheu o piano tendo um pai percussionista?

Eu tinha cinco anos quando assisti um concerto do pianista (polonês) Leszek Mozdzer, aí gostei e comecei a tocar e agora comecei a compor.

Pretende seguir carreira musical?

Não, quero ser design. (e passa o telefone de volta para Naná).

Naná Vasconcelos - Ela é tímida né? [gargalhou e se despediu]

Serviço

Nação Potiguar – 10 anos. Shows no dia 23 com Gereba Barreto, Danilo Guanais e Arismar do Espírito; e dia 24 com Macaxeira Jazz, Di Stéffano e Naná Vasconcelos. A partir das 19h30, no Villa Hall – Via Costeira. Ingressos no local, R$ 35.




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