Sindsaúde aponta déficit de pessoal no hospital Ruy Pereira

Publicação: 2019-10-17 00:00:00 | Comentários: 0
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Apesar das discussões sobre o fechamento do Hospital Ruy Pereira dos Santos estar pautada na questão estrutural do Hospital, de acordo com funcionários da unidade, é a falta de profissionais que, atualmente, mais prejudica os pacientes que buscam atendimento. De acordo com a área técnica do Hospital, onde 1,7 mil procedimentos cirúrgicos haviam sido realizados até o mês de setembro, para conseguir fechar as escalas, seriam necessários mais três médicos clínicos, 11 técnicos de enfermagem e nove enfermeiros, além de equipe de suporte como psicólogos, assistentes sociais e farmacêuticos bioquímicos, dos quais o Hospital não dispõe atualmente.

Sindicalistas realizaram ato de protesto contra a interdição do Hospital Ruy Pereira, na manhã desta quarta-feira
Sindicalistas realizaram ato de protesto contra a interdição do Hospital Ruy Pereira, na manhã desta quarta-feira

De acordo com Breno Abbott, coordenador do Sindsaúde e enfermeiro no Ruy Pereira,  desde que o hospital passou a absorver parte da demanda do Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, nem mesmo a reposição do corpo técnico deficitário conseguiria atender a todos que chegam na unidade. “A UTI tem apenas cinco leitos funcionando graças à falta de profissionais. Temos apenas dois farmacêuticos, então os plantões não possuem muitas vezes essa supervisão, e os pacientes ficam sujeitos a erros”, afirma.

Além dos 1,7 mil procedimentos cirúrgicos, o Ruy Preira atendeu na especialidade vascular 2.627 pacientes até o mês de setembro, e admitiu outros 898 para internação. Hoje, de acordo com a área técnica do hospital, há cerca de 370 funcionários da área técnica e de ensino superior, e outros 70 terceirizados. A unidade é  referência no tratamento vascular no Estado, e o único centro voltado para os pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS).

Na manhã dessa quarta-feira (16), servidores do Hospital realizaram um ato contrário à interdição do Hospital, que foi solicitada pelo Conselho Estadual de Saúde devido às condições precárias do prédio, que não possui área de refugo, alvará da vigilância sanitária e problemas na rede elétrica.

Para o diretor do Sindsaúde Carlos Alexandre da Silva, a maior preocupação dos funcionários, hoje, é a redução do serviços prestados à população, que já estão aquém da demanda.

“Hoje, são 280 mil pessoas com problemas vasculares e dependem do SUS. Esse atendimento é feito de forma quase exclusiva no Ruy Pereira”, afirma Carlos. De acordo com ele, a solução que atenderia à situação do Rio Grande do Norte depende da construção de uma nova unidade de referência maior e melhor, que seja capaz de atender à demanda. “Compreendemos que a situação financeira do estado é ruim, mas a questão é que sempre falta dinheiro para a saúde. Esse é um problema antigo, que sobrecarrega funcionários e tem como resultado final o aumento de óbitos e amputações graves”, completa.

O secretário adjunto da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sesap), Petrônio Spinelli, se reuniu com funcionários da equipe do Hospital para discutir a transferência dos serviços que atualmente são prestados no Ruy Pereira. “A grande questão que estamos discutindo sobre o Ruy Pereira é que nenhum procedimento de mudança pode prejudicar os pacientes ou a capacidade de leitos disponíveis para essa linha de cuidado”, afirma Spinelli. De acordo com ele, a transferência, vai acontecer “de forma gradual, segura, com qualificação da assistência e um número de leitos, de preferência, superior ao atual”.

A Sesap tem uma reunião marcada para esta quinta-feira (17) com a direção do Hospital Universitário Onofre Lopes (Huol) ara discutir a operacionalização da parceria entre as instituições para que o Huol absorva parte da demanda do Ruy. No mesmo dia, encerra o prazo para que seja apresentado ao Ministério Público um plano de transferência dos 61 pacientes que se encontram internados.

Além do Huol, outro hospital que deve absorver pacientes do Ruy Pereira é o Hospital da Polícia Militar, que já prevê em seu plano operativo leitos para pacientes vasculares e cirúrgicos. De acordo com Spinelli, o termo de compromisso entre Sesap e o Hospital deve ser firmado na próxima semana. “Isso vai resolver boa parte das demandas. A discussão que tem que ser feita se refere a ajustes na parte de pessoal e equipamentos e estrutura física que precisam ser melhoradas para receber parte dessa demanda cirúrgica”, diz.





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