SMS Natal adota uso da ivermectina contra a covid-19

Publicação: 2020-06-06 00:00:00
Ícaro Carvalho
Repórter

A Secretaria Municipal de Saúde de Natal (SMS Natal) iniciou o uso de um antiparasitário no tratamento preventivo do novo coronavírus. A ivermectina já consta no novo protocolo médico do município, publicado nesta semana, e o remédio vai ser utilizado como uma medida de prevenção à Covid-19. No documento da SMS Natal, assinado pelo secretário George Antunes, há também a possibilidade de administrar, nos tratamentos para a Covid, a cloroquina, hidroxicloroquina e a azitromicina, que podem ser aplicadas nos pacientes de forma associada. A Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap/RN), no seu protocolo, não recomendou o uso de nenhum desses medicamentos.

Créditos: Adriano AbreuDeise Ferreira, técnica do Lar de Idosos Jesus Misericordioso, na zona Norte de Natal, destacou que idosos que fizeram uso da medicação apresentaram melhorasDeise Ferreira, técnica do Lar de Idosos Jesus Misericordioso, na zona Norte de Natal, destacou que idosos que fizeram uso da medicação apresentaram melhoras


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De acordo com o secretário de saúde de Natal, George Antunes, o fármaco vai começar a ser utilizado a partir da semana que vem nos profissionais de saúde do município. A ideia é que o medicamento seja repassado, inicialmente, aos hospitais de Natal, profissionais do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e posteriormente, às Unidades Básicas de Saúde (UBSs), para o tratamento precoce da doença.

“Primeiro a Ivermectina vai fazer um papel profilático (preventivo) em um grupo de pacientes e auxiliar no protocolo na fase inicial da doença, no início dos sintomas. Mas principalmente no papel profilático”, explicou Antunes. O titular da pasta disse ainda que o fármaco não se trata de uma “vacina”. “É uma medicação que previne a replicação viral. Por isso, que ela é tomada periodicamente. Não é uma dose única que você deixa de tomar pela vida toda, como uma vacina. O tratamento é semanal, são doses únicas por semana”, comentou.

Com relação ao uso da Ivermectina em pacientes, o novo protocolo da SMS Natal explica em quais características a medicação poderá ser administrada. O documento, publicado no Diário Oficial do Município na terça-feira, 2, mostra que o medicamento será utilizado em pacientes com até cinco dias de sintomas caso o usuário esteja impossibilitado de receber a hidroxicloroquina ou a cloroquina. O protocolo da SMS Natal trata ainda da possibilidade de associar a ivermectina a azitromicina. 

Créditos: Alex RégisGeorge Antunes destacou que medicação deverá ser usada por profissionais de saúde de NatalGeorge Antunes destacou que medicação deverá ser usada por profissionais de saúde de Natal


Estudos
O capítulo 11 do documento da SMS Natal, que trata da quimioprofilaxia para Covid-19, cita que “estudos in vitro (laboratório) mostram que a ivermectina reduz a aplicação de RNA viral do SARS-COV-2. Considerando seu perfil de segurança farmacológico, larga experiência de uso clínico em outras doenças, custo e comodidade posológica, esse medicamento revela-se como uma opção a ser utilizada não somente para tratamento, como também para profilaxia, somada a outras intervenções não medicamentosas”. A proposta, portanto, descrita no protocolo, é de que o esquema profilático seja sugerido para profissionais de elevado risco de exposição (profissionais de saúde, de segurança, bombeiros) e para indivíduos com fatores de risco para desenvolverem a forma grave da Covid-19. 

O protocolo da SMS Natal também autoriza o uso da hidroxicloroquina e da cloroquina nos pacientes internados nas unidades de saúde da capital potiguar. “A decisão é 100% do médico. Ele não é obrigado a usar o protocolo. Assim também como o paciente tem também o direito de querer fazer o uso desses medicamentos”, informou George Antunes, acrescentando que um termo de consentimento por parte do usuário precisa ser assinado concordando que fará uso dos remédios.

A Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap/RN), não recomendou nenhum desses três medicamentos em seu mais recente protocolo, publicado no dia 28 de maio. “A prescrição de medicações com potencial antiviral (cloroquina, hidroxicloroquina e ivermectina, por exemplo) para SARS-COV-2 ainda possui baixo respaldo científico. Estudos que avaliem o potencial benefício dessas drogas ainda estão em andamento. Deve-se evitar o uso de corticosteróides nessa fase de replicação viral”, detalha o documento. 

“A ivermectina não está no protocolo da Sesap/RN e cai no mesmo critério da cloroquina e hidroxicloroquina. São medicamentos com potenciais ações em laboratório, mas quando a gente vai colocar nas pessoas não temos certeza porque não tem nenhum estudo que mostre segurança e eficácia”, comentou Igor Thiago Borges de Queiroz e Silva, à TRIBUNA DO NORTE, um dos médicos responsáveis pelo protocolo e presidente da Sociedade Riograndense do Norte de Infectologia. 

“A realização de protocolos específicos elaborados por comitês científicos que assessoram as autoridades sanitárias são diretrizes que devem respeitar a autonomia do médico prescritor e do paciente”, disse o presidente do Conselho Regional de Medicina (Cremern), Marcos Lima de Freitas. 

Fernando Suassuna defende o medicamento
Um dos entusiastas do uso do medicamento na chamada profilaxia, isto é, na prevenção da doença, é o infectologista e imunologista Fernando Suassuna. De acordo com o médico, que vem estudando a Ivermectina há alguns meses, em laboratório, a medicação, em 48h, “consegue eliminar 97% dos vírus dentro das células e 94% no sobrenadante das células. Seria uma ação efetiva e rápida”, comentou, citando estudos internacionais. 

A segunda evidência, segundo Fernando Suassuna, é um estudo feito nos Estados Unidos com 1.400 pacientes, em que 700 tomaram Ivermectina e outros 700 não tomaram. “A mortalidade de quem tomou foi 1,85%. Quem não tomou foi 8,5%”, apontou. 

Suassuna disse que, numa instituição de longa permanência de idosos, na zona Norte de Natal, o medicamento foi utilizado, para escabiose, em fevereiro, em 27 idosos. No dia 18 de maio, alguns dos idosos começaram a apresentar sintomas da Covid. Na semana passada, doses de reforço da ivermectina foram aplicadas de um a três dias, a depender do usuário. Os resultados, segundo Fernando Suassuna e Deise Ferreira, responsável técnica da casa, foram satisfatórios.

Dos 27 idosos, cinco deles, entre 70 e 82 anos, registraram positivo para Covid.  Enquanto uns ficaram assintomáticos e outros apresentaram sintomas leves. Nenhum foi hospitalizado. “Todos eles tomaram uma dose de reforço de ivermectina ao ser confirmada a pandemia”, confirmou Suassuna.  

“Os idosos são grupo de risco, que vão para UTI, que são entubados. Isso na Medicina é um fato, que muitas pessoas comprovaram. Os funcionários também tomaram o medicamento, à época e agora, e todos os nove funcionários evoluíram de forma satisfatória, inclusive grupos de risco. Isso é o que temos com a ivermectina”, comentou. “Tem uma segurança grande, dá pouco efeitos colaterais, não ataca o coração nem os rins. Tem que ter cuidado com o fígado, não pode ser usado em gestantes ou mulheres que amamentam. Tem precauções”, ponderou. 

Segundo ele, já há um protocolo sendo estudado no Conselho Regional de Medicina (Cremern) para recomendar o uso do medicamento para profissionais de risco, como agentes de saúde e segurança pública e trabalhadores essenciais. Além disso, o Conselho avalia se o fármaco é aconselhado também, de forma preventiva, para pessoas em grupos de risco, como pessoas acima de 60 anos, pessoas com obesidade, diabetes, hipertensão e problemas cardiovasculares. 

De acordo com a nutricionista e responsável técnica da Casa de Idosos Jesus Misericordioso, Deise Ferreira, os pacientes que fizeram o tratamento “tiveram uma boa recuperação e já estão todos assintomáticos e evoluíram bem”, além de estarem fora do período de transmissibilidade.






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