Situação dos ex-moradores é estudada

Publicação: 2020-09-23 00:00:00
Quatro anos após a mudança da Comunidade do Maruim para o Residencial São Pedro, na Esplanada Silva Jardim, próximo ao futuro Centro Comercial, a vida dos moradores passou por mudanças que foram apontadas numa dissertação de Mestrado do pesquisador Cledilson Filho, para o curso de Estudos Urbanos e Regionais de Políticas Públicas da UFRN. Foram utilizadas referências bibliográficas, bem como o trabalho em campo com a aplicação dos questionários com 178 famílias.

Créditos: Magnus NascimentoJosé Maria da Silva, 50 anos, ocupa uma das edificações construídas e abandonadas no MaruimJosé Maria da Silva, 50 anos, ocupa uma das edificações construídas e abandonadas no Maruim

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O estudo investigou as transformações ocasionadas pela mudança de vida. Alguns problemas, como os de infraestrutura, ganharam nova roupagem, mas a qualidade de vida foi um ganho, segundo a pesquisa.

“Houve melhoria em certos pontos na questão do saneamento básico, mas, em contrapartida, podemos ver que a qualidade da infraestrutura do prédio e dos equipamentos coletivos é deficitária, mesmo não se comparando ao que tinham antes na comunidade", explicou Cledilson.

Inaugurado no dia 24 de junho de 2016, o Residencial São Pedro foi construído para moradores do Maruim, que viviam em condições insalubres (alguns nem banheiros tinham), mas também beneficiou moradores da comunidade do Jacó e do bairro de Mãe Luiza. Foram investidos R$ 12,2 milhões no complexo habitacional. Com isso, foi possível demolir os barracos que começaram a ser construídos no terreno às margens do rio Potengi na década de 1940.

Contudo, a dissertação mostrou que falhas no piso dos apartamentos, nas paredes e infiltrações foram problemas que os moradores passaram a enfrentar, em muitos casos, por falta de manutenção ou de orientação de como conservar suas novas moradias. Além dos apartamentos, o complexo habitacional também conta com centro de convivência para os moradores, área de lazer com playgrounds e quadra poliesportiva, que necessitam de muitos reparos. 

“Como se trata de um empreendimento para pessoas que estavam em vulnerabilidade, não existe lá a taxa de condomínio, como é feito em outros empreendimentos, até mesmo pela questão da renda baixa. Então, no caso das áreas coletivas, deveria partir do poder público essa manutenção", ressaltou o autor da dissertação. 

Por outro lado, a qualidade de vida melhorou e foi verificado o aumento na renda, apesar dos custos com água e energia também terem aumentado. “Esse aumento na renda é fruto de outras políticas públicas associadas à entrega da nova moradia que deram acesso ao emprego. Percebemos também um aumento expressivo no grau de instrução já que em 2006 nenhum morador do Maruim possuía nível superior", relatou Cledilson Filho.

Com mais instrução, vieram melhores condições de trabalho, outro ponto positivo observado no levantamento. “O mais interessante é que ficou muito claro que a sensação de bem-estar é alta e a qualidade de vida melhorou, já que é forte a intenção deles permanecerem na moradia", destacou o pesquisador.