Síntese das imagens nos poemas de Lisbeth Lima

Publicação: 2010-03-24 00:00:00
Maria Betânia Monteiro - repórter

As esquinas de Natal, repletas de poetas-profetas dos sentimentos humanos, não só contagiam os leitores como também faz surgir novos poetas a todo instante. Foi assim que aconteceu com a paraibana Lisbeth Lima, doutoranda em Literatura Comparada, na UFRN. Lisbeth foi fisgada pelo lirismo potiguar e lança em Natal seu quarto livro de poemas “Vasto”, pelo Sebo Vermelho. “Considero-me poeta potiguar porque foi aqui no Rio Grande do Norte que vim publicar meus poemas”, diz Lisbeth e não esconde o orgulho de percorrer o mesmo caminho de Zila Mamede, outra paraibana. O lançamento acontece no hall da Aliança Francesa, hoje às 19h. Na ocasião haverá apresentação da cantora mineira Lysia Condé e do violonista Elio Perez, trazendo para o público o melhor da música brasileira.

Paraibana com o coração potiguar,  Lisbeth lança novo livro em Natal“Ela pensava que estava num plantio/ vasto e violeta, que não terminava nunca/ Era possível sentir o cheiro/ daquele campo sagrado de flores/ de minúsculas inflorescências perfumadas”, estes versos do poema “Lavanda”, segundo Lisbeth são o ponto de partida para sua obra. “Vastos é feminino sem ser feminista”, diz a autora. O livro trata em versos, das coisas do cotidiano, que segundo Lisbeth, pode ser o de todos nós.

O livro é dedicado a “Seu Davi”, encadernador há 20 anos, ele trabalha na rua Dr. Barata na Ribeira e ensinou a poeta o seu ofício. A ele, Lisbeth dedicou um poema chamado rua Dr. Barata, que versa sobre livros, tempo e gratidão.

Os poemas, segundo a poetisa são imagéticos, ou seja, são uma tentativa de colocar em palavras, uma imagem capturada com os olhos ou mesmo forjadas pelos sentimentos, como pode ser visto no poema “Luxo”. Nele a poeta escreve: “As pérolas verdadeiras, nos brincos/ deixaram há muito o mar/Mas vieram parar nas orelhas/conchas/que em ondas/ressoam cantigas de lá”.

“Como sou graduada em jornalismo, faço uso constante das imagens e da síntese”, diz Lisbeth. De acordo com a poetisa, ela lança um olhar diferente sobre os fatos e escolhe as melhores palavras para descrevê-los. Uma característica, que, aliás, perpassa toda a sua obra.

O primeiro livro de Lisbeth, “Dormência” foi lançado pelo Sebo Vermelho após ter recebido o prêmio Othoniel Menezes em 2001. O livro, que é uma reunião de 60 poemas, fala dos sentimentos calçados nas memórias de infância, na maternidade. Os poemas, segundo a autora são considerados sementes, por tratarem do primeiro da vida humana.

E é justamente Dormência, que inaugura a trilogia da autora. “Felice”, lançado em 2004 e “Romã”, lançado em 2008 são os outros dois títulos da trilogia.

Em Felice a autora fala exclusivamente de amor. Vivida a infância em Dormência, a autora fecunda o amor com Felice e em Romã expõe o resultado dos sentimentos engendrados. “Dormência é a semente; Felice, a flor; e Romã, o fruto”, explica Lisbeth.

Lisbeth Lima é graduada em jornalismo pela UFPB, universidade que também lhe concedeu o título de mestre em Biblioteconomia. Na UFRN a poeta desenvolve tese de Doutorado, na linha de pesquisa em Literatura Comparada, sob orientação do professor Francisco Ivan.

Vasto será distribuído nas livrarias de Natal e também estará disponível no Sebo Vermelho. O livro custa R$ 20,00.

Serviço
Lançamento “Vasto”, de Lisbeth Lima. Hoje, 19h, no hall da Aliança Francesa de Natal - rua Potengi, 459 - Petrópolis.

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