Natal
Sindicato do Crime reúne mil bandidos
Publicado: 00:00:00 - 07/08/2016 Atualizado: 12:29:51 - 06/08/2016
Aura Mazda
Ricardo Araújo
Repórteres


Desde 2012, o lema é “Igualdade, União e Liberdade”. Até o ano passado, conforme dados presentes em denúncias apresentadas à Justiça pelo Ministério Público Estadual (MPRN), já são mais de mil “batizados” no sindicato cujo trabalho não dignifica o homem, mas o crime. No estatuto, composto por 17 tópicos que norteiam a conduta dos integrantes, “seguir a ética do crime acima de tudo”, “a luta pela liberdade, paz e igualdade”, fazem do Sindicato do Crime uma “família” que não “admite mentiras, traição, inveja, calúnia, egoísmo, interesses pessoais, mais sim: a verdade, respeito, lealdade, transparência, por quê o objetivo da família é o melhor para todos na ética do crime (sic)”. Nas denúncias, o MPRN elencou oito pessoas ligadas ao comando do Sindicato do Crime no Rio Grande do Norte. Nenhuma delas, porém, figura entre as que foram transferidas para os presídios federais semana passada.

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Os ataques a veículos, prédios e viaturas públicas registrados ao longo da semana  – motivados pela instalação de bloqueadores de sinal de celular na Penitenciária Estadual de Parnamirim (PEP), na Região Metropolitana de Natal - foram orquestrados por tal facção criminosa. A organização, criada em 2012 conforme informações que compõem a denúncia apresentada à Justiça em abril do ano passado, é definida pelo MPRN como um “Estado paralelo, com divisão de atividades e organização hierárquica”. Junto ao Primeiro Comando da Capital (PCC), o Sindicato do RN ou Máfia do RN ou Facção do RN, está presente em todas as unidades prisionais administradas pela Secretaria de Estado da Justiça e da Cidadania (Sejuc). Nas maiores – as Penitenciárias Estaduais de Alcaçuz e de Parnamirim – seus integrantes são maioria e disputam o comando do tráfico interno de drogas e determinam o comércio ilegal de entorpecentes do lado de fora.
Praticamente todas as rebeliões que ocorrem no RN nos últimos dois anos, foram coordenados por grupo do ‘Sindicato do Crime’
Os atentados registrados desde o dia 29 de julho em pelo menos 36 cidades potiguares, compuseram o segundo “salve geral” em menos de um ano meio, cuja autoria é reclamada pelo Sindicato do Crime, assim como fazem os grupos terroristas do Estado Islâmico. No dia 16 de março de 2015, a população potiguar assistiu ataques a ônibus em Natal e Região Metropolitana, o desmantelamento do Sistema Penitenciário e um prejuízo de pelo menos R$ 7,5 milhões aos cofres públicos potiguares. Os atos serviram como demonstração de força da facção e mais uma tentativa de inibir a ação do Estado nas penitenciárias, segundo investigações do MPE. Há pelo menos quatro anos, o Sindicato também ordena crimes de diversas natureza fora dos presídios. Hoje, o “Sindicato do Crime” é considerado a maior e mais perigosa facção do RN por autoridades da Cúpula de Segurança.

Os atentatos que começaram em 29 de julho passado eram, sob a ótica do MPRN, “inevitáveis” e o que mudaria apenas, seria a quantidade de deles. Ainda de acordo com o órgão ministerial, a instalação de bloqueadores atrapalharia o tráfico de drogas,  principal sustentáculo financeiro do “Sindicato”. Somente com o traficante João Maria dos Santos Oliveira, o João Mago, preso domingo passado, foram apreendidos quase R$ 1 milhão divididos em dinheiro em espécie, drogas, relógios de alto padrão, joias e quase 50 aparelhos celular. Investigações do Ministério Público apontam que o Sindicato é formado por vários escalões hierárquicos e não existe apenas a figura de um líder.

Alguns estão sob custódia e outros foragidos. Os presos na semana passada, apontados como lideranças da facção, ocupam posições mais altas na hierarquia.  Daniel Carvalho, 29 anos e Islânia de Abreu Lima, 24 anos, seriam responsáveis pela logística de distribuição de dinheiro que servia como “pagamento” aos que praticaram os atentados. A maioria deles, adolescentes. Para o MPRN, prisões e transferências de presos que supostamente fazem parte de facções criminosas não encerram ataques fora e dentro dos presídios. A falta de acesso a celular em presídios federais, para onde 26 apenados do Sistema Penitenciário potiguar foram transferidos na última semana, não impede que os presos enviem ordens ou recados por terceiros.

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