Sob nova direção

Publicação: 2019-08-25 00:00:00 | Comentários: 0
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Lauro Jardim com Guilherme Amado e Mariana Alvim

Com as rédeas da articulação política nas mãos, o ministro Luiz Eduardo Ramos traçou dois objetivos: formar, enfim, uma base aliada no Congresso e ressuscitar o Major Vitor Hugo, desde sempre, um líder de direito, mas nunca de fato. Nas conversas com parlamentares, Ramos avisa que as demandas encaminhadas ao Palácio do Planalto com o aval do Major serão tratadas com carinho e aproveita para lembrá-los de que, a partir de agora, o responsável pelo diálogo com o Legislativo é ele, Ramos, e não mais Onyx Lorenzoni.

Confusão garantida
Se para escolher o novo PGR Jair Bolsonaro já armou toda essa confusão, pode-se imaginar como será animada a escolha do novo ministro do Supremo no ano que vem.

O anti
A interlocutores mais próximos, Jair Bolsonaro disse ter a certeza de que a polarização com o PT - uma de suas bandeiras mais caras - ainda tem vida longa. Ou seja, servirá ainda para muitas eleições.

O saldo da fanfarronice
Há um nome que não desce mais na goela de Flávio Bolsonaro: Wilson Witzel. O 01 acha o ex-aliado exibicionista e considera desleal a forma como ele vem se lançando candidato a presidente, mesmo sabendo que Jair Bolsonaro mira na reeleição.

Vida dura 1
Está bastante enrolada a negociação da Odebrecht com os bancos credores. As conversas das duas últimas semanas não têm avançado. Quem participa delas se mostra preocupado dado "os valores dramáticos" envolvidos. A dívida da empresa é de astronômicos R$ 98,5 bilhões.

Vida dura 2
Amanhã, no entanto, a Odebrecht será obrigada a apresentar oficialmente o seu plano de recuperação judicial aos credores - neste caso, não só aos bancos, que detêm o grosso da dívida, mas a todos eles. O prazo para o plano ser aprovado é até o final do ano.

Vida dura 3
Um dos fatores que mais complicam a vida da Odebrecht em sua tentativa de sobreviver é a única joia da coroa que restou, a Braskem. Meses atrás, o valor de mercado da gigante petroquímica era de R$ 20 bilhões. Hoje, não passa de R$ 9 bilhões.

Pior não fica
Lula enfiou Gleisi Hoffmann goela abaixo do PT na presidência do partido por mais quatro anos. Os companheiros tiveram que engolir. De qualquer forma, será quase impossível o PT sair das eleições de 2020 pior do que se encontra: hoje, a sigla só comanda duas cidades acima de 200 mil eleitores - São Leopoldo (RS) e Araraquara (SP).

Imagem carbonizada
A situação de Ricardo Salles no Partido Novo caminha para a insustentabilidade. Dois de seus correligionários, o deputado estadual do Rio de Janeiro Chicão Bulhões e o candidato ao governo pelo partido em 2018, Marcelo Trindade, estão entrando com pedido de expulsão de Salles da legenda. O motivo? Seus oito meses como ministro falam por si.

Passa lá em casa
Rodrigo Maia, sempre que pode, marca as reuniões mais importantes na sua residência oficial, longe dos gabinetes da Câmara dos Deputados. Nada contra o prédio projetado por Oscar Niemeyer. A razão é personalíssima: em casa, Rodrigo Maia não precisa usar terno e gravata, acessório que ele detesta.

De olho na tela
Mas é um outro hábito de Rodrigo Maia que costuma irritar deputados e empresários: a enorme dificuldade para desgrudar os olhos do celular enquanto conversa. O grau de atenção à tela varia, obviamente, de acordo com a importância de quem está à sua frente.

Fábrica de dinheiro
O governo decidiu privatizar a Casa da Moeda em boa hora. Está certo que a Casa da Moeda é uma fábrica de dinheiro, mas há gastos inexplicáveis na estatal. Veja-se o exemplo do recém-nomeado diretor de Inovação, Saudir Filimberti. Neste mês, recebeu uma remuneração de R$ 160,2 mil. A quantia é a soma do seu salário (R$ 38 mil) com uma singela "ajuda de custo" (R$ 122,2 mil). Filimberti já trabalhou como funcionário de concessionárias da Ford, foi presidente do conselho do Detran gaúcho e, segundo consta no site da estatal, "recentemente, vivenciou a experiência de residir durante um ano nos EUA, onde promoveu uma imersão na língua, cultura, política e economia americanas".

Aula prática
Delatores da Odebrecht estão frequentando cursos de compliance, com duração de 40 horas - uma obrigação imposta pelo acordo que fecharam com o MPF. No Insper de São Paulo, por exemplo, um ex-diretor da Odebrecht se apresentou assim aos colegas e ao professor: "Eu sou a aula prática de vocês".



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