Sindágua pede audiência com Robinson sobre proposta de venda da Caern

Publicação: 2018-01-31 00:00:00 | Comentários: 0
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Luiz Henrique Gomes
Repórter

Os servidores da Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (Caern) solicitam uma reunião com o governador Robinson Faria para saber o posicionamento do Estado sobre a privatização da estatal, sugerida pelo Governo Federal. O pedido é feito pelo Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgotos e Meio Ambiente (Sindágua). De acordo com Hélio Fábio, vice-presidente do sindicato, a expectativa é ter a garantia de que o governador permanece contra a venda da Caern, como já declarado publicamente em outras situações.

Comissão do Sindágua vai cobrar do governador Robinson Faria a promessa de não vender a Caern
Comissão do Sindágua vai cobrar do governador Robinson Faria a promessa de não vender a Caern

O pedido de reunião foi feito já nesta terça-feira à chefia de gabinete do governador Robinson Faria. Entretanto, não houve data firmada. Segundo os sindicalistas, um ato está sendo articulado para esta sexta-feira (2) para pressionar o encontro, mas ainda não há detalhes sobre o protesto.

Para o Sindágua, a venda da Caern (completa ou parcial) é prejudicial para o Rio Grande do Norte. “A privatização é judicial. O Rio Grande do Norte é um estado que enfrenta uma crise hídrica e a Caern, nesse sentido, também tem uma função social. Uma empresa privada de saneamento vai querer investir no local onde não há água? Não vai. Ela não vai querer garantir abastecimento em cidades que estão em colapso hídrico, por exemplo. A Caern consegue equilibrar porque não tem a intenção de lucrar”, avalia Hélio Fábio.

A intenção do sindicato na reunião é cobrar de Robinson Faria “as promessas feitas de não vender a Caern”. Hélio Fábio se refere ao posicionamento apresentada pelo governador em situações os quais a privatização da empresa foi discutida. No fim de 2015, primeiro ano da sua gestão, Robinson deu declarações à TRIBUNA DO NORTE contrárias a venda, que havia sido sugerida pelo desembargador Cláudio Santos, então presidente do Tribunal de Justiça. “Por que pensar a Caern como um órgão que não está sendo positivo para o Estado? Vejo a Caern como um exemplo de viabilidade para o governo. Não vou pensar diferente”, disse à época.

Ainda segundo o sindicalista, mesmo que tenha apresentado prejuízo nos dois últimos anos, a Caern é uma empresa com histórico de crescimento e que conta com um 2,4 mil servidores “que sobrevivem dos recursos próprios”. “A Caern não é uma empresa que dá prejuízo. Isso está provado. Investimos, temos captação de recursos próprios. Mesmo que os dois últimos anos tenham sido de prejuízo, acreditamos no potencial da Caern para gerar lucro para o estado. Ela só tem crescido”.

Os balanços financeiros da Caern mostram crescimento do patrimônio líquido da estatal nos primeiros anos da década e uma queda a partir de 2014 – início da crise econômica. Em 2011, o patrimônio era avaliado em R$ 528.079.346. Passou para R$ 697.139.238 em 2014 e caiu para R$ 679.415.620 em 2016 – ano do último balanço publicado. Os dados de 2017 ainda não estão prontos.

A privatização da empresa foi sugerida pela equipe econômica do Governo Federal em reunião com o Governo do Estado, na última quinta-feira (25). A sugestão, entretanto, pode se tornar exigência para o Rio Grande do Norte ser inserido no Regime de Recuperação Fiscal (RRF), programa que possibilita uma abertura de crédito para os estados em crise fiscal.

A TRIBUNA DO NORTE tentou entrar em contato com a Caern para solicitar dados atualizados sobre o patrimônio da empresa e pedir posicionamento dos técnicos, mas foi informada por meio da assessoria de imprensa de que a direção seguirá sem se pronunciar, assim como foi dito na edição impressa desta terça-feira (30).


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